Conheça a história de empresários de sucesso que já foram chamados de loucos

Empreendedores dizem como foi enfrentar a reprovação alheia até conseguirem vencer com as suas ideias

Gisele Tamamar, Estadão PME,

28 de março de 2014 | 11h56

Louco, doido ou maluco; tanto faz. A atitude de criar algo novo, fora do comum, ou de largar um emprego promissor para abrir um negócio do zero pode render ao empresário os mais variados adjetivos. Cabe ao profissional se planejar e provar que a loucura tem fundamento.

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“Quanto mais inovador, menos pessoas vão acreditar no sucesso do negócio. Normalmente, ser inovador está associado de uma certa forma a maluco”, pontua o professor de empreendedorismo do Insper, Marcelo Nakagawa. E o mundo está cheio de gente assim, que não deram ouvidos aos outros e resolveram seguir suas crenças.

Como exemplo, Nakagawa cita casos mundiais, como o de Phil Knight, que não se intimidou quando o pai riu da ideia de montar uma empresa de calçados esportivos. Ele criou a Nike. Ou quando Fred Smith recebeu uma nota C por seu plano de negócio para uma empresa de entregas expressas. Ele seguiu em frente e fundou a Federal Express.

Para aquele que tem dúvidas se quem o chama de louco está ou não com a razão, o conselho do professor Sigmar Malvezzi, da Fundação Dom Cabral, é fazer uma autoavaliação sobre suas competências. “É preciso avaliar o quanto se é capaz de ser resiliente e o que idealiza como um bom resultado de qualidade”, afirma Malvezzi, que é pesquisador em comportamento organizacional e desenvolvimento profissional. Os quatro exemplos de empresários contados a seguir seguiram em frente com suas ideias e não se arrependem. Confira.

André Kina, da 4BIO

No cargo de gerente financeiro na Procter & Gamble e com o casamento marcado para o fim do ano, o economista André Kina viu todos torcerem o nariz quando pediu demissão em junho de 2001 para realizar o sonho de empreender. “Queria montar meu negócio e tinha medo que se continuasse na carreira executiva, a barreira de saída ia cada vez aumentar mais. Ia ter filhos, ter benefícios e ter receio de tomar a decisão depois”, conta.

Sem ter nenhum projeto em mente, o desempregado Kina voltou para a sala de aula e, seis meses depois, quando bateu um certo desespero, investiu na área de autopeças com um primo. Resultado: o negócio foi mal e o prejuízo foi de R$ 50 mil.

A ideia de criar a 4Bio, empresa que comercializa medicamentos de alto custo, surgiu durante o curso de MBA. “No primeiro negócio não analisei, não conhecia o setor e não gostava muito da área. Foi diferente quando montei a 4BIO.”

A empresa faz a distribuição de produtos que em sua maioria exigem refrigeração e, atualmente, investe em serviços para os planos de saúde – André Kina faz o monitoramento de pacientes para melhorar o atendimento e reduzir os custos.

“Há mais casos de fracassos do que de sucessos. Eu conheço amigos que estavam no mesmo dilema e depois voltaram para a carreira executiva na primeira barreira. É mito que o empreendedor terá mais tempo e vai ganhar mais dinheiro. Na prática isso não ocorre. Trabalhamos muito e temos uma responsabilidade muito grande. Para a empresa crescer é preciso investir constantemente”, afirma o empresário que faturou R$ 92 milhões em 2013.

Fernando Perri, da Vivenda do Camarão

O negócio de Fernando Perri era a importação de máquinas copiadoras. Só que no início da década de 1980, só era possível comprar do exterior, quem também exportasse. Foi assim que, certo dia, o empresário viu-se com um container de camarões limpos e graúdos quando descobriu que as cotas de importação foram suspensas e a venda de camarão para o exterior não valia mais a pena.

