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Embalando a tecnologia em um barril atemporal

A indústria de barris continua como uma pequena, porém brilhante, exceção na triste indústria manufatureira, principalmente nos Estados Unidos

Clay Risen, New York Times

29 de agosto de 2016 | 23h04

Sentado em uma encosta na cordilheira de Ozarks, a cerca de 160 quilômetros de St. Louis, Brad Boswell observa uma máquina motosserra fazendo uma série de cortes em um carvalho branco de 30 metros. A máquina aponta para uma clareira e com um golpe final, rápido, derruba a árvore, exatamente para onde ela estava apontada.

Mr. Boswell avalia os redemoinhos que perfazem o interior da árvore. Se elas forem consistentes e a madeira não apresentar cicatrizes de incêndio ou de doenças, a maior parte dela vai acabar nas centenas de milhares de barris que sua empresa de 1,5 mil funcionários, a Independent Stave, fabrica todos os anos.

Seu bisavô chamado T. W. Boswll fundou a empresa em 1912, e Brad Boswell agora toca o negócio com seu irmão e sua irmão. Basados em Lebano, no Missouri, e é o maior fabricante de barris de madira do mundo em um tempo em que disparou a demanda por vinho, uísque e cerveja - todos eles mantidos em barris para envelhecimento.

Os Estados Unidos é agora o maior mercado para barris de vinho. A produção doméstica de uísque cresceu 41% na última década e, graças a uma excêntrica lei federal, tudo isso precisa ser deixado para envolhecimento em barris novos de carvalho. A demanda chegou tão rapida e vertiginosamente que os preços pelos barris cresceu 70% desde 2012 e alguma cooperativas de produção têm lista de espera de 12 meses.

Com uma companhia de capital fechado, Independent Stave não divulga faturamento ou números de produção. Mas especialistas estimam que suas produção dobrou nos anos recentes. "Isso tudo aconteceu realmente muito rápido", diz Boswell, 45 anos. "Há uma explosão nesse trabalho em todos lugar."

A indústria de barril, que inclui cerca de 15 empresas - a maioria, tirando o exemplo da Independent Stave,  nanicas - representa uma exceção à triste indústria de manufatura americana: apesar de um robusto balanço de empregos gerais em julho, o país perdeu 33 nil empregos no ramos da manufatura no últimos seis meses.

Opondo-se a essa tendência, diversas novas cooperadas estão começando a trabalhar e as empresas existentes estão expandido sua atuação. "Temos definitivamente um bom problem", diz Heidi Korb, o dono da cooperativa Black Swan.

Pouco tempo atrás, entretanto, o mundo não pensava muito nos barris de carvalho amercanos. A indústria de bourbon afundou nos anos 80 e 90 enquando os produtores de vinho preferiam importar da França caros barris de carvalho, os melhores para o estilo bordeaux dos tintos que saiam da Califórnia.

A maior parte do problema estava na época com os próprios barris, que frequentemente vinham cheios de imperfeições devido às queimadas e as doenças das árvores.

Hoje em dia, além da explosão da demanda proveniente do bourbon na última década, o mercado experimentou uma revolução tecnológica na fabricação de barris. Além disso, computadores e câmeras ofereceram um entendimento maior sobre a ciência por detrás do envelhecimento em barris, o que permitiu uma explosão na customização e na inovação na fabricação.

"Quando eu comecei você não podia passar as mãos nos barris porque eles eram cheios de lascas", diz David Pickerell, um consultor da indústria de uísque. "Agora eles são como mobília." Pelo jeito, esse é apenas o começo de um negócio que tende a avançar e trazer cada vez mais dividendos para os pequenos empresários locais.

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