Luciane de Oliveira
Luciane de Oliveira

‘Crise gerou um ganho de eficiência’, diz professor da FIA

Para o professor, lucratividade será maior após retomada do consumo

Entrevista com

Alexssandro Mello, professor do Proced/FIA

Josette Goulart, O Estado de S.Paulo

30 de novembro de 2017 | 05h00

As pequenas e médias empresas ainda não começaram a sentir os efeitos de uma melhora da economia brasileira, segundo Alexssandro Mello, professor do Programa de Capacitação da Empresa em Desenvolvimento da Fundação Instituto de Administração (Proced/FIA). Para Mello, esse movimento ainda está restrito a indicadores econômicos. Mas o professor do Proced/FIA acredita que o próximo ano será melhor e que as empresas ganharam muita eficiência, percebendo que podem fazer o trabalho com menos gente. Assim, uma melhora da economia trará mais lucro. 

Quais são as dificuldades enfrentadas em 2017?

Se a gente olhar para a questão de empreendedorismo, foi muito difícil empreender porque o começo de um negócio é justamente aquele em que você precisa começar bem. O mais importante é o primeiro cliente. Então a gente está saindo de um momento muito turbulento e, a partir do segundo semestre, o resultado que a gente vê é um reaquecimento do poder de compra e da propensão de comprar do consumidor. E isso puxa toda a economia.

Você tem muitos alunos que são empreendedores. Eles de fato estão melhorando ou a percepção é mais com base nos dados recentes da economia?

Não, neste momento ainda é a percepção com base nos dados econômicos. Os empreendedores ainda não perceberam de fato a melhora. Mas claro que alguns segmentos crescem, independentemente da crise. 

O que está vendo para 2018?

A perspectiva para 2018 é que o crescimento se dissemine entre os vários setores da economia e não fique somente em alguns. A expectativa é que essa media cresça e a gente já sente aqui isso. Tem 48 dirigentes que pediram para fazer o curso no ano que vem. Neste ano, temos somente 16. 

O cenário político afeta o empreendedor?

Tem dois compassos diferentes. O cenário macro político e o de políticas voltadas a empreendedor. Nos últimos cinco anos, tivemos muitos incentivos para micro e pequenas empresas. Isso ajuda bastante na medida em que você muda o teto do Simples, por exemplo. Já a instabilidade do macro político afeta no sentido de que não há um direcionamento para políticas relacionadas ao empreendedorismo. 

Como a reforma trabalhista afeta o empreendedor? 

Vai ajudar uma série de empresas que são comércio e que no Natal fazem contratações temporárias. A reforma deu uma segurança jurídica nesse sentido e ajuda muito. Mas, independentemente se é temporário ou não, o empreendedor precisa lembrar que esse funcionário representa a empresa. Sem um treinamento, sem uma contextualização do que é a empresa, treinamento específico da atividade que vai exercer, efetivamente isso pode jogar contra. 

Para 2018, o que espera?

A gente teve uma crise que não gerou só pontos negativos. Ela gerou um ganho positivo que foi um ganho de eficiência muito alto nas empresas, que começaram a perceber que uma pessoa dava conta de fazer o trabalho de duas, três. Então para o ano que vem haverá aumento de competitividade e os empreendedores vão começar a entender todos os seus pontos de eficiência e com a retomada do consumo a empresa terá efetivamente uma lucratividade maior. Ela não vai voltar a ter a despesa que tinha antigamente. Quem nasceu antes de 2005 e estiver vivo em 2020 vai ser uma empresa muito competitiva.

Como o tema corrupção tem afetado o empreendedorismo?

Este é um assunto que vem crescendo cada vez mais e o empreendedor começa a perceber que precisa criar mecanismos de governança para entender o que seus gestores estão fazendo, na área de compras, de vendas. A gente pensa que não afeta, mas uma pequena empresa fatura até R$ 4,5 milhões por ano. Então são valores relativamente altos. 

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