Ricardo Rafael/O Popular
Ricardo Rafael/O Popular

Dólar fecha no maior nível desde março, perto de R$1,64

Moeda subiu mais de 1% pelo segundo dia consecutivo

Estadão.com.br,

02 de setembro de 2011 | 18h25

O dólar subiu mais de 1% pelo segundo dia consecutivo nesta sexta-feira, 2, fechando no maior nível desde o final de março em um dia de pessimismo nos mercados internacionais com o emprego nos Estados Unidos. A alta também foi estimulada, assim como na quinta-feira, pela redução surpresa na taxa de juros pelo Banco Central.

A moeda norte-americana fechou em alta de 1,22 por cento, a 1,6365 real para venda, maior valor desde 29 de março. Em apenas dois dias, o dólar avançou 2,8 por cento, encerrando a semana com valorização acumulada de 2 por cento.

Investimentos de risco em geral, como ações e commodities, caíram com força após a decepção com o relatório de emprego nos Estados Unidos, que mostrou um mercado de trabalho sem abertura líquida de vagas em agosto. O índice Reuters-Jefferies de commodities caía 0,35 por cento, e o Ibovespa perdeu mais de 2 por cento. Mas o Real foi mais impactado do que outras moedas de países emergentes ou exportadores de commodities, ainda por causa do impacto da redução dos juros. O peso mexicano, por exemplo, perdia 0,8 por cento às 17h.

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O Comitê de Política Monetária (Copom) diminuiu a taxa Selic na noite de quarta-feira em 0,5 ponto, para 12 por cento ao ano, citando a piora nas condições do mercado internacional como principal motivo para reverter a trajetória dos juros. O consenso entre economistas era de que o BC manteria a taxa básica de juros.

"Nem o mais otimista esperava um corte de meio ponto percentual. Mas não sei exatamente se esse é um movimento duradouro (no câmbio), pode ser apenas um movimento de correção até ficar mais clara qual vai ser a linha do Banco Central", disse o consultor financeiro da Previbank, Jorge Lima.

De acordo com o gerente de derivativos de uma corretora em São Paulo, que preferiu não ser identificado, houve também ajustes de posições antes do feriado de segunda-feira nos Estados Unidos, que deve reduzir o volume de negócios. A queda dos juros e a perspectiva de novas quedas da Selic aumentam a pressão pela alta do dólar no Brasil. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse a jornalistas que, se as taxas de juros caírem, o Brasil terá uma situação mais favorável na "guerra cambial".

Mas o tesoureiro de um grande banco de investimento estrangeiro, em comentário a clientes, disse que a tendência de longo prazo ainda é de valorização do real. "Se essa estratégia (de maior rigor fiscal e juros menores) se sustentar, haverá muito mais fluxo de capitais para o Brasil, muito mais do que o fluxo de arbitragem, e o real subiria mesmo assim."

A taxa Ptax, calculada pelo Banco Central e usada como referência para os ajustes de contratos futuros e outros derivativos de câmbio, fechou a 1,6343 real para venda, em alta de 1,89 por cento.

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