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Contra assédio e 'golpes', empresária abre oficina mecânica de mulheres no Acre

Daniella Lima fez curso no Senai, investiu R$ 40 mil e conquistou as motoristas em Rio Branco

Vitor Tavares, O Estado de S. Paulo

27 de outubro de 2016 | 19h28

Com a missão de cuidar do carro da família, a acreana Daniella Lima via o filme se repetir toda vez que precisava ir a uma oficina mecânica: falta de explicação sobre os serviços feitos, preços abusivos e assédio por parte dos profissionais que ela estava contratando. Sem opção para fugir desse ambiente que considerava hostil, ela resolveu criar uma oficina feminina em todos os aspectos - na decoração, nas funcionárias e, claro, nas clientes que movimentam o seu negócio em Rio Branco, capital do Acre.

Para se dedicar por completo aos motores, carburadores e bombas de gasolina, a empresária passou os últimos três anos virando a vida ao avesso. Desempregada em 2013 após sair de um trabalho de auxiliar administrativa numa ONG, Daniella quis fazer um curso de mecânica de 4 meses no Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai). "Meu marido me perguntou porque eu não ia fazer um curso de cabeleireira, mas eu não quis nem saber, estava decidida. Tanto que, entre os moleques de 18 anos obrigados pelos pais a fazer o curso, eu me destaquei", disse.

A saída para o mercado aconteceu em parceria com um professor, com quem conseguiu um estágio em uma oficina "tradicional" em Rio Branco. Foi um ano inteiro de serviço diário não remunerado, que Daniella usava para acompanhar o conserto dos veículos pelos funcionários homens. O que ninguém esperava era que as mulheres motoristas passariam a procurar exclusivamente o serviço da nova profissional. "Não recebia salário, mas o dono da oficina começou a me deixar num canto separado, para eu fazer meus bicos. E foi aí que pensei que devia realmente iniciar um negócio", explicou Daniella.

O primeiro espaço da Rapidão Oficina Mecânica, em 2014, era alugado por R$ 800 e só cabia um carro. A procura foi grande e, pouco mais um ano depois, a empresária se mudou para um local maior, com espaço para 20 carros, equipamentos e até um lava jato. Para estruturar o negócio, Daniella desembolsou R$ 40 mil. Dois anos depois, a empresária já recuperou 50% do investimento e consegue manter o negócio com seis funcionários (dois homens e quatro mulheres), além manter sozinha a casa com a mãe e os três filhos - ela se divorciou do marido, que não soube lidar com sua nova vida de empreendedora.

Hoje, a clientela da oficina é 70% feminina e 30% de motoristas homens, normalmente indicados por esposas ou amigas. O crescimento do negócio, diz Daniella, é notável mês após mês, nesse marketing do boca a boca entre mulheres que ficam mais confortáveis com o serviço feminino. "Os homens que chegam desavisados, quando veem só mulheres, perguntam logo onde está o 'dono' da oficina. Me identifico e quase todos dão meia volta e vão embora", diz Daniella, que se orgulha em dizer que trabalha de bota rosa, brincos na orelha e maquiagem no rosto. A estrutura da Rapidão também tem um cuidado especial, com jardins bens cuidados e paredes pintadas de amarelo e roxo.

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