Nilton Fukuda/AE
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Dono do Wizard recomenda: "Comece sempre com o objetivo definido"

Carlos Martins, dono da rede de ensino Wizard, acredita que planejar é fundamental para o sucesso do negócio

Carolina Dall'Olio, Estadão PME,

27 de setembro de 2011 | 18h36

Quando criou, em 1987, a escola de inglês Wizard, o curitibano Carlos Martins já tinha um objetivo definido: formar, em dez anos, uma rede de franquias que tivesse ao menos uma unidade em cada estado brasileiro. Hoje, depois de transformar sua empresa em uma gigante do ramo educacional, ele se permite traçar metas mais ambiciosas – como o projeto de abrir o capital da companhia e o sonho de fazer do Brasil um país bilíngue.

“Begin with the end in mind, ou seja, comece com um objetivo bem definido em sua mente.” A frase, cunhada pelo consultor norte-americano Stephen Covey no livroOs 7 Hábitos das Pessoas Altamente Eficazes, não à toa foi o conselho mais repetido por Martins durante o encontro promovido pelo Estadão PME entre o fundador da Wizard e empresários de pequeno porte.

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Afinal, ao adotar a tática de projetar o futuro e batalhar para chegar lá, o empreendedor conseguiu criar um império. A Wizard ocupa atualmente o posto de maior rede de ensino de idiomas do Brasil. E o grupo Multi, também comandado por Martins, reúne as redes Skill, Alps, People, SOS, Microlins, Bit Company, Yázigi, Quatrum e Smartz. Ao todo, são cerca 3,5 mil escolas localizadas em dez países.

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Com didatismo típico de um professor e objetividade comum a quem aprendeu muito com os norte-americanos, Martins respondeu diversas perguntas sobre empreendedorismo. Confira os principais pontos.

Planejamento

Para quem pretende abrir uma empresa ou criar um novo projeto, Martins sugere estimar qual o retorno financeiro que o empreendimento pode trazer em cinco ou dez anos. “Se você ficar satisfeito com esse possível resultado, pode tocar em frente porque você está no caminho certo. Caso contrário, o melhor a fazer é repensar o projeto antes mesmo de começar a trabalhar.”

Mão de obra

Os participantes do encontro foram unânimes ao reclamar da escassez de profissionais qualificados no mercado. Martins deu então sua receita para driblar o problema: contratar trabalhadores jovens, investir na formação deles e oferecer um plano de carreira que motive o funcionário.

“Depois de um tempo, a pessoa está formada de acordo com a cultura da sua empresa e se torna fiel ao seu negócio. Passa a desejar o bem para você, para sua família, para sua empresa e para seus clientes”, garante.

Retenção de talentos

Mas e se mesmo depois de tanto investimento, o funcionário aceitar a proposta de um concorrente e decidir sair da empresa? Isso pode acontecer, admite Martins. Mas para evitar situações como essa, a Wizard criou uma estratégia. “Depois que o funcionário já havia atingido os postos mais altos que poderíamos oferecer, se ele tivesse uma veia empreendedora, seria convidado a se tornar sócio de uma franquia”, conta Martins. A medida deu resultado. Além de evitar que empregados migrassem para a concorrência, a Wizard conseguiu formar bons quadros para tocar as novas unidades.

Gestão profissional

“Após obter certo grau de sucesso, o empresário precisa ter a capacidade de se afastar um pouco da rotina do negócio, deixar outras pessoas com as tarefas cotidianas e começar a cuidar da estratégia de crescimento”, ensina Martins. Também se torna fundamental, na opinião do empresário, escutar sugestões. A estratégia de expansão adotada por Martins, que culminou na criação do grupo Multi, foi idealizada por seus filhos. Eles apresentaram argumentos técnicos e convenceram o pai a fazer a Wizard crescer por meio da aquisição de concorrentes.

Divulgação e promoção

“A melhor forma de divulgar sua marca é atender muito bem os clientes atuais”, sentencia Martins. A propaganda que os consumidores farão do negócio, afirma o empresário, garantirá novas vendas. Mas isso não significa que a empresa deve descartar outras ações de marketing. Longe disso. Entre as muitas iniciativas tomadas pelo grupo Multi para divulgar suas marcas, Martins cita as promoções em sites de compras coletivas como exemplo.

“Embora muitas vezes o preço pago pelo consumidor nessas promoções mal cubra os custos com a prestação do serviço, essa é uma forma de trazer mais clientes para a empresa e ganhar a chance de fidelizá-los”, afirma o empreendedor. “E aquele cliente, se ficar satisfeito, vai te indicar para um amigo.”

Erro

Mas a construção de um negócio de sucesso não é feita apenas de tacadas certeiras. O empresário contou durante o encontro, por exemplo, que errou feio ao abrir uma escola de inglês para estrangeiros em Miami, nos Estados Unidos. “Quando você percebe que está no caminho errado tem de ter humildade e voltar atrás o quanto antes.”

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