Henrique Kotaka
Para André Beltz, busca por qualificação colabora na melhora do setor Henrique Kotaka

Em educação, tecnologia e aula presencial são apostas

Inovações e adaptações em cursos contrastam com ensino tradicional

Estadão, O Estado de S.Paulo

27 de junho de 2019 | 06h00

O setor educacional busca inovar e se adaptar ao atual paradigma tecnológico, com a criação de novos cursos adaptados às necessidades do momento, como aulas de videomaker, criação de aplicativos, games e robótica. No entanto, ainda aposta na presença do professor em sala de aula e na troca de experiência entre alunos, elementos tidos como de alta relevância para o aprendizado.

Apesar da crise, o segmento também tem conseguido manter sua resiliência, apostando no desejo de capacitação resultante desse período, seja da parte daqueles que buscam melhorar seu currículo para conseguir um emprego, seja daqueles que desejam aprimorar seus conhecimentos para manter seu emprego atual ou alcançar uma promoção.

Segundo a última pesquisa da ABF (Associação Brasileira de Franchising), que mostra o crescimento dos setores no primeiro trimestre de 2019, o segmento de educação aumentou seu faturamento em 8,1% e expandiu seu número de unidades em 6,9% em relação ao mesmo período do ano passado.

Bruno Padrão, diretor operacional da All Net, rede de escolas de idiomas, tecnologia e gestão empresarial, afirma que a franquia teve leve crescimento no primeiro trimestre deste ano, mas que os anos mais difíceis foram entre 2016 e 2018, quando mudanças foram necessárias, como capacitação dos colaboradores (equipe comercial e pedagógica) e alterações no modelo de negócios (comercialização de material didático, que antes não era feita).

Para ele, enquanto outros cursos têm apostado em programas interativos, em que um computador ensina as matérias, o que já pode ser encontrado no YouTube, a All Net ainda aposta no professor em sala, mas com uma abordagem mais prática.

“Na aula de informática, por exemplo, o professor não explica apenas o pacote Office, mas ensina para que essa ferramenta será útil no cotidiano dele para realizar outras coisas”, explica.

Segundo André Belz, fundador e sócio da Rockfeller Language, os últimos três anos foram de crescimento lento, mas este ano o cenário está mais favorável. As matrículas na rede aumentaram 40% no primeiro semestre de 2019 em relação ao mesmo período de 2018 e 60% dos alunos são adultos, o que indica uma busca por qualificação.

“A empresa precisa se adaptar ao aluno. Oferecemos cursos online com dias e horários flexíveis, mas diferentemente dos EADs comuns, temos acompanhamentos presenciais nas escolas”, afirma Belz.

Ele diz que a rede também oferece apoio complementar, seja por meio de aplicativo ou plataforma online, que permite ao aluno ter acesso a atividades complementares, acompanhamento com professores, agendamento de aulas e verificação de sua situação financeira.

Thiago Busigjnani, diretor Executivo do Centro Brasileiro de Cursos (Cebrac), também acredita na troca de experiência entre alunos na sala de aula.

“Os nossos cursos são 100% presenciais”, relata. Ele conta que a rede também tem criado novos cursos focados no público jovem (entre 15 a 18 anos), como robótica, criação de aplicativos, de games e videomaker. Outro investimento da empresa tem sido no curso de cuidador, devido ao aumento da expectativa de vida do brasileiro.


Franquias atendem os alunos idosos

Não são apenas as franquias de saúde que têm encontrado na população mais idosa um nicho promissor. Serviços de educação também exploram esse mercado.

A enfermeira Angela Guimarães, que tem 63 anos e hoje é aposentada, sempre teve dificuldade com o idioma inglês. Gosta muito de viajar para outros países e queria se comunicar melhor. “Ficava muito chateada por não saber o idioma”, conta. Um amigo falou sobre a Top English, uma franquia que oferece aulas de inglês na casa do aluno, e ela resolveu experimentar os serviços. “Tenho duas horas de aula por semana”, conta a enfermeira.

