Bernard e Rodrigo Rodrigues na favela da Providência, onde ocorreu o evento em 2014
Bernard e Rodrigo Rodrigues na favela da Providência, onde ocorreu o evento em 2014

Desafio de startups em favela ganha dimensão internacional

Batizado de Startup Weekend Change Makers, evento busca ideias na área do empreendedorismo social

Gisele Tamamar, Estadão PME,

24 de março de 2015 | 07h11

Depois do sucesso do Startup Weekend Rio Favela no ano passado, o evento mudou de nome e ganhou proporções internacionais. Batizada de Startup Weekend Change Makers, a discussão ocorre em 13 cidades de oito países com o objetivo de buscar ideias que ajudem na solução de problemas sociais. O desafio volta ao Rio de Janeiro na próxima sexta-feira e segue até domingo na comunidade Pavão-pavãozinho.

::: Saiba tudo sobre :::

Mercado de franquias

O futuro das startups

Grandes empresários

Minha história

O conceito do Startup Weekend envolve a formação de times espontâneos para criação de startups em 54 horas. As temáticas vão desde a busca de soluções para a área da educação até uma edição específica para fomentar o empreendedorismo feminino. A Easy Taxi, por exemplo, surgiu em um evento desse tipo. Já a iniciativa de levar a discussão para dentro da favela começou no Morro da Providência, no Rio de Janeiro, e gerou um case para o Brasil.

"O projeto em si deu certo desde a receptividade até o legado que foi deixado. A organização percebeu a potencialidade do projeto e resolveu levar para outras cidades. A mudança de nome foi uma forma de tirar o foco do impacto social local e levar para o impacto social global", explica Bernard De Luna, organizador do evento. Além do Brasil, Guatemala, Costa Rica, China, Índia e Japão entraram na rota do Change Makers. Qualquer pessoa pode participar do evento, que no entanto tem inscrições limitadas.

No ano passado, o desafio foi vencido pela Plataforma Saúde, com a proposta de disseminar a prevenção de doenças em comunidades carentes. A ideia foi apresentada pelo administrador Luiz Augusto de Carvalho, de 73 anos, e contou com a ajuda do publicitário Rodrigo Rodrigues, hoje CEO da empresa, e do gerente de projetos Tales Gomes, atual diretor de planejamento do negócio.

Um ano depois de receber o reconhecimento, a startup está em busca de investimentos para colocar a empresa de pé. Nesse período, os sócios foram se especializar, realizaram oficinas, testaram a solução idealizada e receberam outras premiações. "Em um ano aprendemos a fazer a coisa funcionar e estamos buscando recursos. Não é só tecnologia. Envolve muito trabalho pessoal", afirma Rodrigues.

Na prática, a Plataforma Saúde busca identificar fatores de risco em pessoas para o desenvolvimento de doenças crônicas, com foco em diabetes, obesidade e doenças cardíacas. "Mais da metade dos óbitos são relacionadas a essas doenças e 80% poderiam ser evitadas com mudança de vida e diagnóstico precoce. Mas quando bate na realidade da rede pública, demora quatro meses para marcar uma consulta e mais quatro para fazer os exames e mais quatro para o retorno", afirma Rodrigues.

Diante dessa situação, a startup oferece um serviço de identificação dos fatores de risco em 20 minutos por meio de perguntas, exames e medições feitos por um profissional de enfermagem. Os resultados geram um diagnóstico baseado em cores, onde a preta indica a necessidade de ir até um posto de saúde. "A pessoa já chega no posto com uma riqueza de dados na mão", explica o CEO da Plataforma Saúde. Em casos menos graves, é feito um trabalho de orientação para mudança no estilo de vida. O serviço é oferecido por R$ 20 no plano básico e caso mais exames sejam necessários são cobrados R$ 20 adicionais.

O desafio da Plataforma Saúde, agora, é convencer os investidores. "Ganhamos visibilidade, mas quando o investidor olha para startups com um retorno muito mais rápido que não tem um risco como nosso, a nossa atratividade é menor. Nossa premissa é levar saúde para população de baixa renda", afirma Rodrigues, que pretende participar de mais eventos para poder buscar recursos até fora do Brasil. 


Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.