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Dinheiro não pode ser a motivação para quem pensa em começar uma startup no País

É um erro comum o empreendedor achar que ficará rico de forma rápida e fácil; é preciso ‘ralar’ a sola do sapato

Rodrigo Rezende, Estadão PME,

28 de abril de 2014 | 06h32

Um dos erros mais comuns para quem atua no segmento de startups é achar que trata-se do caminho mais fácil para se ganhar muito dinheiro. Não é. Pelo menos essa é a opinião de quem já está na área há um bom tempo. Segundo empreendedores e profissionais ligados ao mercado, o empresário desse ramo trabalha muito. Muito mesmo.

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“Parece que passaram um verniz para mostrar que startup é um negócio para ficar rico. Isso não é verdade. Tem de ralar sola de sapato”, alerta Marcelo Pimenta, professor da ESPM e curador da Campus Party. Para o especialista, também um dos curadores da Campus Party, o mais importante, antes de tudo, é a pessoa identificar alguma coisa em que tenha sentido empreender, mesmo que a ação dê errado.

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Gustavo Caetano, sócio da Samba Tech e presidente da Associação Brasileira de Startups, a ABStartups, explica que além de significado e sentido para o dono, a empresa precisa ter um propósito maior, tem que achar um problema antes e depois propor alguma forma de resolvê-lo. Mas não é só isso, o problema precisa ser grande. “O produto ou o serviço que a startup vende tem que ajudar a melhorar a vida das pessoas de alguma forma, isso é ter um propósito”, afirma.

E essa característica é fundamental para o momento de ‘vender’ o projeto a investidores; de oferecer, muitas vezes, uma parte da empresa em troca de capital para que o negócio possa crescer mais rapidamente – isso acontece, geralmente, quando a empresa já tem um protótipo funcionando, validado com pelo menos alguns clientes.

Momento. O cenário de investimentos em startups no Brasil está positivo. O que falta são empreendedores bem preparados para buscá-los da maneira adequada. Rodrigo Menezes, coordenador do Comitê de Empreendedorismo da Associação Brasileira de Private Equity e Venture Capital (ABVCAP), afirmou que há diversos grupos de investidores com mais de R$ 100 milhões à disposição, mas eles simplesmente não encontram startups interessantes para realizar aportes.

“Não tem um dia que não ouvimos dos investidores que faltam empresas para se investir”, afirma. Menezes. “O dinheiro está disponível, o empreendedor precisa buscá-lo no investidor que mais se adeque ao seu mercado”, completa.

O professor Marcelo Pimenta acrescenta que não se deve buscar apenas dinheiro, mas que o candidato precisa encontrar um investidor que atue como sócio, que ofereça auxílio no desenvolvimento da empresa, ‘mentoria’ e ajude também com sua rede de contatos.

Pimenta alerta, entretanto, que nem sempre o pequeno empresário necessita de capital externo. Segundo o professor, quanto mais tempo o empreendedor conseguir levar o seu negócio adiante com recursos próprios, melhor será para ele. “Você talvez precise de um investidor quando tiver que crescer mais rápido”, pontuou.

Inovação. Uma das maneiras de conseguir vender bem o projeto a investidores ou a entidades que auxiliam o desenvolvimento da empresa é mostrar uma inovação. Mas não precisa ser um produto ou serviço novo. Poder ser uma melhoria, até mesmo em um processo específico.“Nem sempre inovação tem que ser algo inédito, melhorar alguma coisa ruim também é uma forma de inovar’, afirma Gustavo Caetano.

Ele mesmo conta que o seu negócio nasceu assim, de uma “conversa boba” com uma pessoa que se tornaria cliente da Samba Tech. Caetano, durante esse papo, observou algumas fitas sobre a mesa de um diretor de uma emissora de televisão e descobriu que elas eram mídias de campanhas publicitárias enviadas por agências de propaganda. Caetano achou aquilo muito antigo e perguntou ao diretor se poderia melhorar esse processo de alguma maneira. Dessa simples conversa nasceu o negócio da empresa, que agora faz o material publicitário chegar nas emissoras clientes de forma digital. 

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