 

Uma professora de inglês, de 26 anos, vai à casa da aposentada no Recife (PE) às segundas e quartas. “O mais interessante é a conversação”, diz a aluna. Agora, ela tem uma viagem marcada para Vancouver, no Canadá, em agosto. Vai passar oito semanas estudando o idioma em uma escola local. A decisão foi por incentivo da professora.

O criador da franquia, Dilson Kossoki, conta que quase um quarto da base de alunos da Top English é de idosos, o que ele considera uma proporção expressiva.

Kossoki diz que a proposta de aulas na casa do aluno oferece facilidades que são bem-vindas para esse público. É que, em outras escolas, o aluno idoso precisa dividir turmas com os mais jovens. Como os ritmos de aprendizagem são diferentes, isso pode comprometer a eficácia do serviço. “Desanima o mais velho e o mais novo”, observa. Ele também nota que, muitas vezes, é a preocupação de evitar o alzheimer que leva os idosos a procurarem pelas aulas de línguas.

A franquia All Net, que oferece aulas voltadas à tecnologia, também encontrou uma forma de contemplar esse nicho de mercado. O curso “Melhor Idade” proporciona conhecimentos sobre o pacote Microsoft Office, além de noções sobre segurança virtual, serviços bancários que podem ser feitos online, entre outros. Os alunos do curso são de todas as faixas de renda, segundo o franqueado Bruno Padrão, que tem uma unidade da All Net na capital paulista. “Para esse público não existe muito um corte de estrato social”, explica.

Padrão observa que a procura pelo curso está mais relacionada à falta de atividades durante o dia e ao fato de que a maioria dessa população não teve oportunidade de assimilar conhecimentos em tecnologia no dia a dia.

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Entrevista: 'O desafio de se tornar versátil'

Para Ana Vecchi, especialista em franchising, adaptar a mentalidade tradicional das empresas para uma gestão mais dinâmica e colaborativa é o objetivo

Estadão, O Estado de S.Paulo

27 de junho de 2019 | 06h00

Uma economia dinâmica pede por empresas igualmente versáteis. É isto que a consultora e especialista em franchising, Ana Vecchi, afirma ser o maior desafio para as empresas de franquia em 2019: adaptar a mentalidade tradicional do setor para mudanças mais ágeis e criar uma cultura de gestão mais colaborativa, envolvendo os franqueados nas decisões das redes.

Nesta entrevista, ela também trata das tendências dos setores, de microfanquias e do crescimento de multifranqueados.

Quais são as tendências, de uma maneira geral, para o setor de franquias neste ano? 

Definir uma nova cultura no modelo de gestão é o principal desafio, até mais do que mudança de equipamentos e de fornecedores. Na nova economia, assimétrica e disruptiva, a tecnologia vem possibilitando um crescimento exponencial, portanto é preciso haver um novo mindset (mentalidade) entre franqueador e franqueados. Esta é a realidade das startups. Fazer isso sem invadir territórios anteriormente definidos, sem ferir contratos de franquia já assinados; não ocorre da noite para o dia, mas não é impossível.

Outra tendência é que o setor de serviços deva crescer mais por ainda ser um segmento que favorece os investimentos, por não demandar grandes estoques e por ainda existir a necessidade de bons prestadores de serviços. 

O setor de alimentação também deve ampliar sua forma de atuação com fast-food casual e franquias de minicentros de distribuição com foco em delivery, por exemplo.

 

Na última pesquisa da ABF, o setor de construção apresentou crescimento de 12,9% no 1º trimestre de 2019 . O que pode ter ocasionado isso? 

Acredito ter sido, num primeiro momento, o ânimo em função de mudança de governo com o mercado reagindo positivamente, consumindo mais que nos anos anteriores. Há uma infinidade de lançamentos de empreendimentos, com os investidores apostando que esta mudança se sustente por mais tempo, melhorando ainda mais com a reforma da previdência.

O consumidor final estava carente de ser cuidado e investiu em reformas, coisas para casa. Os serviços de manutenção e limpeza estão com mercado mais aquecido também pela percepção das corporações em gestão preventiva no que tange à manutenção elétrica, hidráulica, de ar condicionados, etc. O que estava adormecido, por falta de esperança no reaquecimento da economia, parece ter despertado. Vamos ver por quanto tempo.

