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De R$ 1 milhão a R$ 100 milhões: quem são os brasileiros que lucram com o cultivo de bactérias

Segmento pode ser considerado novo, mas já demonstra sinais de demanda e alta rentabilidade

Renato Jakitas, Estadão PME,

29 de maio de 2014 | 06h50

A ideia de seres microscópios programados para realizar o trabalho pesado parece saída de um filme de ficção científica. Mas é justamente essa a proposta de um grupo de empresários. De jaleco branco e com a ajuda da biotecnologia, eles manipulam famílias de bactérias e as ‘capacitam’ para aplicações tão distantes quanto a produção de alimentos funcionais ou a extração de petróleo em alto mar. Um segmento ainda novo no mundo, mas que já dá sinais de demanda e alta rentabilidade.

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Aqui no Brasil, o expoente desse mercado é o administrador de empresas Luiz Chacon Filho, que há 16 anos cuida em São Paulo da Superbac. Neto de Dinoberto Chacon, um cientista famoso que atuou no Instituto Butantã, ele desenvolveu com a ajuda de biólogos um blend de bactérias que comem gorduras de poluentes – tecnologia que, por exemplo, pode ser usada em tratamento de efluentes ou na limpeza de dutos de ar-condicionado.

O resultado é uma empresa com 240 funcionários, duas fábricas (uma no Paraná e outra nos EUA, no estado de Wisconsin) e faturamento anual na casa dos R$ 100 milhões. “Nossa aplicação é diversa. Temos linhas para uso desde a cadeia petrolífera ao agronegócio, que é nosso primeiro nicho de atuação hoje em dia”, afirma.

Com clientes do porte de Bombril e Suzano Papel e Celulose no currículo, ele se queixa, apenas, da dificuldade em captar mão de obra. “No Brasil, simplesmente não tem gente para trabalhar nesse mercado. Nós tivemos de comprar uma fábrica nos Estados Unidos, onde existem profissionais e um mercado mais organizado”, conta Chacon, que faz uma parte de seu produto na planta norte-americana.

Lá, ele gera uma espécie de ‘concentrado de bactérias’ para depois trazer o material ao Brasil para ser finalizado. “Quase tudo que produzimos tem destino no agronegócio brasileiro”, diz. “Nosso desafio é construir uma base tecnológica. Isso é importante para alcançar competitividade.”

Outra pioneira nessa área é a pernambucana Biologicus, uma startup que atua no desenvolvimento de micro-organismos para o uso em alimentos funcionais e também em cosméticos.

Apesar de já contar com uma década desde a fundação, somente agora, em 2013, a empresa conseguiu se aproximar do seu primeiro R$ 1 milhão – registrou receita de R$ 930 mil.

“Até então, a gente vivia de linhas de pesquisa, do dinheiro de fundos de incentivo à inovação, como o Finep. Mas nos últimos anos a empresa decidiu lançar linhas próprias de produtos para consumidores finais e, assim, começamos a crescer”, conta a sócia Emanuella Xavier. “A gente percebe uma demanda muito grande pelo tipo de produtos que criamos. Nosso desafio é a logística”, conta.

O carro-chefe da Biologicus consiste no desenvolvimento de líquidos e cremes com alta concentração de kéfir, uma colônia de lactobacilos e leveduras originárias do Cáucaso (onde ficam Chechênia e Daguestão, por exemplo).

“Queremos, agora, estabelecer parcerias com fabricantes em outras regiões do Brasil para expandir a empresa. Nossa ideia é produzir o kéfir aqui em Pernambuco e ter a fabricação dos produtos, como nossa linha de bebidas fermentadas, próxima do ponto de venda”, conta Emanuella. A empresária deve aumentar de dez para 35 os produtos da linha de alimentos funcionais e de 15 para 45 as opções de cosméticos.

Outra meta da Biologicus é construir um parque de produção de parabióticos em Pernambuco. A ideia é incrementar das atuais 12 para 75 as cepas de micro-organismos cultivados em escala. A empresária vê um mercado promissor para a comercialização do insumo no País. “Acreditamos que é um grande mercado”, diz.

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