Do susto à oportunidade, ele decidiu comprar um restaurante falido em Moema unicamente para escoar o produto. “Aí que apareceu a ideia de louco: imagina, vender só camarão. Vai ser um fracasso. Tem que por um bifinho, um filé de frango, as crianças vão comer o quê? É impressionante como as pessoas são pessimistas e acham que tudo que é novo vai dar problema. Quem apoiou foi só minha família mesmo”, lembra.

Mas já no dia da inauguração, a aposta se mostrou certeira: filas de clientes na porta do restaurante. A segunda unidade foi aberta dois anos depois e a empresa não parou de crescer. Virou franquia no fim da década de 90 e tem loja até nos Estados Unidos. Das 140 lojas, pouco mais de 40 são franquias. No ano passado, o faturamento da rede foi de R$ 170 milhões, com expectativa de ultrapassar os R$ 200 milhões neste ano.

“O que me fez não ligar para as opiniões divergentes é que eles não sabiam o que eu sabia. Fiz pesquisa de mercado. Por isso eu tinha tanta confiança. Isso é prudência. Eu não fiz nada imprudentemente. Fui chamado de louco porque os imprudentes não conheciam a forma de raciocínio de busca da informação”, contou.

Rodrigo Rosset, da Scarf Me

Até o dia de abertura da Scarf Me, Rodrigo Rosset não tinha ainda certeza se estava ou não cometendo uma sandice. Hoje ele não sofre mais com esse tipo de insegurança. A marca de lenços tem 17 pontos de venda, sendo que duas são franquias. Somente no ano passado, Rosset faturou R$ 12 milhões e viu seus produtos à venda em lojas de departamento mundo afora, como o Le Bon Marché, em Paris.

“A ideia foi criar uma marca desse acessório feminino que até hoje era super tradicional. Nós quisemos trazer o mesmo acessório com alta qualidade, como as grandes marcas de luxo fazem, só que vendendo de uma forma inusitada, irreverente e moderna”, afirma o empresário, que abriu a Scarf Me com o irmão Daniel.

As pesquisas para a abertura da marca duraram um ano e a primeira loja foi inaugurada em 2011, no ShoppingCidade Jardim, em São Paulo.  Rosset lembra que as pessoas achavam estranho o fato deles pegarem um produto tão clássico para vender em quiosques e corredores de shoppings. “Falavam que eu era louco. ‘Como você vai pegar um produto de seda premium e vender em um corredor. Tinha que estar em um vidro’”, conta.

Para quem está na dúvida de seguir com os planos de abrir o próprio negócio, Rosset aconselha: “você tem que acreditar no seu sonho. Muitas vezes você só vai saber depois de testar. O que muita gente percebe como loucura pode ser um super acerto no fim das contas.”

Gustavo Travassos, da Maxtrack, MXT e Denox

Gustavo Travassos passou pela Força Aérea, estudou direito, administração e psicologia, mas se encontrou mesmo como empresário. Na busca por inventar alguma coisa, ele pegou um avião para os Estados Unidos e se deparou com os equipamentos de rastreamento de veículos. Resolveu investir no Brasil e criou a Maxtrack.

Travassos foi chamado de maluco quando, ao se deparar com problemas de custos e fornecimento na importação do modem (acessório que conecta o rastreador à telefonia celular ou, mais recentemente, à internet), entrou em um avião para a China e, lá, montou uma empresa em parceria com engenheiros locais.

Com a questão do componente sanada, o problema agora era a montagem do rastreador em si. “No começo, não tínhamos volume (de produção) e as montadoras não aceitavam nossos pedidos. Resolvemos criar nossa própria fábrica. De uma empresa que nunca tinha montado nada, passamos a ser a linha mais moderna de MinasGerais em poucos meses”, relembra o empresário, que faturou R$ 108 milhões no ano passado e, agora, além da Maxtrack, é dono da MXT, fabricante de tablets, e acaba de lançar a Denox, que faz monitoramento remoto de casas e empresas.

“Nunca tivemos falta de responsabilidade com dinheiro. Isso é uma das chaves para conseguir dar esses passos. Faço uma conta: se eu perder, minha vida continua e não deixo ninguém no prejuízo”, revela.

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