Há um tendência de crescimento do número de multifranqueados? Isso é algo benéfico para o segmento de franquias?

Na verdade, não é mais uma tendência, mas já acontece há anos. É uma ótima opção para ambos os lados – franqueados e franqueadores. Tendo regras e limites claros, questões de sigilo, análise de perfil de quem vai assumir mais unidades e, criando a estrutura para administrar vários negócios de diferentes setores, tudo bem. Setores distintos não concorrem e do mesmo setor somam conhecimento. Quem não adoraria ter um franqueado com todas as marcas de uma praça de alimentação, operando com excelência todas elas e com capacidade de lidar com os clientes conforme o dia, a promoção e o perfil do shopping?

As microfranquias são associadas à falta de profissionalismo e de estrutura. Isso ainda é verdade?

As microfranquias passaram por isso que você disse. Houve uma quebradeira feia, que prejudicou muitos franqueados, mas houve também um saneamento de mercado, franqueados que compraram franqueadoras. O modelo evoluiu, assim como seus gestores, e há um comitê de microfranquias, que estuda e estrutura a forma de atuação das empresas associadas à ABF.

O que tem ocorrido é a adequação dos modelos de negócios franqueados, nos últimos anos, em função da recessão, o que possibilitou o crescimento de microfranquias com franqueadoras mais estruturadas e profissionalizadas.

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Os cuidados na hora de comprar uma franquia

Momento é de depuração do mercado e operações mal estruturadas não sobreviverão

Estadão, O Estado de S.Paulo

27 de junho de 2019 | 06h00

O sonho de ser dono do seu próprio negócio permeia a cabeça de muitos brasileiros. Em épocas de crise, é comum que setores tidos como mais estáveis, como o de franquias, apareçam como alternativas seguras para investimentos. No entanto, é preciso estar atento para algumas particularidades do segmento.

Para Marcus Rizzo, consultor e proprietário da Rizzo Franchise, o setor permanecerá crescendo. Porém, alerta: “Hoje, passamos por um processo de depuração. As operações mal estruturadas estão desaparecendo do mercado pela diminuição do consumo.”

Paulo Ancona, sócio-diretor da Ancona Consultoria, diz que houve um aumento do fechamento de franquias nos últimos anos, em decorrência das microfranquias.

“Por serem franquias muito baratas, muitos dos franqueadores não se preparam de forma plena para atender a rede de franquias, e o perfil dos franqueados muitas vezes também é de pessoas mal preparadas. Isso é algo que eu acho que o sistema tem que estar atento”, afirma Ancona.

Por outro lado, ele vê postitivamente o crescimento do número de multifranqueados, sejam eles multimarcas ou dentro de um mesmo setor. Para o consultor, isso simboliza a entrada no sistema de empresários que querem criar suas próprias redes de negócios, além de grupos de investidores, o que agregaria profissionalismo para as marcas e para o próprio segmento.

 

Dicas e cuidados:

 

Investimento: Quanto dinheiro você tem disponível para investir? É essencial ter o capital necessário para isso. Não acredite que você conseguirá depois. Não comece um negócio endividado

Familiaridade: Perceba se trabalhar com determinada franquia é, realmente, o que você deseja fazer. Partir para um negócio só com a expectativa de retorno financeiro pode não dar certo

Modismos: Não entre nos modismos (paletas mexicanas, cupcakes, gelateria, por exemplo), mas busque franquias com resultados sustentáveis. Pense que, pelo menos nos próximos dez anos, você trabalhará com isso todo dia

Investigação: Não se deixe enganar pelo discurso do mercado, que deseja vender a qualquer custo. Investigar antes de investir é essencial. Desconfie dos intermediários (corretores). Eles são movidos pelas comissões de venda da franquia 

Treinamento: Pergunte sobre qual treinamento e suporte serão oferecidos. Você receberá instruções detalhadas e treinamento prático? Quais os manuais e outros materiais que você terá à sua disposição?

