Bobby Yip/Reuters-2/2/2015
Bobby Yip/Reuters-2/2/2015

Como trabalhar a sucessão familiar nas empresas?

Para gerente do Sebrae-SP, ao exemplo da gigante Alibaba, unir experiência e inovação na busca de soluções ajuda a evitar traumas sucessórios

Redação, O Estado de S.Paulo

04 de junho de 2019 | 09h59

Por Paulo Sérgio Franzosi, gerente regional do Sebrae-SP

Gonzaguinha cantava a alegria de ser um eterno aprendiz. A bela letra e a melodia desse clássico da música brasileira nos ajuda a iniciar, de forma bem leve, a tratar de um tema que é bem complexo e, por vezes, traumático: a sucessão familiar nas empresas.

O choque de gerações e as intransigências no trato cotidiano afetam os relacionamentos e, consequentemente, a transição no comando de um negócio familiar. Não são raros os conflitos entre pais e filhos, tios e sobrinhos na tomada de decisões.

Para que o processo seja sadio, o primeiro passo é assumir, com diz a canção, que somos eternos aprendizes. O segundo é reconhecer que nem tudo o que é novo é bom e que nem tudo o que é velho é ruim.

Ou seja, ter consciência de que há sempre o que aprender, respeitando a conhecimento acumulado dos mais experientes, sem, no entanto, deixar de acompanhar as inovações que aperfeiçoam a gestão das empresas.

Essa conduta deve vir acompanhada de diálogo e planejamento a curto, médio e longo prazos. A transição deve definir etapas, e as metas devem ser claras. O caminho é implantar, portanto, uma gestão compartilhada, priorizando as boas práticas.

O sucesso é respeitar o legado do dono da empresa e o frescor das novas ideias dos sucessores. Jayme Garfinkel, presidente do conselho de administração da Porto Seguro Seguros, me disse certa vez que o ideal é que os sucessores compartilhem a vida da empresa desde o início, mesmo que não tenham, ainda, noção das responsabilidades de um processo gerencial. Todos têm a aprender e o negócio só tem a ganhar.  

Quando Jack Ma, cofundador da Alibaba, decidiu sair do cargo de presidente do conselho da empresa, divulgou uma carta anunciando e explicando as mudanças para clientes, acionistas e funcionários. Mesmo que não seja um caso de sucessão familiar, traz lições importantes.

* Uma transição pensada

Jack Ma articulou a sucessão ao longo de dez anos, aperfeiçoando, durante o período, as boas práticas de governança corporativa e a consolidação de uma cultura de desenvolvimento de talentos.

* Uma transição planejada

Durante um ano, o executivo decidiu permanecer como presidente executivo, acompanhando o seu sucessor, Daniel Zhang, para garantir uma transição tranquila e bem-sucedida.

O case da gigante chinesa pode ser aplicada aos empreendimentos familiares. Ao unir a experiência e a inovação na busca de soluções, acompanhado de planejamento, os traumas sucessórios podem ser evitados. 

Como afirma Jack Ma, "tendo sido treinado como professor, sinto-me extremamente orgulhoso do que alcancei. Professores sempre querem que seus alunos os superem, a coisa responsável que eu poderia fazer por mim e pela empresa é permitir que pessoas mais jovens e talentosas assumam cargos de liderança para que herdem nossa missão de facilitar a realização de negócios em qualquer lugar".

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