Helvio Romero/AE
Helvio Romero/AE

Conheça a história de empresários que transformam o lixo em fonte de renda

Negócios adotam o reaproveitamento e reciclagem como oportunidade de negócio

CRIS OLIVETTE, OPORTUNIDADES,

10 de setembro de 2012 | 13h40

 Negócios tendo como alvo a reciclagem e o reaproveitamento de material atraem cada vez mais empresários. É o caso de Renato Soares de Paula. Há uma ano, ele deixou a operação da RS de Paula nas mãos de sua mulher para atuar exclusivamente na implantação do Programa de Logística Reversa de Cartões, desenvolvido por ele para reciclar cartões.

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Segundo De Paula, dados da Associação Brasileira de Empresas de Cartões de Crédito (Abecs) apontam que até julho deste ano foram produzidos no Brasil 772 milhões de cartões de crédito, débito e de redes varejistas. “Mas esse volume é maior, porque não foram computados os de assistência médica, de seguradoras, crachás, telefônicos etc”, afirma.

Seu projeto de reciclagem inclui a implantação de estações coletoras que inutilizam o material. O aparelho para esse fim foi criado por ele. “É uma forma de descarte segura e simples. Basta inserir o cartão na máquina e girar a manivela para picotá-lo.” De Paula afirma que o PVC dos cartões é 100% reciclável. “Mas, ao serem jogados na natureza, levam mais de 200 anos para se decompor.”

Ele está em contato com bancos, empresas de assistência médica, entre outras. Seu objetivo é convencê-los a assumir a responsabilidade pelo recolhimento dos cartões no momento do descarte. “Todos aprovam a ação e sabem que algo precisa ser feito. A aceitação está sendo muito boa. Por isso, acredito que o projeto será viabilizado.”

Até o momento, três estações coletoras já foram instaladas nas estações Sé, Conceição e Tietê do Metrô de São Paulo, e também em algumas empresas. “Em quatro meses, 148 mil cartões foram coletados, o equivalente a 740 kg de PVC. Os números ainda são pequenos, mas já tenho clientes que só querem trabalhar com cartão reciclado.”

O produto picotado vai para a RS de Paula, onde os pedaços que contém o chip e a tira magnética são separados dos demais. Esse material não tinha reaproveitamento, mas De Paula desenvolveu uma forma de compactá-los, formando uma placa usada para fazer capas de cadernos e de agendas. O restante da matéria-prima picotada é transformada em nova placa de PVC, usada na confecção de cartões reciclados.

Por enquanto, o empresário diz que sua experiência ainda não é muito rentável. Mas a situação é diferente para outros empreendedores do segmento.

Segundo um dos sócios da Trampo Gestão Sustentável de Lâmpadas, Carlos Pachelli, o processo de criação do sistema de descontaminação de lâmpadas fluorescentes começou em 2003, mas a empresa só passou a operar comercialmente no começo de 2008.

“Hoje, temos mais de 600 clientes e reciclamos cerca de 300 mil unidades de lâmpadas por mês. Recebemos o material de hospitais, universidades, montadoras de veículos, entre outros. A empresa emprega 17 funcionários e projeta faturar mais de R$ 3 milhões neste ano.

“A operação se paga, e o negócio é rentável.” Pachelli conta que são extraídos quatro subprodutos a partir das lâmpadas. “O vidro e o pó fosfórico são destinados para a indústria cerâmica, o terminal metálico vai para fundições e o mercúrio segue para institutos de pesquisa.”

A Sumer Plásticos aposta na reciclagem de polietileno de baixa densidade. Segundo o gestor da empresa, Cosmo Pacetta, a empresa produz mais de 200 tipos de perfis de PVC a partir de matéria-prima reciclada, e que são usados em acabamentos cerâmicos. “Mas a novidade é o batente para portas feito de poliuretano, que vamos lançar na próxima semana. Um batente de madeira pesa 20kg, mas o nosso pesa 3,8 kg. Se pensarmos em uma torre de 20 andares, o alívio estrutural chegaria a 15 toneladas.”

Pacetta diz que a Sumer foi criada há três anos e que o faturamento vem crescendo. “No primeiro ano faturamos R$ 300 mil, no ano seguinte R$ 500 mil. Para este ano nossa expectativa é de atingirmos R$ 800 mil.”

Com mais tempo de mercado, a Suzaquim Indústrias Químicas recicla resíduo industrial perigoso proveniente da indústria de galvanoplastia há 24 anos. “Mas, em 1997, passamos a reciclar também pilhas, baterias e lixo eletrônico”, conta a gerente técnica Fátima Santos.

Ela diz que a empresa recebe por mês 150 toneladas de pilhas e baterias e 900 toneladas de lixo eletrônico. Fátima conta que, antes, os óxidos e sais metálicos comercializados pela Suzaquim para a fabricação de corantes e tintas industriais eram produzidos a partir de matéria-prima extraída da natureza.

“Quando comecei a trabalhar na empresa, cuidei da adequação da fábrica para obter licença ambiental e passamos a reciclar esses resíduos. Hoje, a matéria-prima que usamos não causa mais impacto no ambiente. E evitamos que esses contaminantes atinjam a natureza.” A Suzaquim possui 79 funcionários e fatura R$ 12 milhões por ano.

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