Circular de Oferta de Franquia: Exija a Circular de Oferta de Franquia (COF) e verifique nele a lista de todos os franqueados em operação e a lista de todos os que encerraram atividade no último ano

Converse: Analise as informações presentes na COF e converse com três a seis franqueados para checar se as informações presentes nela são verídicas

Veja os números: Olhe as planilhas de previsão de resultados (DREs - Demonstrativos de Resultados de Exercícios) e veja se os números são factíveis e se existe dinheiro para fluxo de caixa

 

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Entrevista: 'O negócio de franquias é resiliente'

Para André Friedheim, presidente da Associação Brasileira de Franchising (ABF), setor oferece vantagens para quem deseja abrir primeiro negócio

Estadão, O Estado de S.Paulo

27 de junho de 2019 | 06h00

Para André Friedheim, diretor-presidente da Associação Brasileira de Franchising (ABF) para o biênio 2019/2020, as franquias oferecem importantes vantagens a quem começa um primeiro negócio. Uma delas são as marcas mais fortes presentes no setor. Com nomes consolidados no mercado, a segurança para um investimento é maior. “É preferível uma marca que já conheço que tentar algo novo de que posso me arrepender depois”, disse.

Segundo Friedheim, o mecanismo de funcionamento em redes também faz diferença. Isso porque proporciona maiores ganhos de escala, mais know-how e acesso mais fácil a fornecedores e tecnologia. Mesmo assim, é preciso tomar alguns cuidados. “Qualquer negócio envolve riscos, e com franquias não é diferente”, alerta. Por isso, é preciso planejamento antes de começar e comprometimento depois de iniciado o negócio.

Quais são os impactos da crise no setor?

O varejo sofre um pouco mais com essa situação, mas o franchising é mais resiliente do que os outros setores. Temos marcas mais fortes, mais know-how, maiores ganhos de escala, acesso mais fácil a fornecedores, tecnologia mais acessível. O investidor ganha mais força para competir.

E as perspectivas diante do cenário econômico do País?

Todos os desafios conhecidos na economia, como a alta carga tributária, também afetam o setor de franquias. Mas, os ganhos de escala acabam facilitando a superação das dificuldades. Vejo boas perspectivas mesmo na crise, porque trabalhar em rede é mais vantajoso do que de forma independente.

Por que ser um franqueado pode ser vantajoso?

Eu defino franquia com a palavra ‘acesso’. Pode ser a marca, o know-how, a tecnologia, os ganhos de escala. A possibilidade de participar de uma rede de negócios garante ao empreendedor mais força do que se fosse em um negócio individual. A franquia dá essa vantagem, que é de sair na frente. Mas, nada vai substituir o trabalho do franqueado na ponta. Sempre com apoio do franqueador.

Quais os segmentos mais promissores para se ter uma franquia?

Alimentação é um setor tradicional, continua crescendo. Os aplicativos são mais um canal de distribuição que ajudam o segmento. As pessoas comem três vezes por dia. Então, é um setor bem forte. Há, também, os serviços educacionais, porque existe um déficit do governo que permite que empresas de escolas particulares tenham um espaço a crescer. Só uma minoria do país fala inglês, por exemplo. E o setor de serviços em geral. Estamos passando por uma fase de profissionalização dos serviços no Brasil. Isso tem influência de marcas de franquias estrangeiras. Se antes os clientes podiam ficar incomodados com o ambiente de oficinas mecânicas, agora já existem marcas que prestam esse serviço de forma muito mais profissional do que no passado: fornecem nota fiscal, seguro, treinamento aos funcionários, a oficina está sempre limpa. Você confia mais. Todo esse processo de profissionalização dos serviços vai fazer com que esse segmento continue crescendo por mais um tempo.

Existem vantagens específicas em se trabalhar com uma marca?

A marca é muito mais importante no atual momento, porque ninguém quer errar ao fazer uma compra. Com a credibilidade da marca, a compra é certeira. É preferível uma marca que já conheço do que tentar algo novo de que posso me arrepender depois.

Os empreendedores de franquias também enfrentam riscos?

Qualquer negócio envolve riscos e com franquias não é diferente. Mas, o risco é menor. As taxas que devem ser pagas às franqueadoras ainda são menores do que os custos de abrir uma empresa de maneira independente.

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