Economia afeta confiança de grandes empresários

Eles concordam que o cenário afastou os investimentos e também esperam que o quadro se mantenha neste ano

Vivian Codogno, Estadão PME,

28 de janeiro de 2015 | 07h08

O cenário econômico desfavorável afetou também a confiança dos empresários responsáveis por grandes redes brasileiras. Consultados pelo Estadão PME, eles acreditam que a baixa perspectiva de crescimento, aliada ao aumento da inflação e ao câmbio instável, inibiram investimentos e projetos de expansão em 2014. Pior: a tendência é que o quadro mantenha-se como está neste ano.

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Este é o retrato da construção civil, que direcionou o foco da produção para o consumidor final, diante da baixa procura de investidores. “O País apresentou um índice de crescimento praticamente nulo. Acredito que os reajustes fiscais do início do ano sigam desencorajando o setor”, avalia o presidente da Even, Carlos Terepins.

De acordo com o empresário, 2015 deve ser de estruturação – ele aposta em um 2016 mais propício para os negócios. “Esperamos que a ‘financiabilidade’ seja garantida, o que pode colaborar para uma retomada do crescimento mais rápida e segura”, analisa Terepins.

O setor de alimentação foi diretamente afetado pela alta da inflação e pela crise hídrica, que se intensificou em 2014 e prejudicou as safras de alguns insumos importantes, como milho e soja. O CEO da rede de fast food Giraffas, Alexandre Guerra, sentiu esses problemas na pele durante o ano passado. “Acredito que a alta da inflação permaneça como está e isso atinge a nossa linha de custos. Não temos crise de abastecimento, mas precisamos intensificar a pesquisa e fidelizar fornecedores”, reflete.

Guerra ressalta que, no seu caso, os fornecedores também estão pressionados pela alta nos preços. “As parcerias de longo prazo são o melhor caminho para o momento”, reforça.

Por outro lado, o Grupo Malwee, que tem foco em confecção, aposta na retomada do crescimento da indústria e na manutenção dos índices de consumo. “Muitas vezes, não são as más notícias que determinam um desempenho desfavorável, mas o ambiente de incerteza. Por isso, continuamos planejando crescimento de nossas vendas”, explica o presidente do grupo, Guilherme Weege.

Alexandre Guerra

Quem é: CEO da rede de fast food Giraffas

Dica: O foco de 2015 é a inovação. Há uma preocupação com o cenário econômico, que não é muito pujante, mas a oferta de produtos inovadores pode atrair mais clientes. Acreditamos em um índice de consumo mais acelerado, mas nem tanto.

 

Guilherme Weege

Quem é: Presidente do Grupo Malwee

Dica: “Os investimentos em 2015 serão voltados para o aumento da produtividade e da competitividade da operação. Independentemente da situação da macroeconomia, o novo ano já começa com uma maior expansão nacional das nossas franquias.”

 

Carlos Terepins

Quem é: Presidente da construtora Even

Dica: “Os reajustes fiscais do início do ano devem inibir investidores. Por outro lado, não há um calendário fragmentado em 2015, o que possibilita condições melhores de planejamento. Acredito que este seja um momento de estruturação, de pavimentar o caminho para 2016.” 

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