Evelson de Freitas/Estadão
Evelson de Freitas/Estadão

Dublê sofre em mercado disputado

Negócios especializados lutam por contratos em setor onde a oferta é maior que a demanda pelos serviços oferecidos

Renato Jakitas, Estadão PME,

26 de fevereiro de 2014 | 11h38

Os dublês brasileiros dão um duro danado para garantir a cena sangrenta que você vai assistir no cinema, aquele capítulo de ação da novela ou simplesmente a imagem de perigo que prende a audiência nos comercial da televisão.

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Com experiência em lutas marciais, cursos de pilotagem e bons de efeitos especiais, esses empreendedores brasileiros investem atualmente no lado comercial do negócio. O objetivo é garantir a sobrevivência em um mercado onde a concorrência ficou bem maior que a demanda pelos serviços oferecidos por eles.

Uma realidade difícil principalmente em São Paulo, que tem sofrido com a ausência das cenas mais perigosas nas novelas do SBT, rede que funciona como motor de popa das agências locais especializadas. “Eu trabalhei muito na época da (novela) Éramos Seis, do SBT. Nossa, a equipe tinha trabalho todos os dias”, lembra com saudosismo Carlos Roberto Figueiredo, o Carlos Sabugo, sobre a novela exibida em 1994.

Dono da agência Águias de Fogo, ele conta que hoje a procura é maior por filmes, principalmente os publicitários. Um segmento que não demanda tanto volume de trabalho. “Já ganhei muito dinheiro com a agência e a academia, que foi a primeira academia de formação de dublês do Brasil e agora está fechada. Em 2008 eu tirava uns R$ 30 mil por mês. Mas a realidade agora é outra”, conta Sabugo, que dentre suas proezas destaca a capacidade de ser atropelado por qualquer tipo de carro a 80 km/h. “O segredo está na parte de baixo. Tem de liberar as pernas e deixar rolar”, explica.

Ex-aluno da Águias de Fogo, Anderson de Souza comanda há 15 anos a Dublês Brasil – Stuntmen Team. Especialista em cenas com automóveis, seu casting conta com 25 profissionais cadastrados. Ele também sofre para se manter ativo na área.

“Não é fácil. Eu estou aqui com uns cinco orçamentos. É um trabalho demorado preparar os custos e mandar para o cliente. E, de cinco, fechamos um”, diz Souza, que se prepara para fazer o filme Super Pai, uma comédia com Danton Mello e Dani Calabresa que começa a ser gravado a partir deste mês. “Tem umas cenas de ação, umas brigas, vidros quebrados. É um trabalho de R$ 30 mil e 15 dias”, conta o dublê, que tem um escritório nos fundos de uma gráfica expressa e copiadora no bairro do Ipiranga. “Montei porque acho que não dá para viver só com a agência.”

Souza concorda que sua realidade poderia ser diferente no Rio de Janeiro, muito em virtude das novelas da TV Globo, que mobilizam o mercado local. Por lá, aliás, quatro agências de dublês disputam as encomendas. “Tem muita concorrência, mas o mercado é bom. Aqui tem trabalho”, conta Airton Senna da Silva, dono da Senna em Cena. “Hoje a minha firma tem 50 profissionais que chamamos para as gravações. Tem trabalho todo dia.” 

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