Felipe Rau/Estadão
Felipe Rau/Estadão

Coworkings se concentram nas regiões sul e oeste de São Paulo

Dos gigantes que ocupam um prédio inteiro aos instalados em uma casa que já foi hostel; veja 16 coworkings visitados pela reportagem dentre os 230 endereços mapeados em São Paulo

Letícia Ginak, O Estado de S.Paulo

29 de maio de 2019 | 06h03

O Estadão PME mapeou 230 espaços de coworking na cidade de São Paulo. Destes, 80 estão na região sul, 78 na zona oeste, 56 no centro da capital, 11 na zona leste e 5 na região norte. Visitamos 16 espaços espalhados pelo município. Abaixo, confira as particularidadees de cada um e a estrutura oferecida aos coworkers. 

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Avenida Paulista 

Centro financeiro dos mais emblemáticos da cidade e, por isso, visto como caro e inacessível, a Avenida Paulista passou a ser endereço de muitos microempreendedores individuais (MEIs) e pequenas empresas por meio dos coworkings. Dentre os 230 endereços reunidos, 26 espaços carregam esse logradouro em seu cartão de visitas, com uma concentração maior deles perto da Rua da Consolação 

1. Workplace 

A primeira impressão ao se chegar ao endereço é a de que o prédio é sisudo demais para abrigar um coworking. O edifício de número 1.842 é o logradouro também da Caixa Econômica Federal e do TRF da Terceira Região. E é nos conjuntos 155 e 158 da Torre Norte que empresas dividem o mesmo espaço no Workplace. Instalado há pouco mais de um ano ali, o local conta com 52 posições, entre compartilhadas e fixas, além de 35 salas privativas. Atualmente, o valor de cada posição é de R$ 590 por mês e o espaço ainda tem a opção de diária, com o valor de R$ 70 por hora. Cada posição tem direito a um locker (armário com chave de segurança). São duas salas de reunião com TV e pontos de conexão e tomadas. Com foco na geração de negócios, pitchs (rodadas com apresentação de ideias) acontecem uma vez por mês com a participação de três empresas, que expõem suas atividades durante 15 minutos. O local funciona atualmente com 68% de sua capacidade ocupada e planeja expansão pela cidade. Para tirar de uma vez por todas a impressão de seriedade exagerada imposta pelo prédio, às quintas-feiras tem coffee break às 16h30 para promover a integração dos coworkers das várias empresas. Av. Paulista, 1.842.

2. Gowork 

Aberto em 2012, o Gowork é uma das maiores redes de coworking em São Paulo. São 10 unidades, em bairros como Pinheiros, Itaim Bibi, Berrini e Av. Paulista. A Rappi, startup de entrega de produtos, é uma das empresas residentes. A marca passa atualmente por um processo de reformulação na arquitetura: acabou de implantar um terraço de 400 m² na unidade do Itaim, toca a construção de um terraço de 1.000 m² e de um estúdio numa unidade da Av. Paulista (a que fica no nº 302) e planeja uma incubadora na região do Parque Dom Pedro (perto da Sé). Na unidade visitada (nº 2.202), são 306 posições, com oito salas de reunião – cada residente tem direito a 4h por dia nessas salas. Cada posição (uma cadeira) custa R$ 900 por mês. Um dos destaques é a rede social própria da marca, a Networking GO, em que todos os residentes, incluindo os clientes que optam apenas pelo serviço de escritório virtual, podem divulgar seu trabalho para toda a rede. Av. Paulista, 2.202.

3. Club Coworking 

A cem metros da estação de metrô Consolação, o número 2.028 abriga dois andares do Club Coworking (com a previsão de mais um andar ainda neste ano). O ambiente agradável, com cadeiras ergonômicas e iluminação na medida, oferece 20 posições de trabalho compartilhadas e 36 salas privativas, separadas por vidros, nos quais é possível escrever desde recados até planilhas. Para as salas privativas, caso a empresa cresça o número de funcionários, é possível acrescentar novas posições sem a necessidade de mudança de espaço, pois os móveis são todos modulares. Três salas de reunião e duas cabines acústicas (para fazer ligações ou teleconferências) oferecem privacidade aos residentes. A recepção funciona das 9h às 19h de segunda a sexta-feira, mas o acesso 24 horas é permitido para os clientes do espaço. O café – coado e gratuito – é objeto de disputa entre os residentes. Das 17h às 19h, o chope está liberado para o momento da happy hour. Nas redes sociais e em formato de vídeo, a empresa abre espaço para os residentes mostrarem um pouco de seus trabalhos no pitch de negócios, como forma de networking. A diária custa R$ 59. A marca conta com outra unidade na Av. Pres. Juscelino Kubitschek, 1.327. Av. Paulista, 2.028. 

