Nilton Fukuda/Estadão
Nilton Fukuda/Estadão

Como faturar R$ 9 milhões com orgânicos

Participar da cadeia produtiva de grandes empresas auxilia o agricultor a ter produtos com mais qualidade

Rodrigo Rezende, Estadão PME,

19 de maio de 2014 | 06h26

Vender para grandes empresas pode ser um bom negócio para os agricultores. A fazenda Direto da Serra, de Mogi das Cruzes (SP), por exemplo, faturou pouco mais de R$ 9 milhões no ano passado e quase metade desse montante (47%) veio da produção de orgânicos para a rede Pão de Açúcar.

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A parceria, que começou em 2004, conta o proprietário da fazenda, Roberto Hideki Umeda, ganhou importância quando o pequeno negócio passou a produzir itens para a marca própria do grupo, conhecida como Taeq. Atualmente, a fazenda abastece 42 lojas do Pão de Açúcar com frutas, legumes e verduras orgânicas. São cerca de 11 mil unidades por dia.

"Procuramos o grupo e conhecíamos o suporte técnico que iríamos receber. Isso foi muito atraente para efetivarmos a parceria", conta Umeda. Segundo o empreendedor, a estrutura do Pão de Açúcar ajudou. "Sozinhos levaríamos muito mais tempo para crescer."

O negócio com a rede de supermercados ocorreu por iniciativa do pequeno empreendedor paulista, mas o Sebrae acredita que pode estimular cada vez mais esse tipo de parceria. No ano passado, a entidade tirou do papel, em Santa Catarina, um programa para auxiliar tecnicamente os produtores que atendem por meio de cooperativa a Aurora Alimentos.

"O desafio (para os produtores) é ter qualidade e cumprir os prazos de entrega", afirma Carlos Alberto dos Santos, diretor técnico do Sebrae Nacional. A região conta atualmente com 62,3 mil associados.

Um dos agricultores beneficiados pelo programa é Antônio José Maldaner, dono de uma propriedade familiar em Pinhalzinho (SC). As 25 vacas de Maldaner produzem mensalmente 10 mil litros de leite. O negócio ainda cria 1,2 mil suínos e 198 mil aves para o abate todos os anos. Maldaner fatura R$ 30 mil por mês, em média, e o seu lucro é 30% desse valor.

O empreendedor considera que a parceria com a grande empresa o ajudou a se desenvolver. "Recebemos um apoio técnico para melhorarmos a qualidade dos produtos e o valor deles. Houve um ganho", diz.

A professora da Esalq/USP Marly Teresinha Pereira ressalta que parcerias desse tipo podem ser interessantes para o pequeno produtos. De acordo com a especialista, apesar de casos esporádicos, individualmente é quase impossível o pequeno produtor ingressar na cadeia de valor de uma grande empresa.

"O caminho é por meio de cooperativas." Outro caminho a ser trilhado por esses empresários, segundo Marly, é contar com o governo como cliente e oferecer, por exemplo, alimentos para a merenda escolar.

Debate. O encadeamento produtivo será tema de evento promovido pelo Sebrae, nos dias 21 e 22, em São Paulo. O encontro vai debater as parcerias entre grandes e pequenos negócios na agricultura e nos demais grandes setores da economia.

"Tornar empresas brasileiras multinacionais só será possível se elas tiverem uma rede de pequenas empresas cada vez mais qualificadas", analisa Luiz Barretto, presidente do Sebrae.

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