Helvio Romero/Estadão
Helvio Romero/Estadão

Dono do Easy Taxi teve até de jogar futebol com os taxistas para o seu negócio prosperar

É preciso ter atitude para entrar no mercado de startups, concordam empresários que hoje chegaram ao sucesso

Rodrigo Rezende, Estadão PME,

28 de abril de 2014 | 06h31

Danilo Toledo, da Taqtile, e Tallis Gomes, do aplicativo Easy Taxi, têm algumas coisas em comum. Ambos reúnem a experiência de terem começado negócios que hoje são bem sucedidos no segmento de aplicativos, um nicho com grande procura por parte de jovens empreendedores. Outro ponto semelhante: os dois olham para o futuro do segmento de startups com otimismo.

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“Estamos caminhando para um amadurecimento do ecossistema. Há mais pessoas querendo investir na área, mais eventos acontecendo e mais empresas surgindo”, afirma Tallis, fundador do Easy Taxi, sistema de agendamento de táxis com cinco milhões de usuários cadastrados. “As startups são a principal força motora de uma economia saudável, haja visto o que ocorre nos Estados Unidos e em Israel”, completa.

Para Danilo Toledo, o futuro é agora. Ele é sócio de uma das produtoras brasileiras de aplicativos que faz sucesso fora do País – o negócio desenvolveu o programa que transmitiu o casamento de Kate Middleton com o príncipe William, da família real britânica, para celulares da operadora AT&T. “O futuro para mim é hoje, é o presente. O empresário que começa no mercado precisa olhar para o que tem de ferramentas, de soluções e sair para a rua e vender o seu produto”, diz.

Toledo ressalta ainda que o momento é bom para atuar no ramo das startups. “Nunca tivemos tanto acesso à educação empreendedora.”

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Desafios. O começo de qualquer empresa sempre apresenta dificuldades. Danilo Toledo conta, por exemplo, que era difícil vender aplicativo para celular em 2008. “Fizemos um trabalho de formiguinha mesmo, tínhamos de educar o mercado, mostrar o potencial do nosso produto”, conta. Ele e seus sócios não tinham dinheiro e, no início, a Taqtile funcionava à sombra de outras empresas maiores de tecnologia, com trabalhos terceirizados.

“Só tem um jeito de resolver isso, foi o que fizemos, que é ir para a rua, bater de porta em porta, mostrar o seu sonho e no que você acredita”, acrescenta.

Toledo afirma ainda que a empresa teve sorte de contar com uma boa equipe e que isso foi essencial para o crescimento do negócio. “Não é qualquer um que tem 40 engenheiros das melhores universidades do País em seu time”, diz.

Tallis Gomes, por sua vez, afirmou durante o encontro que tem problemas até hoje. “Atuamos em 30 países, só não tenho dificuldades na Coreia do Sul, onde 90% da população tem celular com acesso à internet”, diz. O começo da Easy Taxi também não foi nada fácil.

“Tivemos um problema com a saída de um sócio, o que quase nos levou a fechar pois o dinheiro tinha acabado. Foi o pior Natal da minha vida. Mas conheci um taxista que me apresentou a outro e comecei a jogar bola com eles. Consegui 20 que acreditaram no meu produto, mas aí eu tinha de convencer as pessoas a usarem o aplicativo, se não os caras iriam quebrar minhas pernas no futebol”, brincou. A solução foi ir para a rua. “Fui para a frente de hotéis no Rio e coloquei uma camiseta com os dizeres em inglês ‘Peça um táxi comigo’ ; os estrangeiros começaram a usar antes dos brasileiros.”

Trajetória. Danilo Toledo e Tallis Gomes têm mais um denominador comum. Desde o início de suas atividades, eles se mostraram empreendedores natos. Tallis tinha uma banda de rock e aprendeu a procurar produtos dos quais precisava, mas não encontrava em sua cidade, no Mercado Livre. Foi então que começou a comprar e vender celulares para professores e colegas da faculdade.

A ideia de criar um aplicativo de táxis surgiu depois e meio sem querer. Em um evento de empreendedorismo em que ele tinha de criar um produto com um grupo, Tallis teve dificuldade de pegar um táxi para voltar ao hotel. Como eles não tinha ainda uma ideia para ser apresentada no dia seguinte, Tallis achou um problema real pelo qual passou e propôs a solução.

Danilo, por outro lado, começou trabalhando com o pai no ramo de gestão de saúde. Já incubado no Cietec, foi ganhando espaço e percebeu que as grandes empresas de tecnologia tinham soluções arcaicas e, ao conhecer seus futuros sócios, eles decidiram que, definitivamente, poderiam apresentar soluções mais inovadoras. “Enxergamos que o celular no bolso das pessoas é um canal de comunicação para as empresas falarem com elas”, conclui. 

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