4. Eureka 

Dos fundadores do BikeTourSP (roteiro de bicicleta por espaços culturais realizado desde 2013), o Eureka é uma ode às magrelas. Inclusive, quem usar a bicicleta como meio de transporte principal para ir até o local tem 20% de desconto no valor da posição. Vestiários são parte da estrutura do local. Com cinco andares no prédio, dois deles fechados para empresas (como a Sympla, com 100 funcionários), o terraço é o grande atrativo. Além da vista, ele conta com um calçadão e uma ciclofaixa, em que os usuários podem andar de bike por lazer ou como medida de descompressão. Eventos e happy hour (os propostos pelo Eureka acontecem na 2ª sexta-feira de cada mês) também são realizados no espaço. No mesmo andar, há salas privativas (8) e posições compartilhadas (10). Ao todo, a capacidade é de 650 pessoas, com 12 salas de reunião e 9 phonebooths (salas especiais para ligações). O espaço trabalha com diárias (R$ 100 para a posição compartilhada) e planos mensais (R$ 850). Para os residentes, funciona 24 horas nos sete dias da semana. A rede possui outra unidade na R. Ernesto de Oliveira, 361, Vila Mariana. Av. Paulista, 2.439.

Pinheiros 

O bairro-desejo dos empreendedores não é reduto apenas dos restaurantes especialistas em uma comida só ou das marcas artesanais. No local em que o metro quadrado para aluguel comercial é o mais caro da cidade (R$ 55,57, segundo o índice FipeZAP de abril), os coworkings conquistaram espaço. A setorização em nicho do bairro também atinge o setor, com dois dos principais coworkings na categoria impacto social. 

5. Civi-Co 

Em meio a bicicletas e patinetes estacionados em uma pequena praça na rua sem saída Dr. Virgílio de Carvalho Pinto está o Civi-Co. O coworking reúne apenas negócios de impacto social (é preciso fazer uma entrevista para ser aceito como residente). Por lá, nada de ritmo acelerado ou comportamentos que remetem a pressa e urgência. A cozinha compartilhada, no terraço, é um convite para um almoço tranquilo e sem disputa por lugares. No mesmo ambiente, é possível fazer eventos das 18h às 21h para cerca de 80 pessoas. Com 150 posições ao todo (cada uma a R$ 1.100), o espaço conta com quatro salas de reunião, um estúdio (para fotos e vídeos), lockers e auditório para 80 pessoas. Há apoio de café e água em cada andar (são três, pelos quais é possível se deslocar em um elevador panorâmico, com vista para um grafite). O estacionamento é conveniado e a portaria funciona das 8h às 21h. R. Dr. Virgílio de Carvalho Pinto, 445.

6. Minds

Antes um hostel, há cerca de um ano o endereço continua reunindo pessoas em um mesmo espaço, mas agora para trabalhar. O coworking Minds tem cara de casa, com copa que favorece o bate-papo informal entre os residentes durante a pausa do dia. Uma espécie de quintal, com cadeiras, pequenas mesas e muito ar livre, funciona tanto como local para happy hour e reuniões mais descontraídas como espaço de trabalho para aqueles que precisam de uma inspiração a mais. Sobre as posições de trabalho, o foco do local são as salas privativas (9), preferência quase unânime dos residentes. Com quatro posições compartilhadas, há também uma sala de reunião. A casa, totalmente automatizada, atende os coworkers que precisam trabalhar fora do horário de funcionamento da portaria, que vai das 8h às 20h. O valor mínimo é de R$ 500 por mês. R. Francisco Leitão, 686.

7. Impact hub

Vizinho do Civi-Co, o Impact Hub também é um coworking que abre as portas para os negócios de impacto social. Um dos principais fundos de investimento do setor, o Yunos, é residente do local. Porém, empreendedores de impacto dividem o espaço com empresas que não necessariamente têm o impacto social como o foco do negócio. A estrutura tem cara de Vale do Silício, com uma arquibancada no térreo e salas chamadas de alcovas, em que é possível fazer uma reunião rápida ou mesmo tirar uma soneca. De cursos online para a formação de empreendedores de impacto a eventos sobre saúde e nutrição, o local leva a sério o sobrenome “hub”, com a promoção de eventos diversos para gerar não apenas o networking, mas conhecimento. Do lado de fora, há uma grande área ao ar livre - resquício da planta original, pois o local era uma fábrica de móveis – onde é possível trabalhar ou mesmo estacionar bicicletas. R. Dr. Virgílio de Carvalho Pinto, 433.

