Douglas Lucena| Divulgação
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Educação, cidadania e saúde motivam novos negócios de impacto pelo Brasil

Empreendedorismo de impacto social é tema do segundo dia da #SemanaProPME; evento começa na quinta-feira, 26

Felipe Tringoni, especial para, O Estado de S.Paulo

23 de outubro de 2017 | 07h58

Quando se fala de negócios que geram impacto social no Brasil, educação é a área que desponta com mais envolvidos. Segundo a plataforma Pipe.Social, 38% das empresas participantes de seu recente mapeamento do setor têm essa área como seu foco de atuação.

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Danielle Brants é uma das empreendedoras que enxergou potencial de negócios relacionados ao ensino. Em 2014, depois de trabalhar no mercado financeiro, a paulistana procurou sintonizar novas tecnologias a desafios educacionais que requerem soluções inovadoras. E fundou a Guten Educação e Tecnologia, empresa que oferece uma plataforma de leitura para o ensino fundamental com conteúdos interativos para alunos, planos de aula que auxiliam professores e avaliação de competências leitoras.

“Comecei a olhar para negócios que poderiam causar um impacto mais direto na sociedade. Na época, estudei os setores que mais podem mudar o país: saúde e educação. Também ficou claro que quase tudo na nossa vida já mudou por causa da tecnologia e da internet: desde nossa forma de cozinhar até ouvir música. Por que nos educamos ainda da mesma forma?”, questiona Brants.

“Vi a oportunidade para criar uma ferramenta que elevasse os níveis de aprendizagem dos alunos – mais especificamente, a leitura”. De acordo com números do Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Alunos) usados pela Guten, dos estudantes brasileiros com 15 anos, 50% não atingem o nível básico em leitura e apenas 0,5% alcança o nível máximo de proficiência.

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“Começamos pilotando o produto em escolas particulares e colhendo feedbacks para aprimorá-lo. Depois disso, passamos a vender para o setor privado e expandir. Em paralelo, atendemos também escolas públicas, oferecendo de forma gratuita e identificando novos problemas, para posteriormente fazer negociações com esse setor”, detalha a empresária, que contou com uma aceleração da Artemisia – organização de fomento de negócios de impacto – ainda em 2014. “Foi fundamental. Dificilmente [investidores] conversariam conosco num estágio tão inicial”. A startup fez então sua abertura de mercado e recebeu uma primeira rodada de investimentos em 2015, com alguns investidores-anjo, a própria Artemisia e um outro fundo internacional.

Atualmente, 66 escolas de todo o Brasil (30 do sistema público) utilizam a plataforma com cerca de 36 mil alunos. Neste momento, a Guten foca suas atenções no próximo ano letivo. “As escolas geralmente se planejam no fim do ano e compram a plataforma entre novembro e janeiro. Nossa meta para 2018 é quadruplicar a quantidade de escolas por todo o Brasil. Já passamos pela validação do mercado e estamos em estágio de expansão rápida”.

Uma solução para reformas

Ainda de acordo com os números do Mapa de Negócios de Impacto Social + Ambiental da Pipe.Social, além da educação, também têm destaque no cenário brasileiro iniciativas em tecnologias verdes (23%), cidadania (12%), saúde (10%), finanças sociais (9%) e cidades (8%). Transitando por essas áreas, o Programa Vivenda realiza reformas de baixo custo no Jardim Ibirapuera (Zona Sul de São Paulo) e no Jardim Lapena (Zona Leste).

Os kits são voltados para banheiro, cozinha, área de serviço, sala e quarto. Custam até R$ 5 mil, podem ser pagos em até 30 parcelas, com entrega feita em até 10 dias, e foram formatados para resolver problemas como falta de ventilação, luminosidade e umidade. “Vimos muitas pessoas que moravam em situação inadequada, com reformas feitas na raça, de um jeito inconveniente”, diz Fernando Assad, que encontrou seus sócios Igiano Lima e Marcelo Coelho num programa de urbanização de favelas da CDHU (Companhia de Desenvolvimento Social e Urbano) em 2009. “A grande ficha da Vivenda caiu lá, por conta dessa convivência na comunidade e da importância que vimos nas reformas. Pra nós era uma premissa: construir juntos algo que causasse transformação”.

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O trio começou a trabalhar na ideia da startup no Jardim Ibirapuera junto de uma ONG. “Nos propusemos a entender os problemas e conceber juntos um projeto. Eles nos colocaram em contato com cinco famílias e ajudaram a construir o modelo de negócio e operação no segundo semestre de 2012”, segundo Assad.

Assim como a Guten, a Vivenda também passou pela aceleração da Artemisia, que auxiliou a refinar o modelo de negócio e dar início à operação de fato, colocando a empresa no mercado. “Depois disso, no segundo semestre de 2013, fomos atrás de dinheiro para operar mesmo em abril de 2014”.

Esse primeiro ano serviu para validar os produtos. Posteriormente, começaram a pensar em itens como estruturas de financiamento para os clientes. “São raríssimas as opções para financiar as compras do consumidor de baixa renda. Quando conseguimos destravar isso, começamos a pensar no movimento de expansão”, explica o empreendedor, revelando que a empresa está fechando um novo modelo neste mês de outubro. “Estamos num momento de retomar as vendas e começar a pensar as outras deficiências para abrir novas lojas. Já recebemos demanda de todo o país”.

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