‘É natural que PMEs desafiem o gigante’

Conforme aponta diretor-geral da Endeavor, principal entrave para progresso das scale-ups no Brasil é o ambiente regulatório desfavorável

Entrevista com

Juliano Seabra, diretor-geral da Endeavor

Vivian Codogno, O Estado de S. Paulo

28 de junho de 2017 | 06h00

O que faz do Brasil desfavorável a scale-ups?

Esse é um universo naturalmente restrito e ponto. A questão é por que aqui é ainda mais. O Brasil tem 210 milhões de habitantes, 40% a menos do que a população norte-americana e o dobro da alemã. Temos o dobro de empresas da Alemanha e 30% menos do que os Estados Unidos. Quando afunilamos para empresas com mais de dez funcionários, o Brasil tem quase 500 mil nesta situação, entre um total de 5 milhões. Nos Estados Unidos, são 1,2 milhão entre 6 milhões e, por fim, a Alemanha tem 450 mil. Existe algum problema nessa conta. Por que as empresas brasileiras não conseguem ser maiores? No fim, essa é uma discussão sobre crescimento e escalonamento.

E qual é nosso maior gargalo?

Conseguir construir transições de forma menos traumática para o empreendedor. Se em 2017 uma empresa vai dobrar de tamanho e faturar R$ 8 milhões, ela fica com a mesma estrutura tributária que uma empresa enorme. Quando ele chega ao melhor momento, o Estado cria uma série de regras. Não faltam oportunidades no Brasil, falta um ambiente de negócios propício a crescer sem amarras.

Surpreende que 92% das scale-ups brasileiras serem PMEs?

Não. É natural que as PMEs sejam quem vai desafiar o gigante. Isso mostra mais uma vez o quanto estamos mirando errado ao não olhar para a lacuna do crescimento. Se 92% das empresas que crescem aceleradamente no Brasil são pequenas e médias, como faz para a pequena virar média e a média virar grande? É de se comemorar que o Brasil tenha muitos empreendedores, mas não basta olhar para isso como um fim.

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