8. Youw 

O Youw ocupa há três anos um prédio de 10 andares em uma região que flerta com os ares de bairro de Pinheiros e com a agitação da Av. Brigadeiro Faria Lima. Para os interessados em trabalhar em um espaço compartilhado, mas ainda têm dúvidas em relação à estrutura, esse local é um dos exemplos que mostram a que os coworkings vieram. A lista é grande: 310 posições ao todo (entre compartilhadas, fixas, semi-privativas e privativas), salas de reunião (8), auditório (para 40 pessoas), lockers (armários), terraço, estacionamento, bicicletário, funcionamento 24 horas durante os sete dias da semana para os residente, e ainda diferentes modelos de planos, para atender as diferentes necessidades dos empreendedores. Há valor para diária (R$ 70), plano com 36 horas (R$ 252), estação fixa (R$ 750 por mês) e um plano para salas privativas (R$ 1.050 por mês). Av. Brigadeiro Faria Lima, 1.755.

Vila Olímpia + Berrini 

Grandiosidade é o sobrenome da região. São avenidas e pontes largas, prédios altíssimos e milhares de pessoas para lá e para cá, com múltiplas opções de mobilidade (carro, trem, ônibus, patinetes, bicicletas e os próprios pés). Os coworkings da área acompanham esse estilo imponente. Com prédios inteiros e redes globais de escritórios, o ato de compartilhar pode ser com o mundo todo. Seja de forma presencial ou online. 

9. Spaces 

Logo na entrada, o Spaces indica que o senso de comunidade é realmente praticado por lá. Ao contrário do padrão da região, não há uma portaria impessoal, mas um ambiente com corrente de ar fresco, luz natural e o Artur, cachorrinho adotado e que anda livremente pelo térreo. Há ainda uma área de convivência do lado esquerdo e um outro espaço pet friendly à direita. A rede global conta com 400 unidades, nas quais os residentes são sempre bem-vindos. No primeiro andar, todo compartilhado, fica a cozinha, as estações de trabalho e cabines para fazer ligações telefônicas. Além das indispensáveis salas de reunião (5), há um cinema ao ar livre, uma academia e um auditório (esses, no 6° andar). Bikes e patinetes têm estacionamento garantido e, para os adeptos dos carros elétricos, há um carregador de energia. O valor da posição é de R$ 1.099 por mês. Há mais duas unidades da rede na cidade, uma na Vila Madalena e outra na Vila Olímpia. R. Irmã Gabriela, 51.

10. CoDesign 

Uma pausa no corporativismo e um reduto para os negócios da economia criativa, principalmente os relacionados a arquitetura, design, moda e games. Essa é uma boa definição para o CoDesign, coworking que mistura as tradicionais salas de reunião e estações compartilhadas de trabalho (37 ao todo e 3 salas privativas) com uma biblioteca de amostras (tecidos, paleta de cores etc.), por exemplo. O ambiente, planejado e decorado na medida, é inspirador. Não é por acaso que o espaço é disputado, com 80% da capacidade ocupada atualmente. Há ainda uma impressora que atende o formato A3, item básico para designers, e um computador extra, de backup, com programas como o Photoshop instalados caso o residente tenha um contratempo de ordem tecnológica. Para fomentar o networking, os residentes que fizeram alguma viagem ou descobriram alguma tendência via de regra compartilham o conhecimento recém-adquirido com todos. A recepção funciona das 8h às 19h, mas o residente tem acesso 24 horas. A posição sai pelo valor de R$ 800 por mês. R. Fidêncio Ramos, 100.

11. CO.W 

Uma vila composta por galpões e contêineres coloridos. Esse é o cenário do CO.W unidade Berrini: moderno e muito decorado, com grafites, lambe-lambes e uma vaca amarela como símbolo. O espaço atende de pequenas empresas a gigantes da economia, como Carrefour e Oracle (são 40 empresas residentes no momento). A estrutura conta com 215 posições de trabalho ao todo, sete salas de reunião, lockers (cada posição compartilhada tem direito a um) e cozinha bem equipada. Um jardim, com uma grandiosa árvore no centro, é o ambiente para a desejada pausa diária ou ainda para a realização de eventos ao ar livre, que devem começar a partir das 18h. Há também um espaço de eventos formatado em um contêiner, para 70 pessoas. A rede conta com outras duas unidades na capital, uma no Itaim Bibi e outra na Vila Olímpia. O valor mínimo da posição é de R$ 670 (por mês). R. Jaceru, 225.

