Nilton Fukuda/Estadão
Nilton Fukuda/Estadão

Confeitaria vegana brilha no Natal até com glitter mineral

Fornecedores e confeiteiros dão cor e forma a panetones e doces variados sem ingredientes de origem animal

Luísa Laval, O Estado de S.Paulo

27 de novembro de 2019 | 05h50

Especial para o Estado

O Natal está chegando e, com ele, cresce a procura por panetones e doces para festas, inclusive entre o público vegano. Da produção à mesa, os confeiteiros que trabalham com culinária vegana dão a garantia de que todo o processo é feito de acordo com a filosofia dos clientes: sem nenhum tipo de dano a animais, direta ou indiretamente. Para isso, é preciso encontrar fornecedores de confiança.

Na empresa Fab, fundada em 2016, a rede de clientes inclui mais de 300 confeiteiros em busca de seus produtos minerais para a decoração de bolos e doces, como brilhos, gel e pós metálicos.

“Nós vimos a necessidade no mercado: as pessoas procuravam certas cores, com brilho, com cintilância, e tinham uma dificuldade muito grande de achar no mercado brasileiro”, conta o fundador da empresa e engenheiro químico Fernando Giannini, de 55 anos.

Os pós coloridos não foram pensados especificamente para os veganos, conta ele, mas acabaram ganhando esse público. Eles são feitos com minérios naturais, como os utilizados em produtos de maquiagem. No Natal, a venda das cores vermelho rubi e vermelho Natal chega a crescer 60%.

“A maioria dos outros glitters no mercado possuem plástico na fórmula, o que faz mal à saúde. Os veganos utilizam nosso glitter inclusive no Carnaval também por ser biodegradável”, afirma Giannini.

Com sede em São Bernardo do Campo (SP), a Fab conta com 30 funcionários e comercializa cerca de 50 produtos. Entre eles, há pós e glitter em 32 cores, com possibilidade de expansão para breve.

Quem também registra uma alta na produção durante o Natal é a fábrica de chocolate Ouro Moreno, fundada por Haroldo Guimarães, de 87 anos. Vegetariano desde adolescente, ele produz chocolates orgânicos em barra e para uso culinário apenas com manteiga de cacau, açúcar orgânico e castanhas. Sem leite ou derivados.

Antes de entrar no mercado, Guimarães chegou a produzir queijo, caldo de cana, bananada e até água de coco na propriedade da família, em Barretos (SP). Há cerca de 15 anos, ele criou a receita do chocolate orgânico e, hoje, conta com dez funcionários.

Para quem viu a demanda por produtos veganos crescer ao longo da última década, a empresa também viu ficar maior a disputa entre os fabricantes. “A demanda aumentou junto com a oferta. A gente continua crescendo, apesar da multiplicação da concorrência. O que contribui é que nossos clientes são muito fiéis”, afirma Beatrice Guimarães, gerente de marketing da empresa. Para este Natal, é estimado um aumento de 20% nas vendas.

Dando forma a ‘vegottones’

Para Renata Dias, de 28 anos, não basta uma confeitaria livre de ingredientes derivados de animais: é preciso estar tão ou mais gostoso que as comidas tradicionais do Natal. Nesse espírito, criou receitas de “vegottones”, rabanadas e biscoitos, totalmente veganas. “A minha ideia é fugir do óbvio. É mostrar para as pessoas que um vegano pode comer normalmente, não só salada ou doces sem gosto.”

Há cerca de três anos, Renata adotou o veganismo e, seguindo os passos de cozinheira da mãe, passou a usar a cozinha de casa para testes. Começou vendendo salgados veganos em diversos pontos da cidade onde mora, Brasília, utilizando um carrinho semelhante ao da mãe, Maria Amélia. Rapidamente vieram as encomendas, e Renata expandiu a produção para doces e bolos.

Hoje, a filha aluga um espaço na fábrica da mãe para sua produção de confeitaria exclusivamente vegana e prevê inaugurar a própria cafeteria nos próximos meses. Em algumas de suas receitas, usa tanto os pós coloridos da Fab quanto os chocolates da Ouro Moreno. Ao produzir doces e bolos, nada de ovo ou leite.

Na época natalina, a empreendedora diz receber dez vezes mais pedidos de doces e “vegottones”. “No ano passado, eu levava um travesseiro para a fábrica e dormia no escritório da minha mãe. Cheguei a recusar pedidos por causa da procura, mesmo tendo contratado duas pessoas para me ajudar”, conta.

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