Do público LGBT a geeks, hamburguerias temáticas invadem São Paulo

Busca pela identidade é estratégia de negócio para diferenciar o produto

Vivian Codogno, O Estado de S. Paulo

08 de dezembro de 2016 | 08h00

A luta contra a homofobia é uma das bandeiras mais emblemáticas do bairro Castro, em São Francisco (EUA). Harvey Milk, morador da região na década de 1970, foi o primeiro homossexual assumido a ser eleito a um cargo público na Califórnia, como supervisor da cidade de São Francisco. E a inspiração de lutas do lugar trouxe para os empreendedores Luiz Felipe Granata e Fausto Almeida uma ideia de negócio.

Eles decidiram trazer referências do logradouro para a Castro Burguer, hamburgueria inaugurada na primeira semana de dezembro em São Paulo. O local chega com a proposta de pertencer a todas as tribos, sem qualquer tipo de discriminação. Parece ter funcionado, já que apenas no primeiro fim de semana de funcionamento, a casa recebeu cerca de 100 clientes em cada dia.

"A questão de receber bem o cliente parece que é obrigatória entre empreendedores e pessoas serem educadas. Mas existe, sim, um desconforto com alguns estabelecimentos, ainda mais com o publico LGBT", comenta Granata. Essa percepção veio de conversas com amigos e do próprio sócio Fausto Almeida, que é homossexual.

"Não vamos ser 'friendly', vamos ser de nascença. É para que as pessoas pertençam ao ambiente. Não é simples aceitação, é uma identidade que vem de dentro para fora", explica Granata que, junto com o sócio, investiu por volta de R$ 400 mil na Castro Burger e já pensa em, no futuro, expandir o negócio por meio de franquias.

A busca pela identidade não é apenas uma questão de ideologia para as hamburguerias paulistanas. Trata-se de uma estratégia de negócio para diferenciar o produto, que pode ser encontrado em todos os formatos possíveis pela cidade. 

O movimento recente tem feito pipocar pela cidade lanchonetes voltadas para todos os públicos, desde aficionados por cinema, passando pela tribo dos metaleiros até lugares que preparam sanduíches para os legítimos nerds, como a Taverna Medieval.

Inaugurada pelos sócios Ellen Lepiani e Nelson Ferreira em outubro, a Taverna reúne todas as referências que possam atrair o público geek, o que inclui um cardápio com inspirações medievais, réplicas de espadas da série Game Of Thrones e uma mesa em formato de barco viking. 

Conforme apontam os empreendedores, segmentar o atendimento implica investir em uma fatia específica da clientela e, por outro lado, abrir mão de outra faixa que não se comunica com a identidade do negócio. "Nosso foco é no entretenimento. Por isso, percebemos que uma pessoa mais séria, que sai com a familia para ter um atendimento clássico, não fica tão à vontade", explica Ferreira. "Mas também tem muita gente que se solta e se diverte", pondera. Juntos, Nelson e Ellen investiram R$ 500 mil na Taverna Medieval. 

Mesmo com o pouco tempo de existência, a hamburgueria da dupla já acumula aos fins de semana filas de espera que podem chegar a duas horas para entrar na Taverna. "Já recebemos pedidos para abrir unidades em outros bairros e até mesmo em outras cidades. Mas ainda precisamos estar com as rédeas do negócio nas mãos, querendo ou não temos apenas dois meses de casa", pontua Ellen. 

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