Tiago Queiroz/Estadão-24/6/2020
Tiago Queiroz/Estadão-24/6/2020

Cufa e Facebook lançam 2ª edição de curso para empreendedores da favela

Inscrições estão abertas até 26 de outubro; outras iniciativas do Facebook envolvem Migraflix e Afrohub com expectativa de atingir total de 170 mil micro e pequenos negócios

Mariana Hallal, O Estado de S.Paulo

02 de outubro de 2020 | 15h11

A Central Única das Favelas (Cufa) e o Facebook estão com inscrições abertas para um curso de digitalização voltado a empreendedores de comunidades nas periferias e favelas. A iniciativa é gratuita e totalmente online. O objetivo é ensinar ferramentas de marketing digital a donos de pequenos negócios.

As inscrições podem ser feitas até o dia 26 de outubro via WhatsApp pelo número (11) 95775-0125. As aulas começam em 1º de novembro e não há limite de vagas. O projeto, que faz parte do Impulsione com o Facebook, está em sua segunda edição — a primeira aconteceu no ano passado e foi presencial. A parceria entre as duas instituições, no entanto, é mais antiga, e já resultou em outros cursos semelhantes.

Celso Athayde, fundador da Cufa, fala que os alunos terão acesso a conteúdos sobre como usar as redes sociais para promover e qualificar seus negócios, além de aulas com conceitos básicos de empreendedorismo. Os conteúdo foi formulado por especialistas em marketing digital e será distribuído pelo WhatsApp. Grupos serão formados para tirar dúvidas e os participantes terão acesso a lives com empreendedores de sucesso.

“Não existe conteúdo de empreendedorismo nas favelas. As pessoas empreendem por necessidade e muitas vezes não conseguem expandir seus negócios por falta de formação”, diz Athayde. Ele acredita que o curso vai qualificar os serviços oferecidos pelas favelas, além de ampliar a clientela para fora das comunidades.

A Cufa também espera que a capacitação possa mitigar o impacto da pandemia entre a população mais pobre e estimular o empreendedorismo. “Muitos postos de trabalho vão fechar definitivamente”, comenta Celso, apontando o negócio próprio como uma saída para a falta de empregos. Ele espera que o curso beneficie diretamente 60 mil pessoas.

A empresária Edilma Santos, de 33 anos, participou de uma das primeiras capacitações promovidas pela Cufa e pelo Facebook em 2013. Hoje, a sua boutique Pimenta Rosa já tem 117 mil seguidores no Instagram, 22 mil curtidas no Facebook e uma loja online. A loja física fica na favela de Heliópolis, em São Paulo.

Com os conhecimentos adquiridos durante as aulas, ela montou os perfis do estabelecimento nas redes sociais e passou a postar diariamente. “Quando eu abri meu comércio, eu não tinha noção sobre o mundo digital. Aprendi no curso”, conta.

Fechar a loja durante a pandemia não foi um problema para Edilma, que acabou criando uma vaga a mais neste período, a de vendedor digital. O funcionário é responsável por atender os clientes que chegam via redes sociais. “Se não fosse o curso e a digitalização, a minha loja não teria sobrevivido à pandemia”, afirma.

Quando abriu a loja, em 2011, a empresária trabalhava apenas com o marido. Agora, também emprega o filho e mais três meninas que moram na comunidade. No fim de semana, contrata vendedores temporários para dar conta da demanda. “Fico muito feliz por conseguir dar oportunidade de emprego para as meninas do bairro”, fala.

Iniciativas semelhantes

Outras instituições que trabalham com comunidades marginalizadas também firmaram parceria com o Facebook para promover o empreendedorismo. Um deles é o Afrohub, voltado a pessoas negras, e o outro é o Migraflix, para refugiados. A rede social espera atingir 170 mil pessoas com as três iniciativas, que são gratuitas.

No Afrohub, o conteúdo já está disponível no site do projeto. As aulas são em vídeo e focam em ferramentas de marketing e relacionamento. Para ter acesso, basta se inscrever na plataforma. 

As aulas para os imigrantes e refugiados encontram-se na plataforma do Migraflix. Lá os empreendedores têm acesso a conteúdos como modelos de negócio, educação financeira, gestão e marketing, além de estratégias e ferramentas para impulsionar vendas nas redes sociais.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.