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Crédito barato para negócios engajados

Fundos que atuam como cooperativas são opção para financiar empreendimento social

Redação, O Estado de S.Paulo

26 de julho de 2017 | 11h48

Uma nova geração de fundos de investimento pretende mudar não só a forma de conceder empréstimos com taxas e prazos mais baratos, mas também otimizar o jeito brasileiro de praticar a filantropia. Eles funcionam como cooperativas de crédito, mas sua missão é mais ampla: auxiliar empreendedores com ideias de negócios que trazem algum tipo de solução para problemas de ordem social e que precisam de um empurrãozinho para começar.

“Nós buscamos qualquer pessoa que queira juntar empreendedorismo e criatividade para montar um negócio que resolva um problema social”, diz Ricardo Mastroti, sócio fundador da Bemtevi Investimento Social. O modelo, inspirado nas ideias de Muhammad Yunus, Prêmio Nobel de 2006, chegou ao Brasil com mais força em 2013 com a Yunus Negócios Sociais, e está sendo replicado, com poucas diferenças, pela Bemtevi. 

Perfil. Startups em estágio inicial, que precisam ser aceleradas, com ideias de negócio que podem beneficiar as pessoas com a criação de produtos que sanem algum tipo de demanda social em categorias como educação, saúde, habitação, inclusão digital, inclusão financeira, entre outros, são o seu público em potencial. Em comum, eles aplicam uma prática bem diferente das utilizadas pela indústria de investimento e concessão de crédito em relação ao pagamento dos empréstimos: o lucro obtido pela empresa financiada deve ser reinvestido nela – e não pago em dividendos, como é de praxe em bancos tradicionais. 

Para captar recursos que serão investidos nesses projetos, os empreendedores têm um grande desafio: convencer pessoas físicas de alta renda a “otimizar a filantropia” que fazem. “Falamos para o investidor que, em vez de colocar esse dinheiro a fundo perdido, ele pode aplicar conosco, porque devolvemos com inflação, se tudo der certo. Ainda assim, estou prometendo a ele um retorno abaixo do de mercado”, conta Luciano Gurgel, gerente de captação e investimento para o Brasil da Yunus. 

A Bemtevi capta recursos de pessoas física e jurídica, desde que busquem associar sua imagem a causas de impacto socioambiental.

O modelo, ainda incipiente no Brasil, já tem seus primeiros contemplados. A tendência é de que iniciativas como a da Yunus e da Bemtevi se tornem mais comuns no próximos anos, dado o grande potencial do Brasil e sua carência em soluções nas mais diversas áreas. São empreendimentos que buscam lucro e que passaram por diversas etapas até conseguirem o crédito. O amparo, inclusive, só é possível para aqueles que conseguem preencher todos os requisitos. 

Os empreendedores não precisam ter uma empresa consolidada para conseguir o crédito. Uma boa ideia pode ser o passaporte para um candidato. A Yunus faz também aceleração para amadurecer ideias e capacitar empreendedores. 

Quando estão adequados ao perfil procurado, os empreendedores testam suas capacidades e as do negócio com ajuda de uma ampla rede consultores. Ao alcançar um nível de excelência, aí sim podem vir a receber um empréstimo com prazos que variam de dois a sete anos para serem pagos. Na Yunus, os candidatos ainda precisam receber o aval do Comitê Global, na Alemanha. 

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