José Patrício/Estadão
José Patrício/Estadão

De cinema a lago de pescaria, pequenos sofrem para reter talentos em suas equipes

Sala de relaxamento, viagens, cinema e até uma lagoa para pesca esportiva prometem fazer a diferença nas empresas

Rodrigo Rezende, Estadão PME,

27 de março de 2014 | 10h41

Tanque de pesca, cinema no meio do escritório e viagens coletivas de lazer para o exterior. Frente à atratividade das grandes marcas e corporações, o pequeno empresário é obrigado a usar e abusar da criatividade para manter em alta a motivação dos funcionários e, na esteira disso, reter ao máximo os principais talentos da equipe.

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Um passeio pelas estratégias de benefícios e de bem-estar corporativos adotados por alguns negócios dão a conta dos esforços enfrentados pelos empresários brasileiros. Como, por exemplo, o que faz a firma de tecnologia e armazenamento de conteúdo Acesso Digital, que com 120 funcionários gerencia 25 programas de motivação. Tem de aula em restaurantes para os colaboradores, onde o próprio chef lhes ensinam a cozinhar, a atividades radicais, como paraquedismo.

Quando os funcionários batem a meta anual na empresa, eles ganham viagens. Assim, já foram de Disney a Las Vegas. O fundador Diego Martins diz que investe 2% do faturamento nesses programas da Acesso Digital. “Temos um turnover (rotatividade de funcionários) baixo. Em nossa história inteira, umas dez pessoas saíram e metade voltou.”

Em Campinas, na Movile, que desenvolve plataformas de conteúdos e aplicativos para dispositivos móveis, o destaque é um cinema em sua sede. A empresa também possui uma sala de relaxamento inspirada na série de livros “O Mochileiro das Galáxias”, de Douglas Adams.

Outros benefícios são as sextas-feiras curtas durante o verão, em que todos vão embora mais cedo. “Desde que implementamos nossos programas, em 2011, o turnover caiu 50%”, diz a diretora de recursos humanos, Cecilia Lanat.

Os negócios também podem aproveitar espaços subutilizados do entorno para atraírem o interesse dos funcionários e, com isso, criarem um vínculo maior. Esse é o caso da fabricante de revestimentos Mosarte, da cidade de Tijucas (SC). Há cerca de oito anos, a empresa transformou a lagoa que fica em sua unidade em um tanque de pesca esportiva. Aos finais de semana, os funcionários levam a família para aproveitarem o local.

Na Informov, do segmento de engenharia e arquitetura, o atrativo é a ‘sala de descompressão’. O sócio-proprietário Marcelo Breda conta que 70 colaboradores (a empresa tem 290) que ficam mais no escritório são os que usam o espaço. O escritório tem vagas solidárias para quem vem de carro e oferece carona a colegas, além de bicicletário e chuveiros. “Cerca de 15% dos funcionários têm mais de 10 anos de casa. Pensamos como uma empresa grande e percebemos que as soluções que temos fazem o funcionário sentir-se valorizado”, conta.

Qualidade X quantidade. Na opinião de especialistas em gestão de recursos humanos, o esforço dos empresários para motivar e reter seu funcionário é mais que bem-vindo. Contudo, antes de falar em retenção, as empresas devem praticar a atração. Para a professora do Ibmec-RJ, Alba Duarte, tudo começa no processo seletivo. “Se o empresário não investir na entrada (dos funcionários) será uma lacuna mais para a frente”, diz.

Ana Carolina de Aguiar Rodrigues, que dá aulas de gestão de pessoas na FEA-USP, aponta para a necessidade de “atestar a qualidade da retenção”. “A empresa precisa verificar se o funcionário fica nela porque precisa ou porque ele gosta do que faz e de onde está. É preciso investigar o significado do trabalho para o funcionário.”

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