De olho nas pequenas empresas

De olho nas pequenas empresas

Só 20% oferecem o benefício; setor vê chance de negócio

O Estado de S.Paulo

31 de julho de 2017 | 06h00

O setor é beneficiado pelo mais antigo programa social do País, o Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT), do Ministério do Trabalho. Nele, o empregador optante pela tributação com base no lucro real pode deduzir do Imposto de Renda 4% das despesas com o PAT.

Apesar do aumento do número de desempregados no País, o setor tem crescido. No ano passado, bateu recorde, chegando a 20 milhões de trabalhadores. Há muito a avançar, principalmente além das fronteiras do Sul e do Sudeste e entre as pequenas e médias empresas. Das que têm até 40 funcionários, só 20% adotam algum tipo de benefício.

E é exatamente pensando nesses pequenos e médios empresários que as líderes do setor estão trabalhando. “O PAT foi primeiro adotado pelas grandes companhias. Há cerca de um ano e meio passamos a ver a pequena empresa muito mais resiliente em relação à crise e a definimos como público-alvo”, conta Marilia Rocca, diretora-geral da Ticket.

Canal com promoções para almoço

Há 41 anos no Brasil, a francesa Ticket é um daqueles casos em que a marca se torna sinônimo de nome de produto. “Muitos clientes pequenos não acham que a Ticket é para eles. Têm um certo distanciamento. A gente sempre teve grandes corporações como clientes”, conta a diretora-geral da empresa, Marilia Rocca. “Queremos nos mostrar cada vez mais próximos da pequena empresa. Estamos preparando os canais digitais para isso e queremos trabalhar com produtos que multipliquem valor para os clientes”, afirma.

Segundo a Ticket, primeira colocada na pesquisa, o tíquete médio nas grandes empresas é de R$ 32 por dia. Nas pequenas, é metade. “Com R$ 16 por dia, o usuário tem dificuldade de chegar até o fim do mês”, diz. Por isso, a empresa investe em um novo produto, o Ticket Conect, que vai criar um canal entre estabelecimentos e usuários, com promoções. “O trabalhador que de repente ia almoçar uma bolacha vai se alimentar melhor.”

Hoje, 94% do atendimento é feito de modo digital. Mesmo assim, a empresa lançou um piloto de venda porta a porta. “Queremos achar a forma que a pequena empresa gosta de ser atendida”, diz Marilia.

Assessoria por vídeo e sobre o PAT

A Sodexo, segunda colocada, tem investido na relação B2B, com videoconferências e auxílio via Skype e WhatsApp. “Queremos oferecer à pequena empresa a mesma experiência que, até um tempo atrás, só a grande empresa tinha, de conversar com um consultor de vendas e não um operador de call center”, conta o diretor de inovação da Sodexo, Fernando Cosenza.

A Alelo – que divide com a VR o terceiro lugar da Escolha PME deste ano – tem apostado na relação online com o empresário, tomando o menor tempo possível. Além disso, a empresa vem investindo em assessoria para que o pequeno empreendedor faça sua inscrição no PAT. “Muitas vezes ele quer conceder o benefício, mas paga em dinheiro e corre risco judicial. Não sabe as vantagens que ele teria se contratasse a Alelo”, afirma o presidente da Alelo, Raul Moreira.

Líder do mercado, com cerca de 31% de market share, a Alelo investe em produto e serviço. “Estamos ampliando o portfólio de ofertas e as formas de serviço de valor agregado”, afirma Moreira. Nesta categoria, os serviços oferecidos pelas empresas são o principal critério de escolha para 58% dos entrevistados.

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