Sergio Castro/Estadão
Sergio Castro/Estadão

"É preciso investir e se preocupar mais em ganhar eficiência"

Carlos e Alexandre Guerra, pai e filho, contaram os desafios do novo modelo de gestão e a estratégia da expansão internacional do Giraffas nos Estados Unidos

Gisele Tamamar, Estadão PME,

27 de fevereiro de 2014 | 16h12

O cenário pode não ser animador. Um mercado concorrido, com diminuição do ritmo de crescimento, aumento de custos com funcionários, insumos e preços de locação. Mas a rede de restaurantes Giraffas tem uma resposta para resolver essa equação. E ela parece ser bem simples: eficiência.

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A própria saída dos sócios-diretores, incluindo um dos fundadores, Carlos Guerra, do dia a dia da companhia e a profissionalização da gestão com a entrada de Alexandre Guerra, filho de Carlos, faz parte dessa estratégia. “Momentos de dificuldades vão existir sempre. É preciso investir e se preocupar mais em ganhar eficiência. Essa é a resposta que temos dado nos últimos anos”, disse Alexandre.

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“Senti que estava no caminho certo quando identifiquei onde estava nossa melhor eficiência e conseguimos focar para o crescimento. O problema é que o modelo de ontem não é o mesmo de hoje e nem o do amanhã. Esse é um descobrimento contínuo. Se você não fizer isso, a empresa perde competitividade”, complementou Carlos.

O empresário conta que comprou a então lanchonete Giraffas, em Brasília, junto com o amigo Ivan Aragão, em 1981. Na época, Carlos era estudante de engenharia e precisou trabalhar quando descobriu que ia ser pai de Alexandre. Os amigos assumiram o negócio com 15 funcionários. Um mês depois, tinham apenas três. Até que um dia eles mesmos precisaram cuidar de toda a operação. “Fiz de tudo. Cortei carne, trabalhei na chapa”, lembrou o empresário.

Já o filho Alexandre participa do Giraffas desde os 17 anos. “Quando eu vi ele já estava trabalhando lá. Ele tem preparo de ordem acadêmica forte e viveu o crescimento da empresa. Ele chegou quando tínhamos 20 lojas.

Hoje temos 400. Em um momento vimos que o modelo de sócios tinha se esgotado e achamos que estava na hora de trazer um modelo mais profissional no sentido de governança e seria natural que ele tivesse uma oportunidade”, contou Carlos Guerra. O novo modelo de gestão foi um dos assuntos abordados por pai e filho durante o Encontro PME. Confira os principais trechos.

 

Diferenciais

Carlos considera que os primeiros 15 anos do Giraffas foram de aprendizado, mas três importantes ações nos anos 1990 ajudaram o negócio a crescer. A primeira foi investir na linha de grelhados e pratos como estratégia competitiva para fugir da briga dos hambúrgueres. A segunda foi a opção pelo sistema de franquias.

E a terceira, a decisão de terceirizar a produção de produtos, como pão e hambúrguer, e focar na gestão de franquias e da marca. Hoje a rede tem uma empresa que administra as 68 unidades próprias que compõem uma rede com mais de 410 restaurantes. “Nossa relação com o franqueado vai além do contrato. O presidente da associação dos franqueados, por exemplo, é responsável pelo fundo de marketing”, afirmou Carlos.no encontro.

Exterior

A expansão internacional da rede está focada nos Estados Unidos. Foram cinco anos de estudo até inaugurar a primeira unidade em Miami, em 2011. Mas a estratégia foi fugir da competição do fast food e focar no ‘fast casual’ – modelo de restaurante que une a agilidade do fast food com um ambiente mais agradável para o consumidor e também com serviço em mesa.

“Vendemos comida que o americano conhece (steak e hambúrguer) com estilo brasileiro”, contou Carlos. A estrela do cardápio é a picanha – está presente em quase metade dos produtos vendidos. “O americano já entende a picanha como um produto diferenciado, que tem valor e que é característico do mercado brasileiro. Até a presença das churrascarias nos Estados Unidos ajudou muito. Criamos um conceito de US$ 15 em vez de US$ 50, como se fosse uma churrascaria fast casual”, explicou Carlos.

A rede tem oito restaurantes em solo norte-americano e pretende encerrar o ano com 15 unidades. A expectativa é fortalecer a marca para atrair os investidores norte-americanos. “Nosso esforço hoje é transformar esse negócio em algo vendável do ponto de vista do investidor americano. Queremos aprender com ele”, afirmou Carlos, que está envolvido diretamente nas operações norte-americanas.

Dicas

As recomendações de Carlos e Alexandre para os empreendedores incluem buscar oportunidades e também inovar. “É preciso ter cuidado com o varejo. Existe uma concorrência muito forte e o empreendedor deve buscar oportunidades que não estão sendo vistas pelo mercado. Mas não adianta só buscar oportunidade se você não tem afinidade com o assunto”, recomendou Carlos.

Alexandre, filho de Carlos, destaca ainda que o empreendedor precisa pensar em uma proposta de valor para o negócio. “Acabamos de ir para o mercado americano, que é um varejo bem concorrido, assim como outros mercados. O desafio é entregar uma proposta de valor diferenciada”, destacou Alexandre Guerra. 

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