Desindustrialização seguirá em segundo plano até 2012

Para Abimaq, desindustrialização seguirá em segundo plano até 2012

Wladimir D'Andrade, Agência Estado,

27 de julho de 2011 | 20h13

Diretores da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), que veem um processo contínuo de desindustrialização no País, afirmam que o aumento da competitividade do setor produtivo nacional era prioridade do governo Dilma Rousseff até a inflação mostrar força novamente. Para o assessor econômico da entidade, Mario Bernardini, a presidente mostrava disposição em tomar medidas para aumentar a produtividade da indústria, contornar problemas provocados pelo câmbio e melhorar o posicionamento do País no mercado mundial. Mas agora, de acordo com Bernardini, a questão seguirá em segundo plano até o final do ano que vem.

"Ao empossar o Pimentel (Fernando Pimentel, ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio), a Dilma disse: 'O nome do jogo é competitividade'. Mas a inflação deu sinais de alta, o sistema financeiro pressionou afirmando que o Banco Central estava perdendo o controle e aí todo o resto deixou de ter prioridade", disse. De acordo com ele, o real valorizado ajuda a manter os preços à medida que as importações alimentam a competição no mercado brasileiro. "A valorização do real é bem vinda, isso mantém o preço dos importados baixos e, portanto, todo o setor industrial é mantido baixo por conta do câmbio."

Segundo Bernardini, o governo tem de dar condições de competitividade para a indústria brasileira. Uma das medidas chave, diz, é a redução de juros. "Já que o governo não poderá mudar esse ponto no próximo um ano e meio, por conta do combate à inflação, ele tem que fazer uma defesa comercial enérgica e competente", justifica. Essas ações incluiriam utilização do poder de compra do Estado e das estatais para privilegiar produtos nacionais e, em último caso, aumento das alíquotas de importação.

"A legislação brasileira permite a compra de produtos nacionais por preço 25% superior. Isso não cobre a defasagem cambial, portanto não pode ser chamado de 'favor'", explica. "Com essa medida já seria suficiente para a indústria aguentar até que os Estados Unidos subam seus juros ou o Brasil abaixe os seus." 

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