Paula Crem/Divulgação
Paula Crem/Divulgação

Crescimento das academais ajuda outros empresários

Mercado de suplementos se reposiciona, passa a falar diretamente com o consumidor comum, e hoje colhe os resultados

Renato Jakitas, Estadão PME,

24 de setembro de 2014 | 06h48

A expansão das academias abre caminho para uma cadeia produtiva relativamente jovem no Brasil. A indústria de suplementos alimentares, produtos desenvolvidos para maximizar os resultados da malhação, que se desenvolve não faz mais que três décadas, é uma das maiores beneficiadas.

::: Siga o Estadão PME nas redes sociais :::

:: Twitter ::

:: Facebook ::

:: Google + ::

Em cinco anos, o faturamento das 150 empresas que atuam no setor, quase todas pequenas e de médio porte, disparou. Segundo dados divulgados pela Associação Brasileira dos Fabricantes de Suplementos (Brasnutri), os R$ 150 milhões movimentados em 2008 saltaram para R$ 1 bilhão em 2013. Para este ano, a expectativa é de se chegar a R$ 1,2 bilhão.

O pulo do gado do setor foi uma bem conduzida estratégia de reposicionamento das marcas. Os empreendimentos dialogavam apenas com o atleta, sobretudo o fisiculturista, mas passaram a buscar uma aproximação contínua com o usuário comum da academia.

“Eu acho que os suplementos entraram no conhecimento do cliente comum, o rapaz que não é atleta, a moça que quer ficar com o corpo legal. Isso tem transformado o setor”, afirma Sinésio Batista, atual presidente da Brasnutri.

:: Leia também ::

O desafio das academias

Criatividade é o caminho para o pequeno negócio

De fato, para os fabricantes, o chamado cliente comum é crucial. “A gente quer vender suplemento para o atleta que busca hipertrofia (crescimento muscular), para o corredor de final de semana e para aquela pessoa que está mais preocupada com o cuidado do corpo, com o bem-estar”, conta Filipe Bragança, CEO e filho do fundador da Integralmédica, marca de suplementos lançada em 1983 em São Paulo. “A gente aposta, por exemplo, em um cereal com quatro vezes mais proteína que estamos lançando. Isso é para ser vendido em loja de produto natural, um produto para quem cuida da alimentação”, diz.

Para se ter uma ideia desse novo posicionamento, a Probiótica, marca paulista fundada em 1986 pelos amigos Carlos Negrão e Elcio Espindola, tem em sua linha, além dos suplementos tradicionais, cupcakes e até panquecas com vitaminas. A empresa foi adquirida há dois anos pela farmacêutica norte-americana Valeant. O negócio movimentou R$ 150 milhões.

Para além dos bons números apresentados pelo setor, entretanto, os fabricantes locais sofrem diante da concorrência com os importados, disputa que se dá nas gôndolas das lojas especializadas e na internet, seja por meio de lojas virtuais com alcance local, seja por unidades instaladas no exterior. “A gente trabalha com um preço, em média, 15% mais barato que o da concorrência externa. Mas nosso grande desafio é com relação à falta de uma regulamentação por parte da Anvisa (Agência de Vigilância Sanitária)”, diz Filipe Bragança. “Um grande número de insumos que não podemos utilizar aqui o consumidor encontra nos suplementos importados. Isso precisa ser revisto.” 

:: VAREJO É OPORTUNIDADE ::

As lojas especializadas em suplementos alimentares são apontadas, por especialistas e empresários do ramo, como um nicho de oportunidades para empreendedores. Responsáveis atualmente por 92% das vendas dos produtos alimentares para usuários de academias, o País ainda não conta com redes estabelecidas e, dos empreendimentos em atividade, poucos efetivamente se destacam na entrega de serviços, como orientação técnica de educadores físicos e de nutricionistas. Uma das iniciativas que busca atualmente suprir essa lacuna do mercado é a Dr. Shape. Criada há 12 anos na cidade de São Paulo, a empresa abriu sua primeira franquia apenas no ano passado. A meta é alcançar 500 unidades em cinco anos. Quem está por trás da concepção da empresa é o advogado Paulo Fernandes. Para uma franquia da rede, o interessado precisa investir a partir de R$ 210 mil.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.