JF Diorio/AE
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Dieese capta inflação maior para mais pobres em SP

Segundo pesquisa, indicador específico para as famílias de menor poder aquisitivo registrou taxa de inflação de 0,58% no mês passado

Economia & Negócios,

06 de dezembro de 2011 | 15h44

A estagnação da economia brasileira no 3º trimestre deste ano já provoca uma rodada de revisão das projeções para o desempenho do PIB em 2011. A consultoria Tendências estima que o crescimento deverá ficar abaixo de 3% neste ano. Já a agência de classificação de risco Austin Ratings cortou a sua projeção para o PIB do País de 3,6% para 3%. A economista-chefe da Icap Brasil, Inês Filipa, diz que ainda precisa refazer os cálculos, mas certamente seu cenário ficará abaixo de 3,1% de crescimento no fim deste ano, possivelmente 3% ou até 2,9%.

Enquanto isso, a previsão do governo para o PIB neste ano ainda é de 3,8%, mas o ministro da Fazenda, Guido Mantega, já admitiu que o porcentual "não é alcançável" com as revisões feitas no primeiro e segundo trimestre deste ano pelo IBGE.

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"Devido ao desaquecimento do PIB, é possível esperar mais medidas fiscais por parte do governo para tentar estimular o nível de atividade, especialmente relacionadas ao avanço do crédito", comentou a economista da Tendências, Alessandra Ribeiro. "Nessa conjuntura doméstica, é bem provável que a Selic atinja um dígito no próximo ano, chegando a 9,5% em abril", disse. "Além disso, fica mais difícil ainda que o governo cumpra a meta cheia do superávit primário em 2012 , que deve chegar a 2,5% do PIB".

Segundo Alessandra Ribeiro, chamaram a atenção no terceiro trimestre ante o anterior os dados ruins do nível de atividade de setores muito importantes. O consumo caiu 0,1% e não registrava um resultado negativo desde o quarto trimestre de 2008, quando o Brasil estava em recessão e registrou queda aguda do PIB de 4,2% ante o terceiro trimestre daquele ano.

Para Alex Agostini, economista-chefe da Austin Ratings, o PIB do País "pode ainda ficar abaixo desse patamar, dependendo do resultado do quarto trimestre".

Ele explica que a queda do PIB da indústria de transformação na comparação com o trimestre anterior puxou para baixo o resultado do setor industrial - queda de 0,9% ante o segundo trimestre. Na comparação com o segundo trimestre, a indústria de transformação registrou queda de 1,4%. Ante igual trimestre de 2010, o segmento caiu 0,6%. Agostini lembra que o setor industrial responde por praticamente um terço do PIB. O economista revisou de 3,5% para 2,6% sua previsão para o PIB industrial em 2011.

No entanto, Agostini espera uma melhora no desempenho do PIB em 2012 e projeta crescimento de 4,2% da economia. "O ano que vem deve ser melhor por conta das medidas tomadas pelo governo de estímulo ao consumo e por causa das obras necessárias para preparar o País para a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016", explica.

Da mesma maneira, o economista-chefe do Banco Votorantim,  Leonardo Sapienza, acredita que o PIB de 2011 deve continuar fraco. Ao avaliar a estabilidade no terceiro trimestre ante o segundo trimestre, ele calcula que a economia brasileira deverá fechar o ano com expansão abaixo de 3%. "Deve ser um crescimento de 2,8%, com um avanço moderado entre 0,2% e 0,3% no quarto trimestre (de 2011)", estimou.

Segundo o economista, o dado nulo do PIB na margem evidencia a fragilidade da economia já apontada em indicadores antecedentes. Sob a ótica da oferta e demanda, ele ressalta que também houve uma acomodação pronunciada da economia. "Foi um número bastante fraco, que já tínhamos ideia por meio de dados antecedentes", afirmou em entrevista à Agência Estado.

Já a previsão do economista-chefe da LCA, Braulio Borges, é de que o País deva avançar 0,4% entre outubro e dezembro, o que deve gerar uma expansão de 2,8% neste ano. "Contudo, para que o Brasil possa crescer entre 3% e 3,5% em 2012, o PIB precisará sair de uma expansão de 0,4% no quarto trimestre de 2011, na margem, para uma alta de 1% entre janeiro e março do ano que vem", comentou Borges. "Caso o País avance menos de 1% no primeiro trimestre do próximo ano, aumentam os riscos de o crescimento ficar até menor em 2012 do que a alta de 2,8% que estimamos para este ano", disse.

Reportagem: Ricardo Leopoldo, Célia Froufe, Renata Veríssimo, Eduardo Cucolo e Wladimir D'Andrade, da Agência Estado

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