Rafael Arbex/Estadão
Rafael Arbex/Estadão

Documentário retrata cases de economia criativa pelo País

Brasil Criativo.Doc traz 12 empreendedores de negócios criativos de áreas como arquitetura, audiovisual e moda; segundo idealizador, queda de consumo das famílias afetou setor

Anna Barbosa, O Estado de S.Paulo

10 de setembro de 2020 | 14h39

Com o objetivo de inspirar e educar negócios sobre a economia criativa no País, o documentário Brasil Criativo.Doc estreou nesta semana retratando abordagens e iniciativas inovadoras de empreendedores de diferentes regiões do Brasil. Por meio de 12 episódios, o projeto mostra a trajetória de 12 negócios vencedores da terceira edição do Prêmio Brasil Criativo.

“O que a gente precisa é dar voz ao que o Brasil tem de melhor. A economia criativa brasileira precisa ser apresentada para o mundo com a qualidade e com a potência que ela realmente tem”, diz Lucas Foster, idealizador do documentário e do Prêmio Brasil Criativo.

O especialista em criatividade e economia criativa conta que, nesses anos de prêmio, ele e sua equipe identificaram histórias maravilhosas que não eram traduzidas depois da cerimônia de premiação da maneira como eles a enxergavam. “Sentimos que fazia diferença levar isso para o mundo. O documentário tem tanto a finalidade de inspirar quanto de educar. Queríamos que as pessoas entendessem de forma simples e por meio do entretenimento o que é a economia criativa.”

O que é a economia criativa

O setor reúne profissionais e negócios que se utilizam da criatividade como matéria-prima principal para ressignificar ou gerar valor para um determinado setor. Por exemplo, a arquitetura e o design são os segmentos criativos da indústria da construção civil. Músicos se utilizam da criatividade para criar músicas e espetáculos que geram valor para a indústria do entretenimento. A criatividade é o que gera valor intangível a esses negócios, que não podem ser replicados por qualquer pessoa.

Segundo o Mapeamento da Indústria Criativa no Brasil 2019, da Firjan, o setor representa 2,61% do PIB do País, com R$ 171,5 bilhões. Além disso, inclui 245 mil estabelecimentos e 837,2 mil profissionais. (Saiba mais em reportagem especial do Estadão PME).

Para traduzir as histórias de empreendedores da economia criativa no documentário, integrantes do Prêmio Brasil Criativo visitaram todas as cidades em que os negócios foram criados, para fosse possível entender a realidade de cada um deles, que atuam nas mais variadas áreas (arquitetura, design, moda, publicidade, games, tecnologia, pesquisa e desenvolvimento, música, expressões culturais, patrimônio, editorial e artes cênicas).

Durante de três meses, o Prêmio Brasil Criativo recebeu 585 inscrições, com 275 projetos habilitados para a fase classificatória e com 36 projetos finalistas em 12 categorias da premiação. Os vencedores de cada categoria representam um episódio do documentário. São eles: 

  1. Arquitetura/Cidades para pessoas: Cidades.CO, plataforma de engajamento para que as pessoas possam exercer seu protagonismo social tornando espaços mais humanos e acessíveis. 
  2. Artes Cênicas/Festivais que Transformam: Festival do Teatro Brasileiro, festival que percorre o Brasil para difundir a cultura do teatro há mais de 20 anos. 
  3. Audiovisual/Jogos Independentes: Game Jam +, uma copa do mundo de desenvolvimento de jogos independentes.
  4. Design/Wearables: Setor WLAB, laboratório pop-up que alinha codificação criativa com eletrônica têxtil. 
  5. Editorial/Creators que inspiram: ter.a.pia, canal do YouTube onde mais de 60 histórias de vida diversas foram contadas enquanto as pessoas lavam a louça.
  6. Expressões Culturais/Artesanato Digital: Elo7, plataforma marketplace para venda de produtos autorais de criadores de todo o Brasil. 
  7. Moda/Marcas que preservam: JuicyBazar, bazar de roupas que trabalha a economia circular na região da Baixada Santista, no estado de São Paulo. 
  8. Música/DJ do Ano: Cultura Hip Hop nas Escolas, comandado por Chiquinho Divilas, que usa o hip hop para democratizar a arte nas escolas públicas.
  9. Pesquisa e Desenvolvimento/Patente dos Sonhos: Giulia para Surdos, app que traduz placas, embalagens e sinais de locais públicos de lazer e turismo para libras. 
  10. Patrimônio e Artes/Quero museu vivo: Acervo da Laje, acervo de arte sobre o subúrbio ferroviário de Salvador, que também expõe e divulga artistas da periferia da capital baiana. 
  11. Publicidade/Freelancer de respeito: Tem que Ter, banco de imagens online voltado para a representatividade LGBTQIA+
  12. TIC/Apps que educam: Inventeca StoryMax, projeto que busca deixar a leitura mais atraente para crianças e adultos através de app books. 

Alguns episódios já estão disponíveis na conta do Prêmio Brasil Criativo no Youtube. Como o prêmio é bienal, esses 12 vencedores são da edição 2019.

Para Lucas Foster, o principal desafio hoje para alavancar a economia criativa é a redução nos investimentos por parte de empresas e a redução do consumo por parte das famílias, em tempos de pandemia do novo coronavírus.

"Muitos empreendedores trabalham B2B (business to business), atendendo empresas/grandes clientes. Durante a crise, essas empresas tiveram que voltar a energia para manter o quadro de colaboradores, tendo que conter vários projetos", explica.

Por outro lado, continua Lucas, "as famílias voltaram mais para o básico do consumo do que para novos produtos e experiências". "O maior desafio nesse período (no setor) não é tanto a crise sanitária, mas a crise econômica trazida por ela."

Contudo, ele pondera que quem conseguir sobreviver a esse período, terá muitas oportunidades quando tudo passar. "Novos projetos surgem com objetivo de se adaptar ao novo normal. Onde há espaço para reinvenção, existe espaço para economia criativa."

* Estagiária sob a supervisão da editora do Estadão PME, Ana Paula Boni

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