Celso Junior/AE
Celso Junior/AE

Como vencer a concorrência com os produtos importados

Disputa entre produtos nacionais e estrangeiros se acirra e exige que empresas brasileiras se adaptem ao novo cenário

Carolina Dall'Olio, do Estadão PME,

03 de novembro de 2011 | 07h09

Com o crescimento da economia brasileira e a crise internacional, mais empresas estrangeiras passam a olhar para o nosso mercado ­– o que acirra a concorrência entre os produtos nacionais e os importados. Uma pesquisa realizada com 400 empresas em agosto pelo Sindicato da Micro e Pequena Indústria do Estado de São Paulo (Simpi-SP) mostra que, para muitos negócios de pequeno porte, essa disputa pode provocar sérios danos.

De acordo com o estudo, 43% das empresas entrevistadas já sentiram os efeitos da oscilação do dólar e da entrada de novos produtos importados no Brasil este ano. Entre elas, 31% deixaram de contratar funcionários, 22% demitiram e 10% passaram pelas duas situações: deixaram de contratar e precisaram fechar postos de trabalho.

O que fazer então para vencer a disputa, cada vez mais acirrada, com os importados? A resposta não é simples. Mas passa pela capacidade que a empresa apresenta de se adaptar às alterações do cenário econômico.

“Sempre ocorrerão mudanças na economia, mas elas não devem ser temidas. Para enfrentá-las, portanto, as empresas precisam ter um planejamento estratégico que permita que elas cresçam mesmo diante de dificuldades”, afirma Alexssandro Mello, coordenador técnico do curso de Pós-Graduação em Administração para Pequenas e Médias Empresas da FIA.

Custo x benefício

Para Mello, o primeiro passo é analisar toda a cadeia produtiva, do início da fabricação à forma como aquele produto é consumido. As pequenas e médias indústrias, que são as que mais sofrem concorrência dos importados, não podem considerar que seu trabalho termina quando o produto sai da fábrica. “É preciso enxergar todo o caminho que o produto percorre. Só assim o empresário será capaz de diferenciar o que gera custo na produção e o que gera benefício”, declara Mello.

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O professor cita a fabricante de sorvetes Diletto, de médio porte, como exemplo. A empresa comprou freezers para instalar nos pontos em que seu produto é vendido. “À primeira vista, isso poderia ser encarado como um custo. Mas não é. Trata-se de um fator gerador de benefício, pois o freezer ajuda a dar visibilidade para o produto e reforça a marca na cabeça do consumidor”, afirma.

De acordo com Mello, ao separar corretamente o que é custo e o que é benefício, a empresa ganha instrumentos para manter o equilíbrio financeiro em diferentes cenários econômicos. “A partir daí, é possível  criar estratégias para aumentar os benefícios quando os custos aumentam, mantendo assim a competitividade do produto”, diz o professor. “Ou então reduzir custos que não comprometam a qualidade do produto.”

Inovação e segmentação

Para o economista Tharcisio Souza Santos, coordenador do MBA da Faap, é preciso inovar para competir com produtos que têm um custo de produção mais baixo, como os chineses. “A saída é oferecer um diferencial que possa justificar um custo mais alto”, destaca.

Santos reforça que, para inovar, é preciso contar com mão de obra qualificada dentro da empresa. “Mas como há escassez de profissionais deste tipo no mercado, as empresas precisam investir muito em treinamento”,  destaca o economista.

Para as empresas exportadoras, que sofrem competição ainda mais feroz, Santos defende a aposta em um nicho de mercado. “O empresário precisa identificar uma lacuna, uma área mal explorada, e centrar suas forças ali”, aconselha Santos. “É uma forma de driblar a concorrência.”

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