Paulo Liebert/AE
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Descubra como conquistar o público jovem

Pesquisa aponta que eles preferem gastar o seu dinheiro em viagens, principalmente com foco em qualificação e experiências; mídias sociais são o melhor canal para interagir com esse público

Ligia Aguilhar - Estadão PME,

18 de abril de 2012 | 05h45

No início do mês,o Habib's anunciou o lançamento de um novo sanduíche em parceria com a Disney Marvel inspirado no filme “Os Vingadores”.  Mesmo com a venda anual de 600 milhões de esfihas, a rede de culinária árabe ainda perde esse público para outras redes de fast food, o que a fez apostar todas as fichas no novo sanduíche. “O jovem quer comer bem, muito e gastar pouco, porque nessa fase ou ele recebe mesada ou tem um trabalho que ainda não é tão bem remunerado”, diz o fundador da rede, Alberto Saraiva. “Conquistar o jovem é fundamental em uma empresa que se mantém anos no mercado, porque depois que ele cresce, vai levar seus filhos e família para frequentar aquele estabelecimento também.”

Entender o que deseja esse público e desenvolver estratégias certeiras para atraí-lo e fidelizá-lo, no entanto, não é tarefa fácil. “O jovem é mutante, em poucos anos sai da pré-adolescência para a adolescência. É um desafio para ele também lidar com essas mudanças, renovar seu visual e descobrir produtos diferentes”, diz o consultor do Sebrae-SP, Gustavo Carrer. “Não vai ser fazendo a mesma coisa sempre que uma empresa vai manter esse público como consumidor, porque ele é muito volátil e exige um constante ciclo de inovação.”

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Uma pesquisa conduzida no ano passado pela agência B2, com jovens entre 20 e 30 anos das principais faculdades da Grande São Paulo, Campinas e Santos, mostra que 68% deles ainda moram com os pais e não priorizam a busca imediata pela independência. Segundo o estudo, eles preferem gastar o seu dinheiro em viagens, principalmente com foco em qualificação e experiências, para fazer intercâmbios, cursos de especialização e MBAs.

Entre os desejos de consumo que esperam realizar no prazo de até um ano, aparecem viagens (39%), tablet (13%), curso de especialização/MBA (12%), smartphone (11%) e carro próprio (8%). O levantamento aponta ainda que os jovens querem consumir o que têm vontade quando têm vontade e que a compra por impulso é tão frequente quanto o sentimento de arrependimento.

A moda e os amigos também exercem influência nas decisões deles. Antenados e questionadores, os jovens querem consumir de tudo um pouco, mas são conservadores em relação ao consumo frequente de suas marcas favoritas. Portanto, se uma marca os conquista, tornam-se fiéis a ela. Consequentemente, atraí-los torna-se um desafio. “A marca precisa ser autêntica e ter consciência do que está colocando no mercado. Só discurso não cola mais porque jovem utiliza muito os meios digitais e em uma rápida pesquisa descobre se existe alguma incoerência”, diz o diretor e fundador da agência B2, Ricardo Buckup.

Quando o assunto é alimentação, o estudo mostra que os restaurantes de fast-food estão entre os favoritos desse consumidor. Já a associação de marcas com personalidades e clubes de futebol influenciam seus hábitos de compra. Empresas que patrocinam shows e eventos ganham mais credibilidade e o inverso acontece da mesma forma. “Nós percebemos que o jovem gosta de ir atrás da informação, então é interessante fazer uma comunicação que o motive a ir atrás da empresa de forma sutil, permitindo interação, mostrando os valores por trás de algo”, explica Buckup.

Os especialistas na área ainda são unânimes quando o assunto é a melhor maneira de dialogar com esse público. As redes sociais e os meios digitais são considerados as melhores ferramentas. “Não basta ter apenas um perfil da marca em uma rede, tem que ter estratégia. A relação deve ser suave e o conteúdo relevante e informativo”, diz  Carrer, do Sebrae. O consultor de varejo Rubens Batista, acrescenta ainda que o jovem gosta de fazer parte de um grupo e que a tecnologia pode ajudar a empresa a criar um ambiente no qual ele se sinta incluído. “Você pode colocar sua loja no Foursquare e estimular o usuário a convidar o amigo que esteja próximo  a visitar o lugar com ele”, sugere. “Ainda há muito espaço para experimentação nas redes sociais”, diz.

 

Mas essas experimentações devem ser bem planejadas, já que qualquer erro pode se tornar fatal. “Antes, o consumidor não tinha onde se queixar, agora ele pode dinamitar uma empresa nas redes sociais se ele não gostar de um produto ou se o discurso da marca não for real”, alerta Buckup. Afinal, ser questionador continua sendo uma das maiores características dos jovens, a despeito dos diferentes interesses e comportamentos que acompanham cada nova geração.

 

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