José Patrício|Estadão
José Patrício|Estadão

Crise tirou dono dos negócios do lugar comum

Módulos discutiram os desafios e as oportunidades para o período, que estimula o 'pensar fora da caixa'

Letícia Ginak, especial para, O Estado de S.Paulo

06 de novembro de 2017 | 06h45

Um dos temas mais aguardados da Semana Pró-PME era como sobreviver à crise. O assunto levou ao palco estudiosos e empresários para debaterem e elucidarem questões do público.

 

Marcelo Nakagawa, professor de empreendedorismo e inovação do Insper; Samir Iásbeck, fundador do Qranio; e Lucas Foster, fundador do ProjectHub, discutiram o tema. Nakagawa abriu o debate pontuando dois tipos de realidades. "A crise ajuda 1%, 99% é tragado pelo tsunami. É o retrato de quem não se preparou, não sabe ou não gosta de empreender, mas precisa, e vai ter que se virar de alguma forma."

 

Foster contou que sentiu os efeitos da recessão em sua empresa, que conecta investidores a empreendedores. "Desde fevereiro, não havia consultas de investidores, mas a base de empreendedores só crescia." A criatividade foi a saída para manter o modelo. “Decidimos diminuir as pretensões de negócios feitos por meio da plataforma e pensamos em um marketplace. Foi um ajuste baseado na realidade e no capital de giro que tínhamos. Voltamos a faturar e isso mostra como a criatividade não demanda só recursos externos, basta olhar para dentro e reconectar as potencialidades para criar."

:: Novos modelos para novos tempos ::

:: Desvios da rota certa antes da consolidação ::


Uma das oportunidades apontadas em momentos de crise é a aproximação com grandes empresas, oferecendo serviços especializados. “Respeite, entenda as regras e tente se adequar. Não queira que um gigante se ajuste a você. Tive de me adaptar ao sistema para construir relacionamento e entrar no setor”, aconselhou Iásbeck. Ele diz que focou no mercado B2B no período de recessão.

 

Sergio Risola, diretor-executivo do Cietec; Pedro Chiamulera, fundador da ClearSale; e Gustavo Kok, membro do Conselho de Comércio Eletrônico da Fecomércio, estiveram juntos no módulo sobre Sucesso e Inovação. De acordo com Kok, o diferencial competitivo é a principal saída em momentos de crise. "Hoje, nos Estados Unidos, as buscas por produtos acontecem mais na Amazon do que no Google. Ela conseguiu isso fomentando o marketplace e investindo diferente."

 

Para inovar, é preciso mão de obra capacitada, defende Risola. "A cultura do empreendedorismo tem de ter capilaridade para dentro da universidade. Isso não está acontecendo na velocidade necessária. O Brasil está andando a 80 km/h e o mundo a 200", afirmou. Para Chiamulera, a cultura também estimula a inovação e o crescimento. "Fui aprendendo a lidar com as pessoas e fazê-las se sentirem parte. Nós geramos inovação e as pessoas crescem."

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.