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Coreano lança 'iFood de um restaurante só' em SP

Radicado nos EUA, empresário planeja faturamento de R$ 10 mi no segmento, controlando a tecnologia, a venda e o preparo das refeições

Renato Jakitas, O Estado de S.Paulo

30 de novembro de 2016 | 17h26

Charlie Yi é nascido na Coreia do Sul, mora nos Estados Unidos e, há dois anos, toca de Nova York uma startup que hoje atende exclusivamente a zona sul da capital paulista. A empresa é um aplicativo para compra de comida por smartphone, negócio já consolidado no Brasil por iniciativa de empreendedores locais como Fabrício Bloisi e Felipe Fioravante, da iFood, e Ariel Burschtin, da Pedidos Já. A novidade, no caso de startup de Yi, é que dentro da plataforma todas as oito marcas de restaurantes cadastrados para fornecimento foram idealizadas, fundadas e controladas pelo próprio sul-coreano.

A Zipster, o nome da empresa, segue um modelo conhecido como O2O (que utiliza canais online para oferecer produtos e serviços offline), nicho que já é explorado pela Amazon e que, com o desenvolvimento da linha de carros autônomos, é tido como a próxima cartada da Uber. No Brasil, startups como Rapiddo, GetNinjas e Freelancer ganham relevância, enquanto estudos da Associação Brasileira de Serviços Online para Offline (ABO2O) apontam uma projeção de mais de R$ 1 trilhão em transações nesses aplicativos até o ano de 2020.

Na prática, Charlie Yi deve faturar R$ 3 milhões neste ano, com previsão de R$ 10 milhões para 2017. O segredo, ele conta, “está na disrupção de seu produto”, empregando o jargão da inovação entre empreendedores digitais. “Temos um modelo de negócio único no mundo”, disse ele na última sexta-feira, três horas depois de desembarcar no Brasil para um estadia de 20 dias (ele geralmente passa três semana nos Estados Unidos e uma no Brasil). 

Fisicamente, a empresa de Charlie Yi é um conjunto de seis casas no bairro do Itaim Bibi, onde oito marcas de alimentação, administradas como se fossem uma cozinha diferente cada, trabalham em função da demanda do aplicativo e da capacidade de entrega de 19 motoboys. “Nossa empresa não vai crescer tão rapidamente quanto a Pedidos Já. Mas a gente acredita que o nosso modelo é mais adequado para o futuro. Temos toda a qualidade controlada em uma estrutura verticalizada e a quantidade correta de opções para o cliente. As pessoas têm no máximo cinco lugares onde elas comem geralmente. Ninguém precisa de dez, 20 opções, isso é muita coisa.”

Lucro. Após construir uma carreira como executivo no mercado financeiro, Charlie Yi encontrou seu melhor momento como vice-presidente da Kozmo.com, uma companhia fundada pelos banqueiros Joseph Park e Yong Kang em 1998 e que prometia entregar em apenas uma hora de DVDs a comidas em diversas cidades dos EUA. Após obter US$ 250 milhões de investidores, incluindo US$ 60 milhões da Amazon, a empresa fechou em abril de 2001, atingida pelo estouro da bolha da internet.

Yi voltou às firmas de investimento e se aproximou do Brasil quando, em 2012, como diretor-geral da Cedrus Investments em Hong Kong, ele criou o Índice Sushi, uma variação do Índice McDonald’s, que avalia o ambiente de negócios de um país em função do preço de venda do Big Mac. “Quando vi o preço do sushi no Brasil eu disse, ‘uau’, é muito caro. Fui investigar e percebi que havia problemas de infraestrutura, de valor do aluguel dos restaurantes, mas que na verdade o sushi era e é caro no Brasil porque era caro, simples assim. A margem de lucro dos estabelecimento é muito alta. Daí, vi o tamanho da oportunidade que seria investir aqui”, destaca o empresário, que já levantou US$ 3,4 milhões em duas rodadas de investimento lideradas pela Monashees e agora quer expandir para Nova York. “Cada mercado é um mercado diferente. Mas estamos testando o modelo aqui no Brasil para levar para os EUA.”

Atualmente, o Zispter atende apenas um raio geográfico que vai do bairro do Itaim até a Vila Mariana. O plano é, em 2017, lançar outros seis restaurantes, totalizando 14 marcas.

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