Marcos de Paula/Estadão
Marcos de Paula/Estadão

Criar personagens infantis de maneira independente se transforma em bom negócio

Na internet, criadores faturam com licenciamento de produtos e já sonham com os lucros fora do Brasil

Renato Jakitas, Estadão PME,

13 de maio de 2014 | 06h39

A convergência da televisão com a internet tem aberto as portas do mercado audiovisual para os pequenos produtores brasileiros de conteúdo infantil. Em um ramo antes dominado por estúdios multinacionais, designers e roteiristas independentes aproveitam-se da popularização de aplicativos para dispositivos móveis e smart TVs para assim emplacarem seus projetos. Na esteira do novo espaço, eles começam a faturar com a venda de licenciamento e já pensam em incursões para fora do País.

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Um bom exemplo desse movimento é protagonizado pelo casal Ana Claudia e Julio de Modesti. Casados desde 2009, eles administram em São Paulo e Curitiba um pequeno estúdio de computação gráfica, o Studio Vertex, que fatura principalmente com trabalhos para o mercado publicitário.

Há três anos, contudo, o casal lançou o primeiro DVD de uma série infantil chamada Os Pequerruchos, negócio que rapidamente se transformou no carro-chefe da empresa. Focado no cancioneiro popular, eles resgataram uma série de cantigas de roda, contrataram uma artista para a regravação das músicas e criaram personagens em ilustração 3D inspirados nas crianças da própria família.

"A gente primeiro colocou no Youtube para sentir a aceitação dos personagens e quando vimos que o público gostou, gravamos o DVD", conta Ana Claudia, que hoje tem as duas temporadas da série em aplicativos como Netflix e Playkids. "Somado o total, a gente fatura uns R$ 200 mil por ano com Os Pequerruchos", conta a empresária. Arquiteta por formação, ela conta que hoje licencia a marca para cerca de 30 produtos, de mochila a brinquedos e artigos para festas. "Estamos estudando ampliar a veiculação para o exterior. Mas é algo para o futuro", explica Julio de Modesti, que acredita no potencial de sua criação para mercados na América Latina e Estados Unidos.

Nessa direção internacional, um dos casos mais bem sucedidos da nova geração é o de André Breitman, sócio da 2d Lab, que tem no portfólio a série Meu Amigãozão como principal produto. O desenho, que conta as aventuras de um elefante azul, uma girafa rosa e um canguru verde também está na Netflix e Playkids, além do Discovery Kids. Desde o dia 3 de maio os personagens também integram um musical no Theatro Net Rio, dirigido por Mario Meirelhes ( ex-diretor do programa TV Xuxa, TV Colosso, e Topo Gigio, na Band).

"A gente estreou o Meu Amigãozão em 2009 e, de lá para cá, só crescemos", conta Breitman, que reforça a importância da internet como canal de distribuição de seus produtos. "É um mercado importante. Eu vejo o Meu Amigãozão como um projeto de propriedade intelectual. Estamos disponíveis em quatro idiomas e exibindo em 40 países. Tem de coreano a hebraico. Só o desenho animado para viajar desse jeito pelo mundo", afirma o empresário. A marca é licenciada em 150 produtos e para cada temporada, estimada em R$ 12 milhões de investimento, precisa de cinco ano para obter o retorno do investimento.

"Esse mercado está passando por uma revolução e, para o bem dos produtores, o que mudou é que há muito mais espaço nesse novo momento", afirma Eduardo Lins, sócio da Movile, empresa de tecnologia que fatura sobretudo com um desses aplicativo de programação infantil, o Playkids. "A gente percebe que a criança tem no smartphone e no tablet a sua televisão. Isso está mudando muito a configuração do mercado, sobretudo no acesso a estúdios independentes", diz Lins, que tem 3 milhões de downloads de seu app e 50% do conteúdo que disponibiliza vem de pequenos produtores.

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