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Democrática, burocracia afeta mais quem depende de importação

Reportagem especial

Renato Jakitas, Estadão PME,

28 de maio de 2014 | 06h52

Apesar de democrática, a burocracia brasileira atual pode ser mais sensível em determinados setores da economia. Um exemplo é na importação, uma área onde o empreendedor tem seus problemas ampliados porque também esbarra em carências de infraestrutura.

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Esse conjunto de problemas explica, por exemplo, os desafios de Leonardo Ribas Gomes, que em 2012 investiu – com outros três sócios – US$ 2 milhões para trazer ao Brasil a operação da sorveteria norte-americana Coldstone. Hoje com três unidades, duas em Curitiba e uma em São Paulo, a rede faturou, em 2013, R$ 2,5 milhões.

Apesar do desempenho positivo, desde o início, o negócio encontrou sérias dificuldades para cumprir o plano de expansão – o acordo com os donos da marca previa 30 lojas até 2014. “Enfrentamos muitos problemas com importação, muito mais do que esperávamos, e ficamos praticamente esse tempo todo buscando soluções no mercado local. Para viabilizar o negócio, nacionalizamos 90% da Coldstone e renegociamos o projeto de expansão”, afirma.

O momento crucial da Coldstone no Brasil, que conta com duas mil unidades pelo mundo, aconteceu logo na implementação do negócio.

Segundo Gomes, a empresa lançou sua primeira unidade em Curitiba e, após a estreia, seguiu a recomendação dos norte-americanos e encomendou mil caixas de base do sorvete. A compra aconteceu em outubro de 2012 e, seguindo métricas da empresa, seria suficiente para quatro meses de operação.

“O produto chegou em novembro, mas estava acontecendo uma espécie de operação padrão entre os agentes responsáveis pela liberação na alfândega. Acabou o mês, nada. Começou outro mês, nada. Quando chegou 15 de dezembro, tivemos de fechar a loja e ficamos com ela sem funcionar até o final de janeiro”, lembra o empresário. “O produto é muito sensível e vence rapidamente. Quando foi liberado, o lote tinha acabado de vencer. Ainda tive de pagar uma multa por isso e pagar para incinerar todo o lote”, lembra o empreendedor.

Atualmente, Gomes trabalha com fornecedores locais. “Os americanos viram a realidade e mudamos nossa estratégia de compra de produtos. Hoje não corremos mais esse risco.”

Governo. Na opinião do ministro-chefe da Secretaria da Micro e Pequena Empresa, Guilherme Afif Domingos, problemas como o de Leonardo Gomes podem ser solucionados. “Nós temos uma lei protetora às pequenas empresas, mas temos de radicalizá-la, eliminando o que puder. Eu acho que a pequena empresa tem de ser exceção nessa regra da burocracia”, afirma Afif.

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