Cesar Vaz comanda quatro unidades e cada uma delas fatura até R$ 200 mil por mês
Cesar Vaz comanda quatro unidades e cada uma delas fatura até R$ 200 mil por mês

É serviço. Nosso segredo é inteligência e comunicação, diz tatuador

Profissional comanda quatro unidades da rede Gelly's Tattoo em bairros de classe média alta

Vivian Codogno, O Estado de S. Paulo,

06 de outubro de 2015 | 06h51

A agenda do tatuador Cesar Vaz começa todos os dias às dez da manhã e vai até as nove da noite. Mesmo receber a reportagem para uma conversa pode ser um problema para o tatuador, que está à frente da paulistana Gelly’s Tattoo desde 2005. Para conseguir uma sessão com o artista, que pode levar de uma a sete horas, é preciso esperar alguns meses. E ele não é o único. No Brasil, o movimento de profissionalização da tatuagem começou a ganhar força na última década, quando os desenhos na pele receberam outro tipo de atributo – a ousadia e rebeldia inerente ao ato deram lugar ao estilo.

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Por isso, apenas na cidade de São Paulo, são 219 estúdios em funcionamento certificados pela Coordenação de Vigilância em Saúde de São Paulo. Para Vaz, que comanda uma rede formada por quatro estúdios e que emprega 28 profissionais, essa profissionalização surge com a mudança de público. O que antes estava restrito ao ‘underground’, agora entra na perspectiva de um público abrangente.

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“A tatuagem chegou no uso comum. Há cinco anos, ela virou artifício de embelezamento”, define o empresário. Vaz é formado em arquitetura e passou pelo mercado ‘tradicional’ antes de se arriscar nos traços permanentes. Para ele, seu diferencial foi tratar o trabalho como negócio e atender o público que se sentia intimidado com os estúdios convencionais. “Antes de mim, o tatuador era o cara que não tinha nem terminado a quinta série. Os estúdios eram antessalas do demônio, com paredes pretas e tatuadores que maltratavam clientes. O tatuador não sabia nem falar com o cliente, receber uma pessoa para uma coisa séria”, relembra.

Atualmente, o empresário fatura entre R$ 170 mil e R$ 200 mil por mês em cada uma das quatro unidades do estúdio Gelly’s Tattoo. Os clientes são, essencialmente, pessoas de classe média alta e os estúdios estão estrategicamente localizados para atender a esse público nos bairros da Vila Madalena e Vila Olímpia.

“Montar um estúdio de tatuagem hoje é muito simples. Achar profissionais é muito fácil”, explica o tatuador paulistano. “Mas não adianta ter uma bancada de mármore branca e limpa e deixar tudo bagunçado. É serviço. Nosso segredo é inteligência e comunicação”, analisa o empresário ao revelar um pouco da sua estratégia.

Um sobrado construído em 1941, com piscina no quintal e a presença de Tita, uma cachorra da raça boxer como mascote, é o cenário para o estúdio Think Art Tattoo, localizado em Porto Alegre. A casa, que abriga o trabalho dos tatuadores Camilo Nunes, Ivy Saruzi e Jean Oliveira foi inaugurada em abril deste ano e os empreendedores já têm suas agendas lotadas.

Além do perfil de trabalho – o trio atende apenas com hora marcada, faz desenhos exclusivos para cada cliente e as sessões de uma hora custam a partir de R$ 250 –, aproximar o estúdio de uma galeria de arte foi a forma que os empresários encontraram para assumir uma identidade diferenciada perante a concorrência. Para Ivy, há uma mudança no público, que agora é composto também por pessoas que procuram cada vez mais trabalhos exclusivos.

Eric Carvalho, coordenador do curso de publicidade e propaganda do Centro Universitário Belas Artes, o reposicionamento de tatuadores é um caminho sem volta. O especialista relaciona o mercado da tatuagem a negócios como o de cerveja artesanal ou de motocicletas, que foram marginalizados no passado e hoje são alvo de um público de classe média alta.

"Onde se cobra mais caro, a percepção de qualidade é maior. Quem vai a um restaurante de ponta, a uma loja de sapatos de ponta, é sempre muito bem atendido e quer esse mesmo atendimento em um estúdio e tatuagem. Tudo bem que se cobre mais caro, desde que dê a devolutiva da pecepção de exclusividade", explica Carvalho.

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