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Embraer e Airbus procuram startups no interior de SP

Evento realizado pela aceleradora franco-americana Starburst colocou empreendedores no mercado aeroespacial de frente para investidores e gigantes do setor

Renato Jakitas, O Estado de S.Paulo

11 de novembro de 2016 | 06h00

Estima-se que existam mil startups aeroespaciais pelo Brasil, 250 apenas em São José dos Campos, no interior de São Paulo. Por lá, na quarta-feira, 9, cinco dessas empresas estiveram reunidas para apresentar seus projetos de inovação a representantes da indústria, como Embraer e Airbus, e a investidores - estrangeiros e nacionais.

O evento foi organizado pela franco-americana Starburst, espécie de headhunther de statups para grupos como Bombardier, NASA e SpaceX. Com um portfólio de 300 pequenos negócios na área, a Starbust está em turnê pelo mundo na tentativa de engrossar seu cardápio de ofertas. O Brasil foi a última escala de uma viagem que passou pelos Estados Unidos, Alemanha e Cingapura. 

Segundo levantamento realizado pela Deloitte, os recursos do setor aeroespacial para investimentos em tecnologia, em 2016, deve girar na casa dos US$ 13 bilhões no mundo, uma alta de 2,7% na comparação com o ano anterior. No Brasil, o governo federal havia anunciado um pacote de R$ 124 bilhões para o setor de defesa, considerado o principal motor do mercado aeroespacial. Mas, em virtude da recessão econômica, o projeto foi engavetado, forçando as startup locais a apontaram sua atenção principalmente para o investidor internacional. 

Relação. "Para nós, é uma oportunidade de estreitar relações com a Embraer e de estabelecer um primeiro contato com algumas das startups locais", diz Van Espahbodi, cofundador da Starburst, que está em sua segunda visita ao País ao lado do francês François Chopard, um ex-engenheiro da Airbus. 

A aceleradora segue um modelo diferente de negócios de outras empresas. As companhias pagam a ela uma valor anual para que a Starbust possa pesquisar oportunidades e encubar as mais promissoras. A aceleradora realiza eventos apresentando as startups para o mercado. "Nós estamos sendo chamados de Shark Tank do mercado aeroespacial", conta Espahbodi em referência ao reality show do canal Sony. 

No evento brasiliro, entre as empresas foi a Embraer a que deslocou um maior contigente de 'olheiros', seis  no total. O principal nome foi o de Peter Seiffert, que chefia os investimentos de risco da gigante brasileira. A ausência comentada foi de Sandro Valeri, gerente de inovação, que segue na região do Vale do Silício, nos EUA. Segundo fontes próximas, Valeri está em missão para definir um escritório da empresa em Palo Alto, na Califórnia. "A empresa entende ser importante manter uma equipe por lá, e não apenas um especialista como é hoje, justamente para redobrar a atenção nas novidades do setor", afirma a fonte.

Relâmpago. Dos cinco empreendedores que participaram da rodada de pitchs (como são chamadas as apresentações relâmpagos para investidores), três atraíram a atenção da plateia: a fabricante de drones e bateriais de hidrogênio H3Dynamics, criada em Curitiba e hoje sediada em Cingapura, a paulista Virtual Avionics, que desenvolve simulados de voos para treinamentos de pilotos, e a carioca Dattashield, de segunda cibernética, com menos de um ano de vida.

"Fiquei interessado com o rapaz da DattaShield", comentava ao final do evento Bruno Ghizoni, que administra o Fundo de Investimentos Aeroespacial, dono de R$ 130 mihões para aportar em startups do ramo. Hoje o fundo tem cerca de 30% de participação em cinco empresas e até 2018 a meta é expandir esse número para mais 12 startups. "Vamos conversar com a Dattashield. Chama a atenção que o produto deles é 15% do preço que se paga por uma solução da IBM, por exemplo", destacou, depois, Ghizoni.

Já a Virtual Avionics, formada dentro da Unicamp por Amauri Souza, interessou aos executivos da Embraer, que já investem em outras três startups participantes do evento. 

Vendedoras. Além das startups locais, outras cinco estrangeiras também apresentaram seus produtos durante o evento. Ao contrário das brasileiras que estavam em busca de investimento, as estrangeiras tinha como objetivo central vender para os fabricantes nacionais, em especial a Embraer.

"Pra mim, o momento é bom para iniciar um relacionamento com o Brasil", diz Alasdair Pettigrew, que desenvolveu um software de gestão para o setor aeroespacial chamado Boxarr. "Quero vender para a Embraer", destaca.

 

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