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Lorena Dini
Lorena Dini

Cueca menstrual: marca inova ao mirar público transgênero

Brasileira Pantys, conhecida por calcinhas absorventes, criou produto para atender público de homens transgêneros que menstruam e pessoas não-binárias

Marina Dayrell, O Estado de S.Paulo

25 de junho de 2021 | 17h49

A Pantys, marca brasileira de calcinhas absorventes, lançou nesta semana uma cueca menstrual voltada para homens transgêneros e pessoas não binárias. O lançamento é um passo inédito para uma maior inclusão dessas pessoas em um mercado que é, quase integralmente, dedicado a mulheres cisgêneras (aquelas que se identificam com o gênero designado a elas quando nasceram).

A empresa, criada em 2017 pelas sócias Emily Ewell e Maria Eduarda Camargo, tem como carro-chefe as calcinhas que substituem o absorvente íntimo. O mecanismo é simples: as peças são revestidas por camadas de tecido que absorvem a menstruação e impedem vazamentos e odores. Ao fim de cada uso - cujo tempo depende do fluxo de quem está usando - a peça pode ser lavada e reutilizada. 

Até a última semana, essa tecnologia era empregada em calcinhas, mas, agora, o mesmo mecanismo também é aplicado nas cuecas de modelo boxer. O lançamento foi pensado para atender o público formado por homens transexuais (que tiveram o gênero feminino designado no nascimento, mas que passaram a se entender como pertencentes ao gênero masculino), como o ator Elliot Page, e pessoas não binárias (que não se identificam nem com o gênero masculino nem com o feminino). 

“A gente está em contato com o consumidor final, sempre somos educados pela nossa comunidade. Já tem um tempo que recebemos mensagens com essa demanda de homens trans que menstruam ou pessoas que não se identificam com nenhum gênero. Fomos ouvindo e decidimos engajar um grupo de homens trans no desenvolvimento desse novo produto. Toda a parte de desenvolvimento, como modelagem, cor e tecidos, foi feita em colaboração com eles, que são os homens que estampam a campanha visual”, explica Emilly.

Entre os homens trans, por exemplo, há aqueles que não tomam hormônios, ou seja, não param de menstruar. Além desse público, a cueca também foi pensada para todo mundo que não se identifica com produtos menstruais femininos. 

“O mercado está desatualizado na parte de comunicação, então tem muita oportunidade para abraçar. Por exemplo, só no ano passado que as grandes marcas começaram a colocar um líquido vermelho no lugar de líquido azul para representar o sangue (nas propagandas de absorvente). Quando os homens trans vão comprar absorvente é tudo tão feminino que pode ter um impacto emocional muito grande neles. Além disso, absorventes descartáveis não colam facilmente em cuecas. Nunca foi o foco do mercado esse perfil de consumidor”, explica Emily.

Além das calcinhas e cuecas absorventes, a Pantys também fabrica sutiã absorvente para amamentação, uma linha de roupas de banho e um absorvente interno orgânico e biodegradável. A cueca foi lançada em tamanhos do P ao XXGG e custa R$ 99. A empresa de médio porte, que diz crescer 14% ao mês, durante a pandemia viu o trânsito em seu site sofrer um aumento de 200%, na esteira do boom em e-commerces.

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