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Custo Brasil, concorrência e falta de preparo dificultam a vida do fabricante de cerveja no Brasil

Na segunda reportagem da série, conheça os desafios no caminho das marcas artesanais que avançam pelo País

Renato Jakitas, O Estado de S.Paulo,

04 de janeiro de 2015 | 07h51

Carga tributária pesada, concorrência se estabelecendo rapidamente e uma rede de distribuição que deixa a desejar no conhecimento do produto e em volume de escoamento. Juntos, esses são os principais desafios enfrentados pelo empresário do ramo de cervejas artesanais, um negócio que nos últimos dois anos tem chamado a atenção pelo número de empreendedores interessados.

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A Associação Brasileira de Bebidas (Abrabe) estima que existam hoje cerca de 200 microcervejarias em atividade, um  número que se não tem potencial para encostar no mercado norte-americano (com 2,4 mil empresas), pode ter pelo menos o dobro do tamanho atual.

"Eu acredito que tenhamos no Brasil, hoje, entre nacionais e importadas, cerca de 1,5 mil rótulos à disposição. E apesar do avanço em conhecimento na área, na maioria dos casos nem o garçom, nem o vendedor conhece bem o produto para oferecê-lo ao consumidor", conta Eduardo Caldas, fundador da Beer Planet, loja virtual e clube de assinatura de cervejas artesanais, além de dono de uma distribuidora focada nesse mercado.

Outro empecilho ao desenvolvimento ainda mais vigoroso do ramo é a carga tributária, que no caso das cervejas artesanais progride na medida que o negócio vai se estabelecendo. "Chega a comer 50% do meu lucro. Mas se estivesse mais em evidência, os cara iam me tarifar pelo valor médio de venda no varejo para o consumidor final. Dai essa carga é ainda maior", conta Márcio Secafin, da Brotas Beer.

De acordo com dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT), a soma dos tributos pode chegar a 57% no setor, variando conforme o tipo de embalagem, a localização do fabricante e o tipo de produto.

Associado aos impostos, o custo dos insumo, que tirando a água e a garrafa são todos importados, portanto cotados em dólar, também assusta. Esse foi o motivo que levou a Amazon Beer a cruzar o Atlântico e a produzir sua linha de bebidas artesanais na região metropolitana de Londres.

A empresa, uma marca de Belém do Pará que mistura frutas típicas do Norte aos tradicionais malte e lúpulo, fechou parceria com a fabricante inglesa Beer Counter para viabilizar seu produto na Europa.

"O que acontece é que com os custos dos insumos e impostos aqui do Brasil a gente chega sem condições de competir com o mercado externo. Nosso produto é pelo menos 40% mais caro feito aqui do que lá fora", explica Caio Guimarães, sócio da empresa e que hoje em dia vende uma garrafa de cerveja por 1,20 libra na Inglaterra enquanto que, aqui, não consegue oferecer por menos de R$ 10. "É mais caro mesmo convertendo o preço", diz ele (a libra gira em torno de R$ 4).

Na terceira e última reportagem da série, que será publicada amanhã, conheça os empresários que faturam com negócios inspirados, mas que passam à margem do boom de cervejas artesanais.


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