Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão

Dicas para administrar o negócio familiar e evitar conflitos...na empresa e no almoço de domingo

Consultores dão dicas, e empresários contam o que fizeram para profissionalizar a gestão da empresa e começar a ter bons resultados

Roberto Dumke, ESPECIAL PARA O ESTADO,

28 de janeiro de 2013 | 16h48

O negócio da família era administrado pelo pai com a ajuda dos filhos. Mas há oito anos, Rosangela Depintor e seu irmão resolveram pedir para assumir a Corape, uma oficina e distribuidora de autopeças, depois de começarem a perceber alguns problemas na empresa. Consentida a mudança, a ideia dos filhos era tentar adotar uma postura de gestão mais profissional. “Eu não sabia qual era o lucro. Sabia apenas que estávamos trabalhando muito”, conta Rosangela, que também não tinha noção clara do que possuía no estoque.

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Depois de frequentar no ano passado um curso de ajuda a empreendedores oferecido pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), a primeira atitude de Rosangela foi colocar as contas no papel e separar as gastos de casa e do negócio. Assim, conseguiu ter mais controle sobre as despesas e pôde começar a reduzir custos. “Ainda estamos no processo de mudança, mas o negócio já deu uma guinada.”

O próximo desafio da administradora da oficina foi partir para a organização do estoque. “Nós não sabíamos exatamente quais peças havia no depósito.” Para obter um quadro da situação, ela passou a usar um sistema de controle com código de barras. No entanto, ainda não conseguiu catalogar todos os itens. “Vou precisar contratar mais alguém para me ajudar nisso.”

A situação vivida pelos Depintor não é rara entre empresas familiares. De acordo com os especialistas, é comum que falte controle financeiro a essas companhias. Entre os erros mais comuns estão: pagar as contas de casa com o caixa da empresa, colocar familiares sem preparo para desempenhar funções importantes, não pagar salários para parentes próximos que trabalhem na companhia e não realizar planejamento.

O professor Marcos Hashimoto, do curso de administração da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), afirma que um passo importante é estabelecer salário fixo para os sócios que atuam na empresa. Segundo ele, deve haver diferenciação entre salário e a parcela de lucro que cabe a cada sócio.

“De acordo com o desempenho da companhia, os sócios receberão mais lucro ou menos lucro, e podem fazer o que quiserem com o dinheiro. Já o salário é para garantir um padrão mínimo de conforto.” Para ele, a medida impede que o mau desempenho da empresa afete a vida pessoal dos sócios.

Hashimoto diz que o salário fixo também evita dois extremos. Há casos em que o dono reinveste tudo que ganha na própria firma e, na outra ponta, existe aquele que prejudica a empresa ao tirar dinheiro demais do caixa. “O salário não pode ser nem muito abusivo, para não prejudicar a empresa, nem muito baixo, para que o empresário não passe por dificuldades.”

Para o consultor de administração Fabiano Nagamatsu, do Sebrae, os pequenos empresários têm procurado resolver os problemas relativos às finanças porque sabem que precisam se adaptar a um mercado cada vez mais competitivo. “E o primeiro passo é a mudança da mentalidade, da cultura da empresa.”

O empreendedor Edson de Queiroz foi um dos que resolveram fazer mudanças. Desde 1992, ele e sua mulher, Sueli, atuam no ramo de bufês para festas particulares e empresariais. No entanto, recentemente, sentiu falta de conhecimentos técnicos para organizar as contas. “Queria ter noção melhor dos meus custos e preços de venda.”

No caso dele, os resultados vieram com a implementação de um sistema informatizado de contas a pagar e a receber e com a organização da folha de pagamento. “Começamos a fazer cursos e estamos colocando a parte financeira em dia.”

Evolução. Marcos Simões, diretor da área de busca de serviços a empreendedores da Endeavor, diz que a profissionalização faz parte do desenvolvimento das empresas. “Há empresas de família que são referência em gestão e inovação e que empregam milhares de pessoas.”

Simões afirma que, nos casos de sucesso, os problemas foram contornados com regras claras, gestão transparente e planejamento. No caso de contratações ou promoções, por exemplo, se a companhia favorece um candidato da família enquanto havia pessoas mais qualificadas para ocupar o cargo, ela perde credibilidade. Mais: este tipo de atitude corroeria o empreendimento.

“Existe muita gente olhando para a empresa – profissionais, clientes e sócios futuros.” Para Simões, nada impede que a empresa seja ao mesmo tempo familiar e profissional. “Um não exclui o outro.”

:: Regras claras ::

Finanças

Não use dinheiro do caixa para despesas pessoais

Fixe um salário para cada familiar que atua na empresa

Diferencie salário de lucro: sócios que trabalham na empresa podem receber ambos

Recursos humanos

Verifique se os familiares ocupam cargos que condizem com suas competências

Separe a relação profissional da pessoal ou familiar

Promova e recrute observando o mérito, não a relação familiar

Evite chefiar parentes; coloque o familiar sob comando de uma outra pessoa

Gerência

Planeje o futuro da empresa

Tome decisões estratégicas

Veja se o plano da empresa é compatível com o da família

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