Sergio Castro/Estadão
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Crise não vai atrapalhar quem produz massa fresca

Pequenas empresas conquistam paladar dos clientes e esse novo hábito deve resistir mesmo com retração

Gisele Tamamar, Estadão PME,

27 de fevereiro de 2015 | 07h27

A combinação de farinha e ovo tem se transformado em receita promissora para os empresários que investem em massa fresca. Em um mercado dominado pelas versões secas e instantâneas, produzidas por grandes empresas, os pequenos começam a ganhar espaço com produtos artesanais elaborados com recheios criativos e diferentes.

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O mercado de massas secas ainda é muito maior. Mas enquanto a comercialização do tipo principal caiu 3,9% em toneladas entre 2010 e 2013, as frescas cresceram 14% no mesmo período, segundo dados compilados e divulgados pela Nielsen. Só em 2014, as vendas da categoria atingiram R$ 754,6 milhões, 9,8% a mais que o ano anterior. Em quilos, a comercialização cresceu 2,1% no mesmo período.

De acordo com o presidente da associação do setor (Abimapi), Claudio Zanão, o grande volume de vendas de massa seca deve-se ao fato dela ser mais barata e tradicional. Mas a fresca começou a ganhar importância a partir da melhora do poder aquisitivo do consumidor. “O brasileiro gosta de experimentação. Basta ter condições financeiras para isso. A massa fresca tem um preparo mais difícil e normalmente exige refrigeração e tem recheio, o que encarece o produto”, explica.

Na avaliação da analista de mercado da Nielsen, Mayane Soares, mesmo o cenário econômico atual, com a população contendo gastos, não deve comprometer os ganhos dos empreendedores. Tanto para quem faz massa fresca quanto para quem prepara pratos prontos congelados. Isso porque quando existia uma situação econômica favorável, o cliente qualificou seus hábitos e passou a comer mais fora de casa.

“É algo que ele conquistou e não quer abrir mão agora. Por isso, ele procura alternativas para manter esse padrão. Ele vai comprar produtos para ter uma refeição diferente dentro de casa”, destaca Mayane.

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Chef busca expansão com modelo de rotisseria 

O uruguaio Ivan Schiappacasse Bornes é um entusiasta da culinária italiana e faz sucesso com o Pastifício Primo. Depois de abrir uma agência de viagens e viajar pelo mundo, ele fixou residência em São Paulo, em 2010, para investir nas massas e molhos. A ideia de trabalhar na área surgiu quando ele se deparou com um antigo pastifício de bairro, na Itália. Hoje, o negócio tem sete unidades, sendo três franquias. Só as próprias faturaram R$ 7,2 milhões durante o ano passado.

“Tem empresas que não conseguem cuidar dos custos. Não abrimos mão da qualidade, mas somos muito econômicos. A gente tem um pensamento produtivo artesanal muito ligado com a inteligência produtiva”, diz Ivan, que trata os clientes pelo nome e só aceita franqueados com o mesmo perfil. “Cada franqueado é um dono na gestão de frente. Todo dia recebemos de dois a três e-mails de interessados. Quem não souber trabalhar com gente não pode trabalhar com a gente.”

A chef Ana Soares também se destaca na área com o Mesa III. Ela produz cerca de 3,5 mil quilos de massa por mês, sendo que 60% do faturamento vem das vendas da rotisseria e o restante, do comércio para o atacado. O Mesa III foi aberto há 20 anos em um momento que Ana tinha uma vida muito corrida como chef e encontrou uma oportunidade para aliar vida pessoal e gastronomia. “Eu ouvia dos chefs: fazer massa é uma especialidade. Não vou me meter a fazer isso. Descobri um espaço para esse trabalho”, conta Ana, que acredita no potencial do mercado para quem souber se diferenciar da concorrência.

:: Categoria tem espaço para novo negócio ::

Apesar do consumo ainda ser baixo em comparação com outros tipos de massas, novas empresas podem se destacar com qualidade e preço justo

Potencial

A massa fresca ainda tem a menor representatividade na categoria, mas tem potencial de crescimento e espaço para pequenos negócios.

Qualidade

Quem quiser investir precisa se preocupar com a qualidade do produto. A massa fresca é difícil de trabalhar e tem data de validade muito curta.

Variedade

O empresário pode exercer a criatividade e preparar massas com diferentes tamanhos, sabores e recheios, além de se preocupar com a embalagem.

Parceria

A categoria ganha destaque principalmente no pequeno varejo, onde o empreendedor tem mais facilidade de exposição e de negociação.

Loja

Além de fazer parcerias para a venda, empreendedores apostam no próprio ponto e investem na força da marca e no atendimento.

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