Robson Fernandjes/Estadão
Robson Fernandjes/Estadão

De bife em pó a ketchup de manga, fabricantes apostam em criatividade para atrair clientes

Alimentos diferentes buscam conquistar o paladar dos consumidores

Renato Oselame, Estadão PME,

08 de julho de 2014 | 06h55

Já pensou em provar um bife vegetal em pó? E um cachorro-quente com ketchup de manga? Se achou diferente, saiba que essa é a estratégia encontrada por pequenos fabricantes, negócios que apostam no inusitado de seus ingredientes para atrair o apetite dos consumidores e projetar receitas robustas em pouco tempo de atuação.

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A Manioc, por exemplo, vende bife em pó. O negócio não tem ainda dois anos de existência e surgiu dos experimentos culinários dos namorados Pedro Teixeira e Ellen Stellet, respectivamente engenheiro e historiadora. Eles aplicaram R$ 2 mil na aquisição de insumos alimentícios, montaram uma loja online e faturaram R$ 650 mil no ano passado. Neste ano, planejam alcançar R$ 1 milhão.

Adeptos do veganismo, uma filosofia de vida que prega, entre outros preceitos, o boicote ao consumo de produtos de origem animal, eles sentiam dificuldade em localizar no mercado itens que se encaixassem aos seus interesses e convicções. Os problemas à mesa os levaram a se aventurar na cozinha. Foi a senha para começar a empresa. “Queríamos montar uma empresa de congelados, mas não tínhamos dinheiro para investir”, diz Teixeira, que passou a desidratar os produtos e vendê-los em pó. A demanda foi tão grande que a Manioc já distribui para todo o País e, há três semanas, passou a exportar para o Canadá.

Metade dos pedidos são para a compra do Mandiokejo, solução vegetal para pizzas e lasanhas. O bife vegetal em pó também é popular. Teixeira afirma que, por mês, a empresa produz 400 kg da 'carne de mentira', conseguida a partir da mistura de feijão tipo carioca e uma massa de banana verde. "As pessoas anseiam por algo diferente e a curiosidade é o que tem motivado quem não é vegano a comprar", diz.

Confira a preparação do bife vegetal em pó, da Manioc:

Na mesma linha dos alimentos improváveis, o ketchup de manga ou de goiaba representam as novas apostas de Ricardo Cossari, diretor industrial e filho do fundador da Cossari Alimentos.

Apesar de atuar já há 45 anos no mercado, a Cossari teve dificuldades em implementar os novos produtos. Ricardo Cossari estima ter investido dois anos e R$ 3 milhões na linha de produção e no desenvolvimento dos ‘ketchups’. “Não foi fácil. Para o (produto) de goiaba, fizemos 70 formulações até chegar ao resultado”, comenta Cossari. Hoje, a empresa consegue produzir até 300 toneladas de molho por mês e, com a venda dos novas opções, o empresário espera chegar a um faturamento de R$ 13 milhões, resultado 62% superior ao de 2013.

Slow food

Apesar do macarrão italiano ser o campeão de vendas da Fratellini Alimentos, a empresa também se dedica à revenda de mercadorias exclusivas produzidas lá fora. Apostando em um mercado de nicho, ela trouxe ao Brasil as alcaparras crocantes, da costa siciliana, a vinagretta de trufa negra e a gelatina de vinho. “Por serem produtos muito específicos, às vezes tenho que mostrar como são usados. É um trabalho de educação”, diz Felipe Athia, sócio-fundador da empresa.

Para montar o negócio, o economista, que tem apenas 25 anos, abandonou o emprego em uma seguradora da Alemanha e voltou ao País em 2013. Athia retomou o contato com seu colega de faculdade, José Beltramino, e, juntos, eles investiram R$ 350 mil do próprio bolso. “70% disso foi gasto só em inventário”, conta Athia. O retorno veio rápido. No ano de criação, a empresa já faturou R$ 480 mil. A meta agora é ultrapassar os R$ 2 milhões em vendas em 2014.

Para alavancar os resultados, as três empresas expuseram seus produtos no Sial Brazil, edição nacional do evento gourmet parisiense, que aconteceu na semana passada, em São Paulo. A feira oferece prêmio e espaço para o lançamento de alimentos inovadores.

Tendências

Na opinião de Leila Costa, coordenadora do curso de gastronomia da Universidade do Vale do Itajaí (Univali), o consumidor brasileiro pode estar disposto a experimentar, mas fidelizar a clientela é um grande desafio. Um ponto favorável, diz , é o movimento de fusion food, que mistura elementos de várias tendências culinárias em uma aproximação com a alta gastronomia. Para a especialista, esse segmento é mais gourmet e tem chances maiores de sucesso no varejo. “São produtos para quem gosta de cozinhar e de experimentar coisas diferentes”.

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