Nilton Fukuda/Estadão
Nilton Fukuda/Estadão

Customização de food trucks aumenta serviço nas oficinas

Empresas contratam funcionários e estendem prazo de entrega para atender alta de pedidos após aprovação da lei

Gisele Tamamar, Estadão PME,

29 de julho de 2014 | 07h35

Muitos pedidos de orçamentos, prazos de entregas estendidos, contratações e aumento no faturamento. Assim tem sido a rotina das empresas que customizam veículos desde que entrou em vigor a lei que autoriza a venda de comida de rua em São Paulo por meio dos chamados food Trucks.

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Na Fag Brasil, por exemplo, uma das sócias, Gislene Gonçalves, está reestruturando a empresa para dar conta da demanda. Ela já investiu quase R$ 500 mil este ano em mão de obra, ferramentas e na área de pesquisa e desenvolvimento. Na comparação dos seis primeiros meses do ano com o mesmo período de 2013, o faturamento já cresceu 50%. Hoje, a empresa tem 25 funcionários, quase o dobro do ano passado.

"Estou fazendo um orçamento e alguém me chama no chat ou recebo uma ligação. Não consigo parar. A cada uma hora tem cliente visitando a empresa", conta Gislene. A empresária começou a empresa há oito anos para fazer reformas em ambulâncias e em veículos para transporte escolar, mas enxergou o potencial desse novo mercado quando fez o primeiro food truck, a temakeria Navan.

Na média, a empresa produz dez carros por mês - 90% dos pedidos estão relacionados à alimentação. O prazo de entrega, que era de 30 dias, hoje está entre 50 e 60 dias úteis. Os projetos, sem o veículo, custam entre R$ 12 mil a R$ 150 mil. "Nosso diferencial é fazer um projeto para o cliente ter o máximo de autonomia possível e não depender de água nem energia do local onde vai trabalhar", diz.

A situação não é diferente na Bumerangue, dos sócios e irmãos Celso e Evandro Oliveira - eles são responsáveis, por exemplo, pelas kombis adaptadas da empresa Rolando Massinha. Antes da lei, o prazo de entrega era de 40 dias. Passou para 90, 120 e agora está em 150 dias. "Cada vez mais o cliente têm exercitado a sua criatividade com formatos diferentes, nos produtos vendidos e nos equipamentos instalados. O prazo de entrega deve-se a esse índice de customização", explica Celso.

Na empresa, uma adaptação, com o veículo, custa entre R$ 60 mil e R$ 280 mil. Para quem está de olho nessa febre dos food trucks em São Paulo, Celso faz um alerta. "A pessoa precisa tirar o romantismo e glamour e estar ciente que trabalhar na rua seis, oito horas, sem banheiro e com chuva no domingo à noite exige do empreendedor muita raça", diz.

Outro alerta do empresário é sobre o plano de negócios. "A licença que ele viu na TV que ia sair deve ser o plano B. Se ele quiser investir em um negócio, será preciso traçar um plano de sobrevivência dentro de uma propriedade privada e com eventos, por exemplo", completa Celso.

Bob Iser, dono da loja de customização de carros que leva seu nome, também percebeu um aumento na procura. De acordo com ele, o que antes era produzido para eventos fechados, como um projeto pontual e muitas vezes bancados por marcas, agora está virando opção de renomados chefs que investem em cozinhas itinerantes. Ele é responsável, por exemplo, pelo projeto do food truck Astor.

"Esse movimento tem aumentado a nossa demanda. Estamos atendendo restaurantes e chefs famosos que querem levar o seu cardápio para rua. Temos uma media de quatro projetos em produção por mês", conta Iser, que acabou de retornar de Nova York, onde foi buscar inspiração para novos projetos no Brasil.

Na loja de customização, Iser já fez uma bicicleta cafeteria por R$ 12 mil e um food truck completo por R$ 190 mil. "O food truck tem tudo a ver com o perfil do brasileiro, um povo que gosta de curtir a rua. A ideia é ocupar lugares estratégicos com uma gastronomia acessível. Não vejo como uma competição com bares e restaurantes regulares, eu vejo como uma opção para somar", diz.

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