12. WeWork 

Com receita global de US$ 728 milhões entre janeiro e março deste ano, a WeWork é uma gigante do setor de coworkings. Tem 485 unidades em 105 cidades e 28 países, que podem ser usadas por todos os membros da rede. Eles somam uma comunidade de 466 mil coworkers, que estão interligados por meio de um aplicativo. Na cidade de São Paulo, são 10 endereços e, de acordo com a empresa, houve taxa de crescimento de 51% de PMEs (pequenas e médias empresas) desde 2017, quando se instalaram na capital. Nesta unidade da Faria Lima, o ambiente compartilhado comporta um mix de atividades, com pequenas reuniões, ligações e até massagem acontecendo ao mesmo tempo. São 11 andares (com três salas de reunião em cada um) e capacidade para 2.051 posições. O aplicativo da rede também tem as funções de agendamento em salas de reunião e acompanhamento das atividades de networking propostas pela empresa, como o pitch night. A indispensável happy hour acontece sempre na última quinta-feira do mês. O valor da posição muda de acordo com a unidade – nesta, é de R$ 1.400 (por mês). Av. Brig. Faria Lima, 4.055.

Coworkings de nicho

13. Trampolim Startup Café

No térreo do hotel Ibis budget da Consolação, existe mais do que um café com o objetivo de atender hóspedes que vêm e vão. O local respira empreendedorismo. Seja pelas contratações dos colaboradores (feitas em parceria com ONGs que atuam na formação de jovens para o mercado de trabalho), seja pelos quitutes do cardápio, nos quais prevalecem produtos feitos por pequenos empreendedores, ou mesmo pelo espaço em si. Logo na entrada, o luminoso de neon “coworking” já convida os clientes a trabalharem no espaço. Nas mesas, há pequenas telas em que é possível mostrar gráficos ou planilhas para quem se reúne no local. Há ainda uma cabine audiovisual, para fazer de vídeos a podcasts. Não há cobrança para usufruir do espaço. R. da Consolação, 2.303, Consolação.

14. hub/sp

Pufs coloridos, escorregador, escada estilo arena e muita gente andando e trabalhando pelo espaço. O hub/sp é um coworking que flerta com as principais características importadas do Vale do Silício, o berço das startups: gratuito e com a inovação como palavra de ordem. Foi construído em um prédio do governo do Estado de São Paulo, e a empresa P1 Digital, que ganhou o processo de licitação, é a responsável pela operação do local por dois anos. São 110 posições de trabalho, há auditório e salas de reunião. Iniciativas como um programa de aceleração, o hub/x, também fazem parte das atividades do local. Av. Escola Politecnica, 82, Jaguaré.

15. LAB Fashion

Pequenas marcas de vestuário ganham cada vez mais espaço no mercado da moda. Para empreendedores que desejam entrar no setor, mas não têm capital inicial para montar o próprio ateliê, há a possibilidade de se trabalhar em um coworking. O LAB Fashion é um deles. Com salas privativas (5), espaço compartilhado (22 posições, R$ 604 por mês cada uma), lockers e ainda um ateliê compartilhado (R$ 60 a diária), o espaço conta com manequins, máquinas de costura e materiais básicos, como linhas, agulhas e botões. Há ainda um estúdio para a produção de fotos e um terraço em que é possível fazer de eventos a pequenos desfiles. Por mais que a moda predomine no local, outras negócios da economia criativa são bem-vindos. Atualmente, um cartunista divide o espaço com marcas de moda, por exemplo. R. Dona Antônia de Queirós, 474, sala 16, Consolação.

16. Oficina da Mesa

Crescer o negócio quando o setor de atuação é o de alimentação não é uma tarefa fácil. Além de espaço, é preciso fornos, fogões e demais aparatos específicos que comportem o volume maior. É neste nicho que atua a Oficina da Mesa. Com forno combinado, câmara de fermentação, freezer, geladeiras, espaço para estoque seco (farinhas, açúcar e demais ingredientes do tipo) e uma outra cozinha separada, apenas para confeitaria (para que não haja interferência de sabor), o local atua há dois anos e meio na cidade. A partir de R$ 70 a hora, é possível alugar o espaço para testes de cardápio, produção para eventos ou mesmo como cozinha fixa para produzir todo o volume da marca. R. Cayowaá, 857, Perdizes.

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