André Lessa/AE
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Como investir o lucro da sua empresa

Saiba o que o empresário deve considerar antes de escolher uma aplicação financeira

Carolina Dall'Olio, Estadão PME,

12 de março de 2012 | 07h27

Na hora de optar por um tipo de aplicação financeira, pessoas físicas e pessoas jurídicas devem seguir critérios completamente distintos – especialmente quando se trata de uma pequena empresa. “Além de estudar a rentabilidade da aplicação e seu tempo de resgate, o dono de um pequeno negócio deve lembrar também que pode usar o investimento como forma de construir um bom relacionamento com o banco”, afirma o economista Miguel de Oliveira, vice-presidente da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac).

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Para auxiliar o empresário na tarefa de descobrir qual é a melhor forma de investir o lucro da empresa, o Estadão PME ouviu especialistas em finanças. A seguir, confira as principais dicas:

Plano financeiro

Para Dariane Castanheira, professora e consultora do Programa de Capacitação da Empresa em Desenvolvimento (Proced-FIA), um pequeno negócio não pode decidir por nenhuma aplicação financeira sem antes elaborar um plano financeiro que contemple as ações previstas para os próximos três anos. “É preciso fazer uma projeção do fluxo de caixa e estudar quais são os gastos necessários para aumentar a estrutura da empresa e, consequentemente, as vendas”, ensina Dariane. “A partir daí, o empresário terá uma previsão de receitas e despesas ao longo do tempo e poderá analisar quais são as necessidades as prioridades do negócio.”

Prazo de resgate

Talvez, sob a ótica das pequenas empresas, este seja um dos principais aspectos a serem observados na hora de investir. “O tempo de resgate de cada aplicação é um dado fundamental porque, normalmente, a pequena empresa não tem muita gordura para queimar. Ou seja, qualquer alteração na projeção de vendas pode significar um buraco no caixa - o que levará a empresa a recorrer a uma reserva de capital imediatamente”, argumenta o economista Miguel de Oliveira.

Investimentos que pedem um prazo de resgate mais longo (como as ações da Bolsa de Valores, por exemplo) são, segundo Oliveira, menos indicadas para empresas de pequeno porte. “As aplicações de renda fixa (como fundos de investimento, CDBs e Tesouro Direto) têm uma previsibilidade maior, o que costuma se adequar mais ao perfil dos pequenos negócios”, observa o economista.

Relacionamento

Para Oliveira, os empreendedores não podem nunca esquecer que capacidade de investimento lhes dá poder de barganha. “Os pequenos negócios costumam sofrer para conseguir tomar empréstimos e financiamentos nos bancos. Por isso, as empresas que têm capital para investir podem se considerar privilegiadas e devem usar isso a seu favor, como forma de construir um relacionamento mais sólido com as instituições financeiras”, sugere Oliveira. Os negócios nessa situação podem solicitar taxas mais atraentes e terão um bom histórico com o banco caso precisem pedir um empréstimo no futuro.

Rentabilidade

Mas, no fim das contas, o que interessa ao investidor é mesmo a rentabilidade oferecida por cada aplicação financeira. Ela aumenta à medida que o risco também cresce – portanto, não deve ser utilizada como único parâmetro para tomada de decisão do investidor. “É preciso ponderar todos os aspectos, combinar as metas da empresa com o prazo de resgate e rentabilidade de cada aplicação, para só então decidir”, aconselha Dariane.

Por fim, a consultora do Proced-FIA faz uma ressalva importante: “Seria um bom sinal se o empresário considerasse que a melhor coisa a fazer com o lucro é reinvesti-lo na sua própria empresa. Isso mostraria que o negócio tem boa rentabilidade e boas chances de prosperar.”

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