Helvio Romero/AE
Helvio Romero/AE

Conheça a história de dois empresários que faturam milhões em setores difíceis da economia

Leandro Scabin (Diletto) e Clóvis Souza (Giuliana Flores) mostram o que é preciso para vencer no empreendedorismo

ESTADÃO PME,

05 de maio de 2012 | 17h30

 Uma startup de tecnologia faturar milhões de um ano para o outro já não surpreende muita gente. Mas e empresários que atuam em segmentos menos dinâmicos, como o de flores ou sorvetes? Os empreendedores Clóvis Souza, da Giuliana Flores, e Leandro Scabin, da Gelato Diletto, mostraram durante a 2ª edição do Encontro Estadão PME que é possível vencer em qualquer mercado.

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“Foi com a internet que a loja deu um salto”, relatou Souza. Ele inaugurou o seu comércio online na época em que a bolha das empresas conhecidas como ‘ponto com’ estava prestes a estourar. De fato, o mercado explodiu, mas a Giuliana Flores continuou crescendo e atualmente 90% do faturamento da empresa (R$ 26 milhões) vem da loja online.

Como a floricultura de Souza já vendia à distância, distribuindo catálogos e aceitando encomendas por telefone, a migração para a web ocorreu quase naturalmente – o site serviu para catapultar uma atividade que o empresário já praticava em menor escala.

Hoje, ele usa a internet não só para receber pedidos, mas também para saber o que o cliente acha da sua empresa. “Qualquer coisa que eu vou colocar no mercado lanço primeiro no Facebook”, revelou. O objetivo é observar o comportamento do consumidor nas redes sociais e, dessa maneira, aprimorar os produtos.

Mas não foi apenas o uso da internet que alavancou as vendas da Giuliana Flores. A companhia pegou carona no sucesso de negócios consolidados ao oferecer, junto com as flores, produtos de marcas como Kopenhagen,

Amor aos Pedaços e Ofner. “Ainda fiz uma parceria com o Boticário. Hoje brinco que até flores a gente vende.”

Assim como Souza, Leandro Scabin inovou dentro de um segmento no qual pouca gente enxergava possibilidade de crescimento rápido. Com a ideia de transformar o picolé em uma sobremesa sofisticada, ele criou a Gelato Diletto em 2009 com mais dois sócios. O produto caiu no gosto do consumidor e o negócio já está em dois mil pontos de venda e fatura R$ 15 milhões por ano. “A gente cresceu muito rápido. A empresa contratava um funcionário a cada três dias”, lembrou Scabin.

O desafio do empresário e de seus sócios, atualmente, é aumentar a produção sem afetar o sabor do picolé que faz tanto sucesso. Mas Scabin demonstra que faz a lição de casa ao revelar sua estratégia. “Para uma receita que usa framboesa da Patagônia, a gente compra da maior fazenda daquela região porque, se um dia a empresa virar global, não vai precisar trocar de fornecedor”, explicou. “Tem gente que lança um produto artesanal e quando a empresa cresce um pouco já não usa o mesmo fornecedor. Aí o cliente percebe a diferença e se sente enganado”, concluiu.

Consumidores

Outra estratégia atualmente em execução na Diletto é dar atenção a todos os clientes que entram em contato com a empresa. “No site de um grande varejista, a pessoa manda um e-mail, diz que não gostou do sorvete, e a reclamação morre ali mesmo. Então falamos: ‘Vamos criar um SAC que funcione’. Hoje recebemos de 500 a 600 e-mails por dia e tratamos isso como prioridade.” Scabin diz que não é raro ele mesmo responder pelo celular as mensagens. E fora do horário comercial. “Se a pessoa manda às 22h e você responde às 22h02, ela fica super feliz.”

Para Clóvis Souza, outra maneira de atender bem o consumidor é assumir os erros cometidos. “Por exemplo, se você atrasa uma entrega, pode ser o caso de dar o produto de graça. É melhor perder dinheiro do que perder o cliente”, afirma.

Os dois empresários acreditam que o cenário econômico nacional melhorou. “Hoje está mais fácil empreender”, afirma Clóvis Souza. Ele parece saber o que fala, afinal, no início a Giuliana Flores superou os males causados pela inflação e crise cambial. “A gente vive um bom momento histórico”, concorda Scabin, que abriu sua empresa no ano seguinte ao da crise norte-americana. Mas ele faz uma ressalva: “A burocracia e os gargalos de infraestrutura ainda atrapalham muito”.

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