Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

Confiança de micro e pequenas empresas atinge maior nível desde dezembro

Índice cresceu pelo segundo mês consecutivo e atingiu 93,5 pontos, segundo levantamento do Sebrae com a FGV; resultado reflete uma retomada da atividade econômica

Redação, O Estado de S.Paulo

14 de junho de 2021 | 16h42

Pelo segundo mês consecutivo, o Índice de Confiança de Micro e Pequenas Empresas (IC-MPE) cresceu e, em maio, registrou 93,5 pontos, o maior nível desde dezembro de 2020. O resultado é 5,4 pontos superior ao de abril e reflete a expectativa de retomada das atividades econômicas. A tendência de recuperação é vista nos setores de comércio, serviços e indústria, como mostra a pesquisa Sondagem de Micro e Pequenas Empresas, realizada pelo Sebrae em parceria com a Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Todos os três principais setores da economia tiveram resultados positivos, mas comércio e serviços se destacaram, com aumento de 10,6 pontos e 7,2 pontos, respectivamente. Para o comércio, essa melhora foi motivada pelo aumento da satisfação com a situação atual dos negócios, o volume de demanda atual e melhora das perspectivas de vendas para os próximos três meses. No caso de serviços, o setor viu aumento da demanda atual e melhora do otimismo em relação à tendência dos negócios nos próximos seis meses.

Na indústria, que cresceu 1,9 ponto no índice de confiança, o presidente do Sebrae, Carlos Melles, chama a atenção para a expectativa de geração de vagas de emprego nos próximos três meses. O cenário vem após meses de sinalizações de demissão, o que se reverteu agora em maio, com as MPE (micro e pequenas empresas) do setor sinalizando que pretendem contratar no curto prazo.

"Uma das possíveis razões pelo otimismo por parte das MPE é o fato de que as medidas restritivas têm sido flexibilizadas, além da possibilidade do aumento na oferta de vacinas para a população em geral", analisa Melles. "Em maio, além do Dia das Mães, a diminuição do número de casos e mortes por coronavírus, a ampliação do programa de imunização, a manutenção do auxílio emergencial e de programas que favorecem os pequenos negócios, como a MP do Bem, contribuíram para a melhora do otimismo das micro e pequenas empresas",completa.

Segundo ele, esse indicador reflete a economia atual dos pequenos negócios e revela uma continuidade no movimento de recuperação. Em comparação, o índice geral de confiança das empresas de todos os portes ficou em 96,7 pontos.

Comércio e serviços mais confiantes

Com maior incremento de confiança, o setor de comércio passou de 79,9 pontos em abril para 90,5 em maio. Nos últimos dois meses, a recuperação foi de 22 pontos. O presidente do Sebrae comenta que, dentro desse setor, o comércio de material de construção foi o destaque, com aumento de 7,7 pontos e total de 90,2. Esse é o maior nível desde setembro de 2020 (91,0 pontos).

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Já a área de serviços, uma das mais afetadas pela crise sanitária e econômica, apresentou bons sinais de recuperação e subiu 7,2 pontos no índice, totalizando 86,9 pontos, maior nível desde fevereiro de 2020 (95,1 pontos), antes da pandemia.

"Por ser a segunda alta consecutiva e consistente, esse índice dos Serviços pode indicar um melhor cenário para o setor no curto prazo", avalia Melles. O segmento de prestação de serviços às famílias foi o que mais contribuiu para a alta desse mês, seguido por transporte, serviços profissionais e informação e comunicação (5,1 pontos).

No caso do setor industrial, que teve cinco meses seguidos de queda, o Índice de Confiança das MPE subiu pouco e atingiu 97,7 pontos. A alta recupera apenas 9,2% das perdas dos últimos meses. "Apesar dos problemas com níveis de estoque e da alta da inflação, principalmente entre as indústrias alimentícias, o avanço da confiança das MPE na indústria foi influenciado por melhores perspectivas para os próximos meses e pela expectativa de contratações para os próximo três meses", diz Melles.

O segmento de vestuário foi o que mais teve impacto para a melhora do setor, com alta de 14,8 pontos, levando a 87,9 pontos, após cinco quedas consecutivas. Já o segmento de alimentos teve queda de 4,5 pontos, chegando a 82,4 pontos.

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