Não conquistar objetivos como empreendedor também é importante para os futuros sucessos
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Como ser bom em fracassar

O fracasso faz parte da vida de todo empreendedor. Mas quem disse que isso é ruim?

Lisa Curtis, Endeavor,

03 de setembro de 2015 | 07h17

O ano passado me ensinou muito sobre fracasso. Ao que tudo indica, foi um ano de sucesso. Meu negócio cresceu do zero para 200 lojas, nós aparecemos múltiplas vezes em rede nacional de TV e levantamos US$ 500 mil em investimentos. Ao mesmo tempo, não existe um só dia em que não sou rejeitado por todos — desde clientes em potencial até fregueses da rede de supermercados.

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Quando você almeja a Lua, você será atingido pela rejeição bem antes de alcançar qualquer estrela. Eu descobri que a chave para prosseguir na jornada é não deixar que o ato de fracassar te faça sentir um fracasso. É aí que entra o otimismo. Séries de pesquisas já demonstraram que otimistas são mais bem sucedidos que pessimistas. Pessoas que enxergam o copo metade cheio fazem mais dinheiro, têm casamentos melhores e vivem mais do que os cínicos mundo afora. Otimismo é um atributo particularmente importante para os empreendedores.

Otimistas se confortam com a glória do topo da montanha e presumem que os vales vão passar. Pessimistas estão mais suscetíveis a desprezar o sucesso, taxando-o de casualidade, e a culpar a si mesmos quando coisas ruins acontecem.  

Minha empresa, Kuli Kuli, embarcou numa montanha-russa recentemente quando nós aparecemos no programa MSNBC’s Morning Joe, sendo avisados com apenas dois dias de antecedência. Nós decidimos testar um novo produto, nossa Moringa Superfood Powder, uma semana antes, para ver seu desempenho nas vendas online antes de lançá-la nas lojas. No dia em que aparecemos no Morning Joe, nós recebemos US$ 30 mil em pedidos, a maioria querendo a nossa moringa Superfood Powder. Naquela ocasião, tínhamos 50 unidades do produto no estoque e fazíamos todos os procedimentos de pedido e entrega por nossa conta.

A glória de aparecer em cadeia nacional de tv desapareceu rapidamente quando eu comecei a receber vários e-mails raivosos de clientes acostumados com o estilo de entrega em 2 dias da Amazon. Nós procuramos nossos fornecedores de moringa em cooperativas de Gana. Conseguir extrair as folhas das árvores e colocá-las em jarros demorou mais do que o habitual, tendo em conta o grande número de pedidos e a falta de aviso prévio. Combinado ao fato de que somos um time pequeno e desacostumado a atender milhares de pedidos por nossa conta, os pessimistas poderiam dizer que nós tínhamos ido longe demais e deveríamos parar de fazer grandes aparições na tv até que estivéssemos prontos. Mas o otimista dentro de mim insistiu que tudo isso era uma oportunidade de aprendizado e de crescimento.

Nós trabalhamos bem de perto com nossos fornecedores, para nos certificar de que sempre teríamos a quantidade suficiente de moringa no estoque para atender à demanda. Nós também descobrimos uma ótima casa de entregas online que empregava pessoas com autismo, deixando-nos aptos a atender rapidamente grandes demandas e, ao mesmo tempo, manter a coesão com nossa missão social.

Falhar é, absolutamente, a melhor forma de aprender. Tanto que os empreendedores de startups chamam isso de pivotear (ou simplesmente pivô). Se quiser transformar uma má situação em um pivô, você precisa estar em um momento de desânimo e voltar a focar no que você pode aprender de bom nessa situação de fracasso.

Restabelecer o foco no lado positivo da coisa não é fácil, especialmente quando suas perspectivas são sombrias. Mas, assim como você pode treinar seu corpo para se adaptar em corridas de longa distância, você pode treinar sua mente para a positividade na tomada de decisão. Para mim, isso significa tirar um momento ao fim de cada dia para escrever sobre alguma coisa que deu certo. Uma experiência demonstrou que fazer isso por uma semana estimula felicidade em até 6 meses.

Em uma cultura tão focada no sucesso, é fácil esquecer a importância do fracasso. Se você não está falhando, você não está dando o melhor de si. Aprender como ser otimista em vez de fazer o contrário é a chave — transformar desafios em aprendizados é a maior habilidade que cada empreendedor pode aprender.

Lisa Curtis é fundadora e CEO da Kuli Kuli

Essas informações foram publicadas originalmente no portal da Endeavor.

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