Evelson de Freitas/Estadão
Evelson de Freitas/Estadão

Cresce o número de franqueadores sem experiência

Representatividade de marcas com menos de um ano de experiência aumentou de 24% em 2010 para 31% este ano; alta é negativa na avaliação de especialista

GISELE TAMAMAR, ESTADÃO PME,

28 de novembro de 2013 | 16h15

Entre os requisitos analisados pelo investidor antes de comprar uma franquia está a experiência do franqueador. Mas uma pesquisa da Rizzo Franchise mostra que essa característica não acompanha três em cada dez franqueadores. Os dados mostram que a porcentagem de marcas com menos de um ano de experiência subiu de 13% em 2008 para 24% em 2010 e atingiu 31% este ano.

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Na avaliação do consultor Marcus Rizzo, esse cenário é extremamente negativo. “Se eu parto do pressuposto que estou franqueando a experiência, mas se você não tem esse requisito, está franqueando o quê? Você vira um vendedor de produtos para a rede franqueada”, alerta o consultor.

Rizzo afirma que no Brasil a média é de 73 franquias por franqueador. Nos Estados Unidos, esse número salta para 680, quase dez vezes mais. “Isso significa que estamos em um mercado onde está mais fácil lançar franquia do que consolidar esses negócios”, afirma o especialista.

O consultor recomenda que o negócio seja testado antes de ser vendido como uma franquia. No entanto, é difícil determinar esse período de testes. O especialista conta que já participou de consultorias para empresas com mais de 20 anos de existência, mas que na hora de expandir por franquias surgiram falhas que dificultavam muito a aplicação do modelo.

Por outro lado, Rizzo também trabalhou com operações que começaram do zero e que um ano depois lançaram franquias atraentes. “É muito difícil dizer: escolha marcas que tenham um, dois, três anos. A recomendação é: escolha franquias que efetivamente vão te transferir o conhecimento para operar o negócio”, aconselha.

O coordenador de franquias do Centro de Empreendedorismo da FGV, Batista Gigliotti, também alerta para a aquisição de marcas muito novas. Para ele, marcas sem experiência no mercado podem simplesmente invalidar os quatro principais benefícios das franquias.

O primeiro é a transferência de conhecimento. Os outros são: ter um grupo de franqueados para compartilhar vivências, ganho de escala e força da marca.

Para Gigliotti, que também é presidente da consultoria Fran Systems, o negócio novo só vale a pena se a ideia for inovadora e interessante. E a vantagem é pagar barato. “Eu não estou dizendo que não é para fazer. Estou dizendo que precisa ser estudado, analisado. Eu costumo dizer que não é para fugir do risco, é para administrá-lo”, destaca.

O consultor também faz um alerta importante para quem pensa em apostar nesse modelo de expansão. “O franqueador que se aventura a abrir franquias e não estiver bem preparado vai multiplicar dor de cabeça. Em vez dele ter o benefício que está imaginando, terá uma porção de gente com processo contra ele na Justiça”, afirma.

A lei de franquias não estabelece prazo mínimo de vida para a empresa vender franquias, mas de acordo com o diretor internacional da Associação Brasileira de Franchising (ABF), André Friedheim, a entidade gostaria que esse período inicial fosse de pelo menos um ano.

Novidade. O empresário Tom Ricetti resolveu criar a PãoToGo, uma padaria drive-thru, depois de encontrar estabelecimentos lotados e recorrer ao supermercado para comprar o produto. Era fim do ano passado e a compra por parte do empreendedor demorou cerca de uma hora.

Tom, então, trabalhou rapidamente e formatou o negócio para o consumidor comprar pão sem precisar sair do carro. Em julho, ele inaugurou a primeira unidade, que funciona na cidade de São Carlos, no interior de São Paulo. Desde então, já foram vendidas 67 franquias. A previsão do empreendedor é fechar o ano com pelo menos dez lojas em operação.

“Quando você tem uma ideia que considera boa, acho que existem dois caminhos: investir muito dinheiro (próprio ou de investidores) ou crescer por franquias. E ideia boa muita gente copia rápido”, afirma o empresário. “Essas franquias de consertos, reparos, por exemplo. Apareceu uma e em um ano apareceram dez iguais. E, por enquanto, não temos concorrência”, completa Ricetti.

Para o interessado abrir uma unidade da marca é exigido investimento a partir de R$ 150 mil, um valor que não é considerado dos mais altos no mercado. “Não vou tirar o corpo fora do risco. É claro que se você investir em uma empresa com 30 anos de mercado o risco é menor em comparação com uma empresa de um ano. Porém, você está investindo menos em uma coisa que você pode ganhar mais”, defende.

:: PRÓS ::

Oportunidade

A nova franquia pode ser uma inovação e, por isso, ser atrativa e representar uma oportunidade.

Menor preço

As novas marcas começam a ser vendidas com valor reduzido, até para atrair franqueados. 

Retorno

Segundo Rizzo, o potencial de retorno é elevado, levando-se em consideração os itens anteriores.

:: CONTRA ::

Sem teste

Por ter menos de um ano, o negócio não chegou a ser testado, o que pode ser um problema.

Marca

Por ser nova, o consumidor não conhece a marca e o franqueado pode sofrer com a falta de experiência.

Moda

Existe o risco do negócio ser uma moda passageira e da empresa não sustentar a operação.

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