Isván Wessel trabalha com cortes especiais desde 1964
Isván Wessel trabalha com cortes especiais desde 1964

Corte nobre tem espaço no Brasil do churrasco

Consumidor brasileiro busca cada vez mais as lojas especializadas em produtos diferentes, mas o mercado não é fácil

Vivian Codogno, O Estado de S. Paulo,

26 de junho de 2015 | 07h08

O Brasil cultiva e abate todos os anos cerca de 200 mil cabeças de gado. É dali que grandes marcas extraem carne para abastecer o varejo tradicional no País e alguns cortes específicos seguem para a exportação. E durante muito tempo, cortes como chorizo, ancho e kobe beef, considerados de qualidade pelo mercado, ficavam restritos a países da Europa e Ásia.

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Recentemente, entretanto, um movimento de empreendedores que buscam retomar no Brasil o consumo dessa carne que costuma, por tradição, ir para o exterior, fomenta o crescimento das butiques de carne. Ele são especializados na produção e comercialização desses itens para o consumidor final.

O consultor da Beef & Veal, Roberto Barcellos, explica que o consumo de carnes especiais no Brasil tende a crescer na esteira da ascendente sofisticação do consumo por parte da população. “O brasileiro está em uma fase de aprendizado de comer carne, processo que já aconteceu com o vinho, por exemplo. Nunca se falou tanto em carne como hoje”, afirma.

Para o especialista, por mais que os preços estejam oscilantes, o consumo dos cortes nobres demora a cair, uma vez que o produto é direcionado ao nicho de apreciadores do gourmet. “O churrasco é o verdadeiro prato brasileiro, não a feijoada. Tanto que o Brasil exporta esse formato. Agora, precisamos ser referência não apenas no modelo, mas também na qualidade da carne. Até então, os clientes preferiram os cortes argentinos e uruguaios”, pontua.

O conceito de carnes de qualidade já é trabalhado em São Paulo por marcas tradicionais como a Wessel, que está no mercado desde 1964.

Proveniente de uma família de imigrantes húngaros, István Wessel se orgulha de ser a quinta geração a cuidar da marca que, de acordo com o próprio empreendedor, trouxe o primeiro carpaccio e o primeiro hambúrguer premium para o Brasil, além de ter criado o modelo de embalagem a vácuo.

“Em 1974, fizemos a primeira casa de carnes sem açougueiro. Queríamos expandir e seria muito difícil controlar a qualidade se cada açougueiro oferecesse a carne de uma forma para os clientes. Mas as pessoas não entendiam, por isso, desenvolvemos toda uma forma de embalar para que o produto ficasse transparente aos olhos do cliente. Hoje, tudo que está no mercado é inspirado na nossa marca”, relembra.

Diante do panorama atual da economia, István precisou mudar algumas estratégias de negócios para manter a empresa competitiva. Entre elas, distribuir seus produtos para supermercados especializados em produtos gourmet e manter apenas um ponto de venda exclusivo, além da fábrica onde a carne é embalada.

“Vendemos uma matéria-prima que a pessoa tem de transformar em um prato, em uma refeição, gostar e voltar a consumir. Portanto, a marca só se fortalece se há padrão e regularidade. Uma coisa exclui a outra”, conceitua István.

O especialista em carnes da Scot Consultoria concorda com o empresário. “Padronização e regularidade são os principais pontos da carne gourmet e a maioria dos produtos não tem”, analisa.

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